Mundo
15/05/2008 - 20h29

Ex-chefes paramilitares extraditados se declaram inocentes nos EUA

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da Efe, em Washington

Oito dos quatorze ex-chefes paramilitares extraditados na segunda-feira pela Colômbia aos Estados Unidos, entre eles Salvatore Mancuso, o último chefe das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), se declararam hoje inocentes de tráfico de drogas em seu primeiro comparecimento perante um juiz.

Os ex-líderes da guerrilha, que prestaram depoimento perante o juiz federal Alan Kay, da Corte Federal do Distrito de Columbia, permanecerão detidos até uma nova audiência.

Mancuso, Nodier Giraldo, Hernán Giraldo Serna, Edwin Mauricio Gómez Luna, Eduardo Enrique Vengoechea Mola, Martín Peñaranda Osorio, Rodrigo Tovar Pupo, conhecido como Jorge 40, e Juan Carlos Sierra Ramírez chegaram à Corte visivelmente nervosos, vestidos com o macacão laranja característico dos presos nos EUA.

A Promotoria os acusa de conspirar para produzir e distribuir cinco quilos ou mais de cocaína com a intenção de importar essa substância aos EUA e de ajudar e apoiar essa conspiração.

Além disso, pesa sobre eles uma ordem de apreensão de seus bens.

O juiz tomou primeiro e separadamente o depoimento de Salvatore Mancuso e Juan Carlos Sierra, que são acusados em um caso anterior ao resto, de 2002.

Todos eles afirmaram sua inocência ao magistrado, em uma audiência que durou cerca de uma hora e na qual só houve perguntas de procedimento.

A Corte levou o caso de Mancuso e Sierra à juíza federal Ellen Segal Huvelle, enquanto o magistrado titular para os outros seis ex-paramilitares será Reggie Walton.

Todos os acusados, com exceção de Jorge 40, terão que comparecer ao tribunal em 21 de maio, quando o juiz Kay determinará se permanecerão detidos até o início do julgamento.

A audiência de Jorge 40 será na sexta-feira, por problemas de agenda de sua advogada.

Dado o grande número de presos que prestariam depoimentos, o tribunal precisou de cerca de uma hora para iniciar os trabalhos.

Em seu comparecimento de hoje perante o juiz, quase todos eles pediram tempo para pensar se contratam um advogado, pois alegam terem sido pegos de surpresa pela extradição aos Estados Unidos e só dispõem, por enquanto, dos serviços de advogados de ofício.

Mancuso conta com um advogado privado, Richard Díaz, o mesmo que representa Carlos Mario Jiménez, conhecido como Macaco, que foi extraditado em 7 de maio.

Outro que expressou a intenção de contratar um advogado foi Jorge 40. Sua família já entrou em contato com um escritório em Bogotá.

Macaco, contra o qual pesam acusações similares, permanece detido na prisão do Distrito de Columbia à espera do início de seu julgamento, cuja data ainda não foi determinada.

Os outros oito ex-membros das AUC, grupo de extrema-direita que figura na lista de organizações terroristas dos EUA, foram levados à mesma prisão que Macaco, mas as autoridades o manterão isolados e sem contato entre si.

Os outros seis ex-líderes paramilitares extraditados na segunda-feira por Bogotá aos EUA enfrentam acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e apoio material a uma organização terrorista (as AUC) em diferentes tribunais da Flórida, Nova York e Texas.

Concretamente, Diego Fernando Murillo Bejarano, conhecido como Don Berna, será julgado no Distrito Sul de Nova York e Diego Alberto Ruiz Arroyave será acusado no distrito sul do Texas.

Por sua parte, Ramiro Vanoy Murillo e Francisco Javier Zuluaga serão transferidos ao distrito sul da Flórida, enquanto Guillermo Pérez Alzate e Manuel Enrique Torregrosa Castro terão que comparecer a uma corte do distrito médio da Flórida.

 

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