Mundo
15/05/2008 - 15h41

Leia íntegra do discurso do presidente Bush no Parlamento de Israel

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Colaboração para a Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi a Israel nesta semana participar das cerimônias de celebração dos 60 anos de fundação do país. Bush falou hoje ao Knesset [Parlamento].

Leia a a íntegra do discurso de Bush aos líderes israelenses:

"Presidente [Shimon] Peres e senhor primeiro-ministro [Ehud Olmert], muito obrigado por organizar esta sessão especial. Presidente Beinish, líder da oposição Netanyahu, ministros, membros do Knesset [parlamento], distintos convidados: Shalom. Laura e eu estamos emocionados de estar de volta a Israel. Nós fomos profundamente comovidos pelas celebrações dos últimos dois dias. E nesta tarde, eu estou honrado em estar diante de uma das maiores assembléias democráticas do mundo e resumo os desejos do povo norte-americano nestas palavras: Yom Ha'atzmaut Sameach.

É um raro privilégio para o presidente norte-americano falar diante do Knesset. Embora o primeiro-ministro tenha me dito que é algo ainda mais raro ter apenas uma pessoa falando nesta câmara por vez. Meu único arrependimento é que um dos maiores líderes de Israel não está aqui para dividir este momento. Ele é o guerreiro dos tempos, um homem de paz, um amigo. As orações do povo norte-americano estão com Ariel Sharon.

Nós nos reunimos para marcar uma ocasião especial. Há 60 anos em Tel Aviv, David Ben Gurion proclamou a independência de Israel, fundada "no direito natural do povo judeu para comandar seu próprio destino". O que seguiu foi mais que o estabelecimento de um novo país. Foi a redenção de uma promessa antiga feita à Abraão, Moisés e Davi --uma terra para as pessoas escolhidas Eretz Yisrael.

Onze minutos depois, sob as ordens do presidente [norte-americano] Harry Truman, os Estados Unidos ficaram orgulhosos em ser a primeira nação a reconhecer a independência de Israel. E neste aniversário, a América está orgulhosa de ser o mais próximo aliado e o melhor amigo de Israel no mundo.

A aliança entre os nosso governos é inquebrável, já que a fonte de nossa amizade seja muito mais profunda que qualquer ameaça. Está fundada no espírito compartilhado de nossos povos, os laços do Livro, os laços da alma. Quando William Bradford saiu do Mayflower [navio que trouxe os ingleses para o continente americano] em 1620, ele citou as palavras de Jeremiah: "Nós declaramos em Sião a palavra de Deus". Os fundadores de meu país viram uma nova terra prometida e nomearam suas cidades de Belém e Nova Canaã. E, em tempo, muitos americanos se tornaram apaixonados defensores do Estado judaico.

Séculos de sofrimento e sacrifício passariam antes que o sonho se realizasse. O povo judeu suportou a agonia das matanças, a tragédia da Grande Guerra e o horror do Holocausto --o que Elie Wiesel chamou de "o reino da noite". Homens sem alma tomaram as vidas e separaram famílias. Mesmo assim, eles não poderiam quebrar a promessa de Deus. Quando novas da liberdade de Israel finalmente chegaram, Golda Meir, uma mulher corajosa se levantou em Wisconsin, ela só conseguia chorar. Mais tarde ela disse: "Por dois mil anos nós esperamos por nossa libertação. Agora que está aqui é tão bom e tão maravilhoso que supera as palavras humanas".

A alegria da independência foi misturada com a insurgência da batalha, uma luta que continuou por seis décadas. Mesmo assim, apesar da violência, apesar das ameaças, Israel construiu uma democracia no coração da Terra Sagrada. Vocês receberam imigrantes dos quatro cantos da Terra. Vocês forjaram uma sociedade livre e moderna baseada no amor à liberdade, a paixão por justiça e o respeito pela dignidade humana. Vocês trabalharam sem parar pela paz. Vocês lutaram corajosamente pela liberdade.

A admiração de meu país por Israel não acaba aqui. Quando os americanos olham, para Israel nós vemos um espírito pioneiro que realizou um milagre na agricultura e agora lidera na revolução tecnológica. Nós vemos universidades de nível internacional e uma liderança global em negócios e inovação e artes. Nós vemos um recurso mais valioso que petróleo ou ouro: o talento e determinação de um povo livre que se recusa a deixar qualquer obstáculo ficar no caminho de seu destino.

Eu fui sortudo de ver o caráter de Israel de perto. Eu toquei o Muro das Lamentações, vi o sol refletir no mar da Galiléia, eu rezei na Yad Vashem. E hoje mais cedo, eu visitei Massada, um monumento inspirador da coragem e do sacrifício. Neste ponto histórico, os soldados de Israel juraram: "Massada não cairá novamente". Cidadãos de Israel: Massada não cairá de novo e a América estará ao seu lado.

Este aniversário é um tempo de refletir no passado. É também uma oportunidade de olhar para o futuro. Na medida em que vamos a frente, nossa aliança será guiada por claros princípios --convicções que dividimos enraizadas e que não se abalam por pesquisas de popularidade, mudanças de opinião ou elites internacionais.

Nós acreditamos no valor inigualável de cada homem, mulher e criança. Então nós insistimos que as pessoas de Israel têm o direito de uma vida decente, normal e cheia de paz, assim como os cidadãos das outras nações.

Nós acreditamos que a democracia é o único jeito de assegurar os direitos humanos. Então nós a consideramos uma fonte de vergonha que a Nações Unidas rotineiramente passa mais resoluções de direitos humanos contra a democracia no Oriente Médio do que qualquer outra nação do mundo.

Nós acreditamos que a liberdade religiosa é fundamental para uma sociedade civilizada. Então nós condenamos o anti-semitismo de todas as formas --seja por aqueles que abertamente questionam o direito de Israel de existir, ou por outros que permitem que eles [que questionam] existam.

Nós acreditamos que as pessoas livres devem se sacrificar pela paz. Então nós aplaudimos as escolhas corajosas que os líderes de Israel tomaram. Nós também acreditamos que as nações têm o direito de defender-se e que nenhuma nação deveria ser forçada a negociar com assassinos que pedem pela sua destruição.

Nós acreditamos que tirar vidas inocentes para alcançar objetivos políticos é sempre e em qualquer lugar errado. Então nós levantamos juntos contra o terror e o extremismo e nós nunca mais vamos baixar a nossa guarda ou perder nossa determinação.

A luta contra o terror e o extremismo é o desafio delimitador de nosso tempo. É mais que uma luta armada. É uma luta de visões, uma grande luta ideológica. De um lado estão aqueles que defendem os ideais de justiça e dignidade com o poder da razão e a verdade. Do outro lado estão aqueles que buscam uma visão mais estreita de crueldade e controle através dos assassinatos, incitando medo e espalhando mentiras.

Esta luta é moldada pela tecnologia do século 21, mas em sua essência está uma antiga batalha entre o bem e o mal. Os assassinos se escondem sob o manto do islamismo, mas eles não são homens religiosos. Ninguém que prega ao Deus de Abraão pode vestir uma roupa suicida em uma criança inocente ou explodir convidados inocentes de uma marcha, ou voar em aviões em direção a prédios de escritório lotado de trabalhadores insuspeitos. Na verdade, os homens que carregam estes atos selvagens servem a um objetivo não maior do que seu próprio desejo por poder. E eles reservam um ódio especial aos mais ardentes defensores da liberdade, incluindo americanos e israelenses.

E é por isso que o fundador do Hamas pede pela "eliminação" de Israel. E é por isso que os seguidores do Hizbollah cantam "Morte a Israel, morte a América". É por isso que Osama bin Laden ensina que "o assassinato de judeus e americanos é um dos maiores deveres". E é por isso que o presidente do Irã sonha em retornar o Oriente Médio à Idade Média e pede para que Israel seja riscada do mapa.

Há pessoas boas e decentes que não conseguem entender a escuridão neste homens e tentam explicar suas palavras. É natural, mas mortalmente errado. Como testemunha do mal no passado, nós carregamos uma responsabilidade solene de levar estas palavras muito a sério. Judeus e americanos viram as conseqüências de não levar a sério as palavras de líderes que promovem o ódio. E este é um erro que o mundo não pode repetir no século 21.

Alguns parecem acreditar que nós devemos negociar com os terroristas e radicais, como se um argumento ingênuo os persuadirá que eles estão errados o tampo inteiro. Nós ouvimos esta desilusão tola antes. Enquanto tanques nazistas cruzavam a Polônia em 1939, um senador americano declarou: "Deus, se eu ao menos pudesse ter conversado com Hitler, tudo isso poderia ter sido evitado". Nós temos uma obrigação de chamar isso pelo que é --o falso conforto da trégua, o que tem sido repetidamente desacreditado pela história.

Algumas pessoas sugerem que se os Estados Unidos simplesmente quebrassem seus laços com Israel, todos os nossos problemas no Oriente Médio acabariam. Este é um argumento falso que compra a propaganda de inimigos da paz e a América rejeita isso. A população de Israel está em pouco mais de 7 milhões. Mas aí você confronta o terror e o mal, você está errado em 307 milhões, porque os EUA apóiam vocês.

América está com vocês no combate às redes terroristas e em negar os santuários extremistas. América está com vocês na oposição firme às ambições iranianas de armas nucleares. Permitir que o maior patrocinador do terror tenha posse das armas mais mortíferas do mundo seria uma traição imperdoável para as gerações futuras. Pelo bem da paz, o mundo precisa impedir que o Irã tenha um arma nuclear.

Em último caso, para prevenir esta batalha, nós precisamos oferecer uma alternativa à ideologia dos extremistas, estendendo nossa visão de justiça e tolerância e liberdade e esperança. Estes valores são o direito de todas as pessoas, de todas as religiões, de todo o mundo porque eles são um presente do Deus Todo Poderoso. Assegurar estes direitos é também jeito mais certo de assegurar a paz. Líderes que são responsáveis por seus povos não perseguirão confrontações sanguinolentas e sem fim. Jovens com um lugar na sociedade e uma voz no futuro tendem menos a procurar um significado no radicalismo. Sociedades onde cidadãos expressam suas consciências e veneram seu Deus não exportarão violência, eles serão parceiros na paz.

A lição fundamental de que a liberdade leva à paz é a grande lição do século 20. Agora, nossa tarefa é aplicar isso ao século 21. Em nenhum lugar este trabalho é mais urgente do que aqui no Oriente Médio. Nós precisamos defender os reformadores trabalhando para quebrar velhas regras de tirania e desespero. Nós precisamos dar voz a milhões de pessoas comuns que sonham com uma vida melhor de uma sociedade livre. Nós precisamos confrontar o relativismo moral que vê todas as formas de governo como igualmente aceitáveis e assim levam sociedades inteiras à escravidão. Acima de tudo, nós precisamos ter fé em nossos valores e em nós mesmos e confiantes perseguir a expansão da liberdade em um caminho para um futuro pacífico.

Este futuro será uma separação dramática do Oriente Médio de hoje. E quando comemoramos os 60 anos de Israel, tentemos visualizar a região daqui a 60 anos. Esta visão não se realizará de maneira fácil ou do dia para a noite; ela encontrará violenta resistência. Mas se nós e os futuros presidentes e futuros Knessets mantivermos nossa resolução e tivermos fé em nossos ideais, aqui está o Oriente Médio que nós poderemos ver:

Israel estará celebrando o seu 120º aniversário como uma das maiores democracias do mundo, uma terra segura e em constante progresso para o povo judeu. O povo palestino terá sua terra que há tanto sonham e a qual merecem --um Estado democrata que é governado pela lei e respeito aos direitos humanos e que rejeita o terror. De Cairo a Riad de Bagdá a Beirute, as pessoas viverão em sociedades independentes e livres, onde um desejo de paz é reforçado por laços diplomáticos e turismo e comércio. Irã e a Síria serão nações pacíficas, com a opressão dos dias de hoje em uma memória distante e onde pessoas são livres para falar o que pensam e desenvolver seus talentos dados por Deus. Al Qaeda, Hizbollah e Hamas serão derrotados, enquanto muçulmanos por toda a região reconhecem o vazio da visão terrorista e a injustiça de sua causa.

No geral, o Oriente Médio será caracterizado por um novo período de tolerância e integração. E isso não significa que Israel e seus vizinhos serão melhores amigos. Mas quando líderes da região responderem aos seus povos, eles focarão suas energias em escolas e trabalhos, não em ataques de foguetes e bombardeamentos suicidas. Com esta mudança, Israel vai abrir um novo capítulo no qual suas pessoas podem viver uma vida normal e o sonho de Herzl e dos fundadores de 1948 será completamente realizado.

Esta é uma corajosa visão e alguns dirão que nunca será alcançada. Mas pense sobre o que nós testemunhamos em nosso tempo. Quando a Europa estava se destruindo através da guerra total e do genocídio, era difícil visualizar um continente que seis décadas depois estaria em paz e livre, Quando os pilotos japoneses estavam voando em missões suicidas sobre os navios militares da América, parecia impossível que seis décadas depois o Japão seria uma democracia, o mais importante membro de segurança na Ásia e um dos mais próximos amigos da América. E as ondas de refugiados que chegaram ao deserto com nada, cercados de exércitos hostis, foi quase inimaginável que Israel cresceria para ser uma das mais livres e bem sucedidas nações da Terra.

Cada uma destas transformações aconteceram. E um futuro de transformação é possível no Oriente Médio enquanto uma nova geração de líderes tenham a coragem de derrotar os inimigos da liberdade, de fazer escolhas difíceis necessárias para a paz e de permanecer firme na sólida rocha dos valores universais.

Há 60 anos, na véspera da independência de Israel, os últimos soldados britânicos saindo
de Jerusalém pararam em uma construção na cidade velha de Jerusalém. Um oficial bateu na porta e encontrou um velho rabino. O oficial se apresentou com uma pequena barra de ferro --a chave para o portão de Sião-- e disse que era a primeira vez em 18 séculos que a chave dos portões de Jerusalém pertenciam a um judeu. Suas mãos tremendo, o rabino ofereceu uma oração de agradecimento a Deus, "que nós deu a vida e permitiu que chegássemos a este dia". Depois, ele virou para o oficial e pronunciou as palavras judaicas que guardou por tanto tempo. "Eu aceito esta chave em nome do meu povo".

Nas últimas seis décadas, o povo judeu estabeleceu um Estado que faria aquele rabino humilde se orgulhar. Vocês levantaram uma sociedade moderna na terra prometida, uma luz para as nações que preserva o legado de Abraão, Isaac e Jacó. E vocês construíram uma democracia que durará para sempre e que poderá sempre contar com os Estados Unidos da América ao seu lado. Deus abençoe."

Veja a íntegra do discurso, em inglês

fonte: site da Casa Branca (www.whitehouse.gov)

Comentários dos leitores
Ronaldo Rainha (28) 15/10/2009 03h15
Ronaldo Rainha (28) 15/10/2009 03h15
Interessante todos os paises do mundo democratas ou não, tem ricos, e pobres, escolas ótimas e escolas ruins,porque acham que com Israel que tem sómente 60 anos teria que ser o pais exemplo do mundo , já não basta ele ser o melhor para se viver, onde existe uma segurança bem melhor que a nossa em todos os sentidos, nem preciso mencionar a questão da corrupção que tem nos outros paises! Shalom a todos sem opinião
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J. R. (1048) 07/10/2009 08h57
J. R. (1048) 07/10/2009 08h57
israel não reconhece o estado palestino nem seus 2 partidos políticos (é a primeira vez que um estado tem 0 partidos) rotulando-os de grupos terroristas, pois deseja continuar a expandir seu território e se apossar da riqueza marítima de Gaza, como os poços de gás. No fundo, os palestinos são escravos de israel, sob contínuas e falsas promessas. 103 opiniões
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amal wehba (2) 22/09/2009 11h15
amal wehba (2) 22/09/2009 11h15
concordo em genero e grau,mas a nefasta influencia israelense no mundo não deixa a verdade vir á tona. 3 opiniões
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