Mundo
15/05/2008 - 12h46

Bilionário americano nega ter subornado primeiro-ministro de Israel

Colaboração para a Folha Online

O bilionário judeu americano Daniel Abraham foi questionado nesta quinta-feira pela polícia durante as investigações de corrupção envolvendo o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert. Em seu depoimento, ele afirmou que nunca deu dinheiro para Olmert e chamou a suspeita de seu envolvimento no caso de "um insulto".

Abraham, um filantrópico que fez sua fortuna como fundador da rede de alimentos Slim-Fast, foi convocado pela polícia nesta semana para discutir sua ligação com o líder israelense.

A polícia suspeita que Olmert tenha aceitado centenas de milhares de dólares em doações ilegais vindos dos Estados Unidos. O dinheiro, suspeita a polícia, teria sido usado para financiamento de campanha, e até mesmo para subornos.

14mai08 Menahem Kahana/Efe
JER50.JERUSALEN (ISRAEL).14/5/2008.-Fotografia cedida por la Oficina de Prensa del Gobierno israelí que muestra al primer ministro israelí Ehud Olmert (d) saludando al presidente de los Estados Unidos George W. Bush (i) durante la reunión que mantuvieron hoy miércoles 14 de mayo de 2008 en Jerusalén.EFE/MENAHEM KAHANA/POOL
Primeiro-ministro Ehud Olmert (dir) e presidente dos EUA, Bush, em visita a Israel

"Claro que eu nunca dei nenhum dinheiro a Olmert. A questão em si já é uma ofensa para mim", disse Abraham para uma rádio israelense. "Esta é a minha reputação em jogo e eu não tenho razão para arriscá-la", completou.

Abraham, forte apoiador de Israel, disse acreditar que Olmert é honesto e "um dos melhores primeiros-ministros que já tivemos". O bilionário está em Israel para as comemorações dos "[60 anos]": de fundação do país.

Olmert admitiu, na semana passada, ter recebido dinheiro de um negociante americano, centro das investigações policiais que podem ofuscar a visita do principal aliado de Israel ao país, mas negou que tenha sido algo ilícito.

A investigação da polícia criou um clima de desconfiança nas celebrações nacionais e levantou dúvidas sobre a habilidade de Olmert de negociar um acordo de paz com os palestinos, em um momento em que ele deveria estar no centro do cenário político nacional e mundial, devido aos 60 anos de Israel.

Outro bilionário judeu americano, Sheldon Adelson, deu um depoimento à polícia nesta semana como parte da investigação. Nas celebrações desta quarta-feira, dia do aniversário da fundação, Adelson sentou-se na primeira fileira junto ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, da primeira-dama dos EUA, Laura Bush e de outros oficiais de Israel, incluindo Olmert.

Denúncia

A investigação foca na participação de Morris Talansky, um empresário norte-americano que diz ter levantado dinheiro para Olmert. Talansky, que negou ter atentado subornar o líder israelense, disse acreditar que todas as contribuições feitas por ele foram legais. Ele deve depor à corte no dia 25.

Segundo uma porta-voz da Suprema Corte, Olmert teria pedido para que os juízes proibissem o testemunho de Talansky.

A polícia disse na semana passada que suspeita que Olmert tenha aceitado grandes somas de dinheiro de Talansky. Algumas das doações, segundo a polícia, foram feitas durante a a posse de Olmert na prefeitura de Jerusalém e também enquanto ele serviu como ministro no início da década. Olmert se tornou primeiro-ministro em 2006.

Olmert negou ter agido contra qualquer lei e prometeu renunciar ao cargo caso seja indiciado na investigação.

 

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