Bilionário americano nega ter subornado primeiro-ministro de Israel
Colaboração para a Folha Online
O bilionário judeu americano Daniel Abraham foi questionado nesta quinta-feira pela polícia durante as investigações de corrupção envolvendo o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert. Em seu depoimento, ele afirmou que nunca deu dinheiro para Olmert e chamou a suspeita de seu envolvimento no caso de "um insulto".
Abraham, um filantrópico que fez sua fortuna como fundador da rede de alimentos Slim-Fast, foi convocado pela polícia nesta semana para discutir sua ligação com o líder israelense.
A polícia suspeita que Olmert tenha aceitado centenas de milhares de dólares em doações ilegais vindos dos Estados Unidos. O dinheiro, suspeita a polícia, teria sido usado para financiamento de campanha, e até mesmo para subornos.
| 14mai08 Menahem Kahana/Efe |
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| Primeiro-ministro Ehud Olmert (dir) e presidente dos EUA, Bush, em visita a Israel |
"Claro que eu nunca dei nenhum dinheiro a Olmert. A questão em si já é uma ofensa para mim", disse Abraham para uma rádio israelense. "Esta é a minha reputação em jogo e eu não tenho razão para arriscá-la", completou.
Abraham, forte apoiador de Israel, disse acreditar que Olmert é honesto e "um dos melhores primeiros-ministros que já tivemos". O bilionário está em Israel para as comemorações dos "[60 anos]": de fundação do país.
Olmert admitiu, na semana passada, ter recebido dinheiro de um negociante americano, centro das investigações policiais que podem ofuscar a visita do principal aliado de Israel ao país, mas negou que tenha sido algo ilícito.
A investigação da polícia criou um clima de desconfiança nas celebrações nacionais e levantou dúvidas sobre a habilidade de Olmert de negociar um acordo de paz com os palestinos, em um momento em que ele deveria estar no centro do cenário político nacional e mundial, devido aos 60 anos de Israel.
Outro bilionário judeu americano, Sheldon Adelson, deu um depoimento à polícia nesta semana como parte da investigação. Nas celebrações desta quarta-feira, dia do aniversário da fundação, Adelson sentou-se na primeira fileira junto ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, da primeira-dama dos EUA, Laura Bush e de outros oficiais de Israel, incluindo Olmert.
Denúncia
A investigação foca na participação de Morris Talansky, um empresário norte-americano que diz ter levantado dinheiro para Olmert. Talansky, que negou ter atentado subornar o líder israelense, disse acreditar que todas as contribuições feitas por ele foram legais. Ele deve depor à corte no dia 25.
Segundo uma porta-voz da Suprema Corte, Olmert teria pedido para que os juízes proibissem o testemunho de Talansky.
A polícia disse na semana passada que suspeita que Olmert tenha aceitado grandes somas de dinheiro de Talansky. Algumas das doações, segundo a polícia, foram feitas durante a a posse de Olmert na prefeitura de Jerusalém e também enquanto ele serviu como ministro no início da década. Olmert se tornou primeiro-ministro em 2006.
Olmert negou ter agido contra qualquer lei e prometeu renunciar ao cargo caso seja indiciado na investigação.
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