Mundo
16/05/2008 - 02h19

Número de mortos em terremoto na China pode chegar a 50 mil

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da Folha Online

O governo chinês reviu nesta quinta-feira (15) a estimativa do número de mortos no terremoto que atingiu o país nesta semana e os dados oficiais mostram que ao menos 50 mil pessoas podem ter morrido. Nesta sexta, o presidente Hu Jintao iniciou sua visita a tropas e equipes médicas que trabalham no resgate na zona do epicentro do tremor na província de Sichuan.

Na segunda-feira, um terremoto de 7,9 graus na escala Richter devastou várias cidades da província e causou 19.509 mortes, segundo dados oficiais.

Coordenadores do centro de operações das equipes de resgate e o governo regional informaram ontem que cerca de 25 mil pessoas continuam soterradas; a declaração do indica que há poucas expectativas de encontrá-las com vida.

Ontem, a China fez um raro apelo público para conseguir equipamentos de resgate, detectores de movimento humano e outros materiais que ajudem no resgate das vítimas do terremoto, o pior registrado em três décadas no país.

Em um comunicado, divulgado pela Xinhua, a China publicou uma lista de 31 tipos diferentes de equipamentos, que inclui ferramentas de demolição, martelos, pás, guindastes e botes de borracha.

Resgate

Mais de 130 mil membros das Forças Armadas chinesas trabalham nas operações de ajuda e resgate nas zonas atingidas pelo terremoto. Segundo a Xinhua, os aviões militares de transporte e helicópteros já fizeram mais de 300 vôos e jogaram do ar alimentos e materiais de emergência.

As equipes militares trabalham com cães em busca de sobreviventes entre os edifícios que desabaram.

Milhões de sobreviventes estão desabrigados ou temem voltar para suas casas, condenadas por causa do forte sismo, e passam as últimas noites em barracas e tendas armadas nas ruas, em meio ao frio e à chuva.

A imprensa estatal informou, por meio da agência oficial Xinhua, que as equipes de resgate já atuam em todas as 58 cidades mais afetadas.

A liderança do Partido Comunista disse aos oficiais para "assegurarem a estabilidade social" nos esforços de resgate, pois há rumores de que o terremoto tenha ocasionado vazamentos químicos, estourado barragens e provocado cenas de desespero coletivo.

Os responsáveis de segurança pública de Chengdu, no entanto, desmentiram os rumores de que a unidade química de Dujiangyan, localidade devastada pelo tremor, explodiu no terremoto, emitindo gases letais, e que a água de torneira da capital estava contaminada, o que espalhou pânico entre a população.

O vice-ministro da Saúde chinês, Gao Qiang, afirmou nesta quinta-feira que, por enquanto, não há focos de epidemias nas zonas atingidas pelo terremoto que atingiu o sudoeste da China. Apesar disso, os sobreviventes estão sendo imunizados contra algumas doenças.

Ajuda externa

Os escritórios centrais da organização MSF (Médico Sem Fronteiras) em Tóquio, no Japão e em diversas capitais européias preparam equipes e material médico para enviar à China, assim que obtiverem autorização.

"As equipes relatam, por enquanto, uma colaboração tranqüila. Mas isso não garante nada, porque a avaliação é sempre aceita, o problema está na fase de operação. Nós podemos não ter a mesma idéia sobre as necessidades locais, e isso exige muita negociação", explica Filipe Ribeiro, diretor de operações da MSF.

Até agora o governo chinês havia rejeitado as ofertas de envio de equipes de emergência estrangeiras. Hoje, a China aceitou a oferta do Japão de participar das operações de ajuda no sudoeste da China e uma ajuda no valor de 500 milhões de ienes (cerca de US$ 5 milhões).

A MSF tem um histórico de boa colaboração com o país. Membros da organização trabalham em diversas regiões desde 1988 e, em 2003, iniciaram um trabalho voltado aos portadores do vírus HIV.

Com Associated Press e Efe

 

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