Mundo
15/05/2008 - 21h51

ONU realiza reunião de emergência sobre Mianmar na Ásia

da Folha Online

A ONU vai organizar na Ásia uma reunião de emergência sobre a crise humanitária em Mianmar, onde a junta militar bloqueia a presença de equipes internacionais de ajuda, apesar da situação precária de milhões de sobreviventes do ciclone Nargis.

De acordo com a ONU, os desabrigados pelo desastre podem chegar a 2,5 milhões, das quais menos de um terço devem estar recebendo algum tipo de assistência.

Reuters
Criança acena após receber pão de ONG em orfanato próximo a Yangun
Criança acena após receber pão de ONG em orfanato próximo a Yangun

Diante da gravidade da situação humanitária no sul de Mianmar, uma "reunião de emergência vai ser convocada pelo secretário-geral da ONU", anunciou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, mencionando que a conferência será realizada na Ásia.

Graças à mediação dos asiáticos, a comunidade internacional quer evitar uma "segunda catástrofe" na antiga Birmânia e salvar a maioria dos cerca de dois milhões de sobreviventes, que estão com fome, com sede e desabrigadas, segundo as Nações Unidas.

Duas semanas depois de uma catástrofe que deixou mais de 71 mil mortos e desaparecidos, a junta militar anunciou vitória no referendo de 10 de maio, afirmando que mais de 92% dos eleitores aprovaram a nova Constituição.

O canal MRTV, controlado pela junta militar, informou ainda que a taxa de participação no referendo foi de 99%. As autoridades birmanesas ainda realizarão a votação nas zonas do país mais devastadas pelo ciclone.

Operações birmanesas

Enquanto isso, apesar de cada vez mais aviões de ajuda humanitária pousarem em Yangun, o regime birmanês limita o envio de voluntários estrangeiros às zonas mais afetadas pelo terremoto, como o delta do Irrawaddy (sudoeste).

A junta rejeita qualquer operação comandada por estrangeiros e retém parte da ajuda enviada ao país.

Aung Hla Tun/Reuters
Crianças brincam em rio em Bogalay, uma das regiões mais afetadas pelo ciclone Nargis, que deixou mais de 70 mil mortos
Crianças brincam em rio em Bogalay, uma das regiões mais afetadas pelo ciclone Nargis, que deixou mais de 70 mil mortos

As operações conduzidas pelos birmaneses são a pior resposta da "história recente" a uma catástrofe natural, afirmou Mark Malloch Brown, alto representante da chancelaria britânica, cujo governo liberou uma verba suplementar de 12 milhões de libras e conclamou a junta a deixar os voluntários estrangeiros a trabalharem "sem obstáculos".

Em visita a Yangun, o comissário europeu ao Desenvolvimento, Louis Michel, também pediu a Mianmar "ações concretas" para abrir mais a porta à ajuda externa. Ele avisou na quarta-feira que o país é diretamente ameaçado pela fome, devido à destruição de "todos os estoques de arroz".

Um navio francês, Le Mistral, partiu de Madras, na Índia, com 1.000 toneladas de mantimentos.

Pressão

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviará a Mianmar nos próximos dias o principal responsável das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, John Holmes, para tentar "evitar esta segunda onda de vítimas que todos nós tememos devido ao risco de epidemias".

Arte Folha Online
mapa mianmar
mapa mianmar

Ban já reuniu os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual Mianmar é membro.

O secretário-geral da Asean, o tailandês Surin Pitsuwan, confirmou um "consenso" para que a Asean lidere uma "coalizão da compaixão".

A Tailândia se comprometeu a tentar convencer seu vizinho birmanês a aceitar uma visita de Ban Ki-moon a Yangun.

A organização Human Rights Watch pediu aos Estados doadores que se assegurem de que sua ajuda não é desviada pelas autoridades birmanesas.

O Exército está no poder desde 1962 em Mianmar.

Com France Presse e Efe

 

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