Equipes tentam salvar sobreviventes na China; mortos podem passar de 50 mil
da Folha Online
As equipes de resgate continuam trabalhando para tentar salvar milhares de pessoas que continuam sob os escombros na China, após o terremoto de 7,9 graus na escala Richter que atingiu o país na última segunda-feira. Segundo a agência de notícias estatal, que cita coordenadores das equipes de resgate, o número total de mortos pode passar de 50 mil.
Apesar dos esforços, as esperanças de retirar sobreviventes dos escombros diminui com o passar do tempo e com a falta de equipamentos especializados. Por isso, o governo fez um apelo pedindo equipamentos de resgate.
Em um comunicado, divulgado pela Xinhua, a China publicou uma lista com 31 tipos diferentes de equipamentos, que inclui ferramentas de demolição, martelos, pás, guindastes e botes de borracha.
| Arte Folha Online |
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Os funcionários que trabalham na região do tremor estão usando as mãos para retirar os escombros de cima das vítimas que permanecem soterradas, o que faz com que o pedido seja de máxima urgência.
Além da intensificação do trabalho, cresce também a tensão das dezenas de milhares de desabrigados. "Há comida suficiente, mas não há água", disse Wang Yujie, uma professora de uma escola que resistiu ao terremoto.
Mais ajuda estava chegando e a coordenação dos esforços também está aumentando. Sichuan instalou uma linha telefônica de emergência para vítimas e ambulâncias de Pequim também estão nas ruas.
Mais de 12,5 toneladas de suprimentos foram jogadas de aviões e uma grande quantidade de helicópteros estava voando levando equipes de resgate e ajuda.
Autoridades disseram que colchas, tendas, comida e telefones via satélite são os itens mais necessários. O Ministério da Saúde disse que as necessidades médicas vão desde itens básicos como bandagens e antibióticos até equipamentos sofisticados.
Mais de 130 mil membros das Forças Armadas chinesas trabalham nas operações de ajuda e resgate nas zonas atingidas pelo terremoto. As equipes militares trabalham com cães em busca de sobreviventes entre os edifícios que desabaram.
Números
Até o momento, o número de mortes confirmadas é de 19.509 pessoas, elevando em quase 5.000 o balanço de vítimas do terremoto informado ontem (14). As informações foram passadas pelo vice-governador da Província de Sichuan, Li Chengyun.
Ele também afirmou que outras 102.103 pessoas estão feridas e 12.300 soterradas. Segundo o vice-governador, as equipes de resgate conseguiram retirar com vida 13.400 pessoas dos escombros.
O terremoto foi o pior a atingir a China em três décadas, desde que um tremor atingiu o país em 1976, matando cerca de 240 mil pessoas.
Aulas
O Ministério da Educação chinês permitiu às escolas no sudoeste da China atingidas pelo terremoto desta semana que suspendam as aulas de acordo com as necessidades locais, informou um porta-voz do ministério nesta quinta-feira.
"Algumas escolas na região atingida ficaram seriamente danificadas e os diretores devem considerar as condições em que elas se encontram antes de permitir o retorno das aulas", disse Wang Xuming, porta-voz do ministério, durante uma entrevista coletiva.
Wang disse que o ministério ainda não calculou o número de escolas perdidas no terremoto e que foi pedido aos governos locais que avaliem os danos e calculem as perdas.
Saúde
O vice-ministro da Saúde chinês, Gao Qiang, afirmou nesta quinta-feira que, por enquanto, não há focos de epidemias nas zonas atingidas pelo terremoto que atingiu o sudoeste da China. Apesar disso, os sobreviventes estão sendo imunizados contra algumas doenças.
No entanto, ele acrescentou, em entrevista coletiva em Pequim, que as autoridades continuarão em alerta, já que poderiam ocorrer doenças, devido às condições de insalubridade que surgem após catástrofes.
"Isto é apenas o começo dessa batalha. Há um longo caminho a nossa frente", disse o vice-ministro da Saúde chinês, Gao Qiang. "Para cada fio de esperança, nossos esforços irão aumentar cem vezes mais. Não desistiremos", disse.
| Vincent Yu/AP |
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| Imagem mostra escola totalmente destruída após terremoto desta semana na China |
Os trabalhadores das equipes de resgate estão procurando assegurar que as pessoas bebam água com segurança e também estão removendo os corpos dos escombros para prevenir que bactérias se espalhem.
Gao disse que, só na Província de Sichuan, a mais afetada pelo terremoto, os centros hospitalares atenderam até o momento 64.040 feridos, dos quais 12.587 se encontram em estado grave. Ele também afirmou que mais de 10 mil profissionais de saúde trabalham nas zonas mais devastadas pelo tremor.
O governo chinês já destinou US$ 57,14 milhões (R$ 95 milhões) para custear despesas médicas nas áreas atingidas pelo terremoto, disse. Segundo o vice-ministro, a metade desse dinheiro irá para tratamentos médicos aos feridos e a outra metade para equipamento médico de emergência e remédios.
O dinheiro destinado pelo governo chinês para atenuar a catástrofe já chega a US$ 187,3 milhões (R$ 311 milhões), após uma recente quantia de US$ 28,59 milhões (R$ 46 milhões) estipulada pelo Ministério das Finanças, informou a Xinhua.
Ajuda
O primeiro avião taiwanês com ajuda aos desabrigados pelo terremoto partiu nesta quinta-feira com 46 toneladas de alimentos, tendas de campanha, cobertores e outros artigos de primeira necessidade.
A destruição e morte causadas pelo terremoto comoveram os taiuaneses, e o governo independentista da ilha prometeu US$ 50 milhões (R$ 83 milhões) em ajuda aos desabrigados.
| David Gray/Reuters |
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| Equipes de resgate procuram sobreviventes nos escombros de um prédio que desabou |
No entanto, as experientes equipes de resgate e salvamento de Taiwan não puderam viajar à China para participar das operações de salvamento devido aos problemas políticos entre as duas regiões. A inexistência de vôos diretos entre Taiwan e China e os problemas derivados de sua disputa sobre a soberania da ilha dificultam os contatos entre as duas partes.
Segundo a agência japonesa de notícias Kyodo, o Japão enviará à China a primeira equipe estrangeira de resgate para ajudar as vítimas do terremoto depois de Pequim autorizar a oferta.
Os ministérios de Relações Exteriores japonês e chinês estão estudando os detalhes do envio deste grupo de resgate, que será composto por aproximadamente 12 especialistas, segundo fontes oficiais citadas pela Kyodo.
O governo chinês aceitou hoje a oferta do Japão de participar das operações de ajuda no sudoeste da China. Junto à equipe de resgate, o governo japonês ofereceu ajuda de emergência para a China no valor de 500 milhões de ienes (cerca de US$ 5 milhões).
Até agora o governo chinês havia rejeitado todas as ofertas de envio de equipes de emergência estrangeiras. O fato de a China ter aceitado a oferta japonesa pode ser um sinal da recente aproximação entre os dois países, constatada durante a visita oficial na semana passada do presidente chinês, Hu Jintao, ao Japão.
Com agências internacionais
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