Mundo
16/05/2008 - 07h49

Hillary defende Obama de "ataque político" do presidente Bush

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Colaboração para a Folha Online

Diversos líderes democratas se reuniram à pré-candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton nesta quinta-feira para apoiar o seu rival democrata, Barack Obama, que afirmou que a Casa Branca o tinha acusado injustamente de querer conciliar com ditadores.

O presidente George W. Bush falou em discurso diante do Parlamento israelense --Knesset-- que "alguns parecem acreditar que devemos negociar com os terroristas e radicais, como se um argumento ingênuo os persuadirá que eles estão errados o tempo inteiro". O comentário de Bush pareceu uma crítica indireta à política externa defendida por Obama que propõe diálogo aberto com os líderes de países tidos como inimigos históricos dos EUA, como Cuba e Irã.

Leia a íntegra do discurso de Bush

As palavras de Bush inspiraram uma rara manifestação de solidariedade de Hillary, que saiu em defesa do senador durante um comício em Dakota do Sul.

"Tenho diferenças com o senador Obama em alguns aspectos de política externa, mas acho que estamos unidos em nossa oposição às políticas de Bush e à continuação dessas políticas por parte do senador John McCain [provável candidato republicano à Casa Branca]", declarou Hillary, que no passado havia criticado Obama por propor o diálogo com o Irã.

A ex-primeira-dama afirmou que a declaração de Bush está mal posicionada em um discurso presidencial. Bush discursou diante do Knesset em uma sessão especial organizada pela celebração dos 60 anos da fundação de Israel.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, também se manifestou dizendo disse que as afirmações de Bush estão "abaixo da dignidade do gabinete do presidente".

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, lembrou que o governo Bush demonstrou que acredita que as "negociações, no momento certo, em condições específicas e com os líderes adequados, podem demonstrar força e produzir resultados ao mesmo tempo", como ocorreu nos casos de Coréia do Norte e Líbia.

"Peço ao presidente que explique a divergência entre os atos de seu governo e suas palavras de hoje", solicitou Reid.

Já o presidente do Comitê de Assuntos Exteriores do Senado e ex-candidato presidencial democrata Joe Biden afirmou que "chamar de conciliadores aqueles que vêem a necessidade de uma mudança é verdadeiramente ilusório e fazer isso no exterior é uma verdadeira vergonha".

Ilusão

Em seu discurso perante o Knesset, Bush insistiu que as sugestões de diálogo com os inimigos são uma "falsa ilusão" que outros tiveram antes. "Quando os tanques nazistas cruzavam a Polônia em 1939, um senador americano declarou: ''Meu Deus, se pudesse ter falado com Hitler tudo isto poderia ter sido evitado'", apontou.

O presidente americano insistiu que a história tem "desacreditado reiteradamente" esse tipo de atitude conciliadora.

Horas após o discurso Obama afirmou que "é triste que o presidente Bush usasse um discurso perante o Knesset por ocasião do 60º aniversário da independência de Israel para lançar um ataque político falso".

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, negou de Israel que Bush se referisse a Obama. Ela declarou que esses comentários foram feitos de uma forma geral contra quem sugere dialogar com os inimigos --como fez, entre outros, o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter-- e não contra Obama em particular.

"Muitos sugeriram este tipo de negociações com pessoas com as quais o presidente Bush não acredita que deveríamos falar", afirmou Dana. "Entendo que quando alguém concorre à Presidência pensa que o mundo gira ao seu redor, mas isso nem sempre é certo e não o é neste caso", acrescentou.

O candidato presidencial republicano, John McCain, criticou insistentemente Obama por dizer que se reuniria com o governante cubano Raúl Castro sem impor condições. McCain declarou que só falará com Cuba depois que o governo realizar eleições livres.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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