Mundo
16/05/2008 - 02h29

Interpol diz que Colômbia não alterou arquivos de computadores das Farc

da Folha Online

Relatório da Interpol (polícia internacional) divulgado nesta quinta-feira (15) em Bogotá diz que a Colômbia não modificou os arquivos encontrados em computadores do número dois das Farc, Raúl Reyes, informa o repórter Fabiano Maisonnave em reportagem publicada na Folha desta sexta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

A Colômbia bombardeou um acampamento das Farc em 1º de março deste ano. No ataque 25 pessoas morreram --inclusive Reyes-- e foram apreendidos três computadores, três unidades de memória e dois discos externos supostamente pertencentes às Farc.

Leia a íntegra do relatório da Interpol (PDF, em inglês)

Nesses computadores, foram encontrados documentos expondo vínculos entre as Farc e os governos venezuelanos e equatorianos, como empréstimos de até R$ 300 milhões à guerrilha e contatos entre funcionários do alto escalão do governo de Rafael Corrêa e as Farc.

"Show"

Em entrevista a jornalistas estrangeiros nesta quinta-feira, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, classificou de "show" o relatório da Interpol e chamou o secretário-geral da entidade, Ronaldo Noble, de "vagabundo internacional", informa a Folha (íntegra para assinantes).

Chávez ainda disse ter pedido ao seu ministro do Interior (Justiça), Ramón Rodríguez Chacín, uma revisão sobre a filiação da Venezuela à Interpol, sugerindo a criação de uma entidade paralela, com "gente séria".

A Interpol informou que "ninguém nunca poderá questionar se a Colômbia manipulou essa evidência apreendida", disse o secretário-geral Ronald Noble, em entrevista coletiva em Bogotá.

Noble declarou que estava convencido de que os equipamentos analisados foram apreendidos em um acampamento das Farc. "Vieram de um acampamento terrorista das Farc, portanto pertenciam à organização e aos membros dessa organização."

Nessa documentação, Noble insistiu que 64 especialistas de 15 países trabalharam durante mais de cinco mil horas nas oito "provas documentais apreendidas". Sobre os cerca de 7.900 endereços de e-mail encontrados, ele acrescentou que "devem ser muito importantes para investigações antiterroristas não só na Colômbia mas em outros países".

Crise

O ataque do Exército colombiano em território do Equador, realizado em 1º de março, gerou uma crise diplomática entre os dois países.

Equador e Colômbia romperam relações após acusações mútuas de favorecimento ao terrorismo.

Na segunda-feira (3), líderes e governantes de todo o mundo se manifestaram sobre a crise. A Venezuela ordenou a "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia e do corpo diplomático da embaixada colombiana em Caracas.

Na sexta-feira (7), o presidente equatoriano, Rafael Correa, aceitou as desculpas de seu colega colombiano, Álvaro Uribe, e com um aperto de mãos deram por encerrado o conflito diplomático que envolveu também os presidentes da Venezuela e da Nicarágua. A paz foi selada na Cúpula do Grupo do Rio, em Santo Domingo, capital da República Dominicana.

Cúpula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta que não se pode descartar a possibilidade de haver tensão nos debates entre os chefes de Estado que participam nesta sexta da 5ª Cúpula América Latina, Caribe e União Européia.

A cúpula reúne nesta sexta-feira presidentes que têm feito declarações polêmicas em relação a outros líderes, como o boliviano Evo Morales, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e os presidentes da Colômbia, Alvaro Uribe, e do Equador, Rafael Correa.

A íntegra da reportagem está na Folha desta sexta, que já está nas bancas.

Com Efe

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