Mundo
16/05/2008 - 01h52

Lula não descarta tensão entre presidentes em cúpula da América Latina

da Agência Brasil, em Lima (Peru)
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (15) que não se pode descartar a possibilidade de haver tensão nos debates entre os chefes de Estado que participam nesta sexta da 5ª Cúpula América Latina, Caribe e União Européia.

O presidente destacou que nunca houve um momento de tanta democracia na América Latina e tocou em um assunto polêmico ao falar das Farc (Forcas Armadas Revolucionárias da Colômbia).

"É verdade que pode ter uma ou outra tensão, mas é verdade que temos democracia aqui como jamais tivemos em nenhum outro momento histórico. Hoje, com exceção das Farc, você não tem nenhum grupo propondo luta armada, você não tem guerrilha, você não tem terrorismo e você tem os países construindo a democracia. É isso que interessa", afirmou Lula.

A cúpula reúne nesta sexta-feira presidentes que têm feito declarações polêmicas em relação a outros líderes, como o boliviano Evo Morales, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e os presidentes da Colômbia, Alvaro Uribe, e do Equador, Rafael Correa.

Os dois últimos se desentenderam recentemente no episódio em que um líder das Farc foi morto durante ação militar da Colômbia em território equatoriano.

Ataque

As divergências diplomáticas começaram no dia 1º de março, por causa da operação militar colombiana contra um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, que terminou com a morte de 26 pessoas, entre elas a de Raúl Reyes --o então número dois do órgão terrorista.

No dia seguinte (2), o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aliado do presidente equatoriano Rafael Correa, ordenou o fechamento da embaixada da Venezuela na Colômbia e a mobilização de "dez batalhões" militares na fronteira entre os dois países. Quito também retirou seu embaixador em Bogotá.

Logo depois, ainda no domingo, Correa anunciou a "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia em Quito e solicitou uma reunião urgente da OEA.

Na segunda-feira (3), líderes e governantes de todo o mundo se manifestaram sobre a crise. A Venezuela ordenou a "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia e do corpo diplomático da embaixada colombiana em Caracas.

Na sexta-feira (7), o presidente equatoriano, Rafael Correa, aceitou as desculpas de seu colega colombiano, Álvaro Uribe, e com um aperto de mãos deram por encerrado o conflito diplomático que envolveu também os presidentes da Venezuela e da Nicarágua. A paz foi selada na Cúpula do Grupo do Rio, em Santo Domingo, capital da República Dominicana.

 

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