Mundo
16/05/2008 - 08h30

Mortos na China ultrapassam 21,5 mil; novos tremores atingem região

da Folha Online

O número de vítimas do terremoto que atingiu a China nesta semana subiu para mais de 21,5 mil, enquanto outras 14 mil pessoas continuam soterradas, informou nesta sexta-feira o governo da Província de Sichuan, citado pela agência de notícias estatal Xinhua. Ontem (15), a China estimou que o número de mortos vítimas do terremoto pode superar os 50 mil.

O vice-governador Li Chengyun afirmou em uma entrevista coletiva que 159 mil pessoas ficaram feridas no terremoto de 7,9 graus na escala Richter da última segunda-feira (12). Ainda segundo o vice-governador, 4,8 milhões de pessoas foram realocadas.

Arte Folha Online

Além do número de mortos continuar aumentando, as réplicas do terremoto desta semana também atingem a região no sudoeste da China. Nesta sexta-feira, vários veículos ficaram soterrados após os deslizamentos de terra causados por uma réplica que atingiu a zona do epicentro do terremoto da segunda-feira passada na província de Sichuan (sudoeste).

A réplica ocorreu no distrito de Lixian, cerca de 50 quilômetros a oeste do local onde foi localizado o epicentro do tremor da segunda-feira, no distrito de Weichuan, e por enquanto não foram reportadas vítimas, informou a Xinhua.

O canal de televisão CFTV acrescentou que esta réplica, que foi registrada às 13h25 (2h25 em Brasília), ocasionou um novo corte nas comunicações da zona afetada, que tinham sido restabelecidas poucas horas antes.

Logo após o novo tremor, que durou aproximadamente dez segundos, os trabalhos de resgate foram retomados. Segundo medições feitas pelos Estados Unidos, o tremor desta sexta-feira atingiu 5,5 graus na escala Richter. Já a Xinhua informa que a intensidade foi de 5,9 graus.

Esforços

O presidente chinês, Hu Jintao, pediu nesta sexta-feira às equipes de resgate que "redobrem os esforços" para resgatar as vítimas do terremoto que atingiu o sudoeste da China, afirmando que chegou a "fase mais crucial", quatro dias após tremor.

"As operações de socorro entraram na fase mais crucial", disse o chefe de Estado ao chegar na manhã desta sexta a Mianyang, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto.

"Devemos fazer todos os esforços, lutar contra o relógio e superar todas as dificuldades para garantir a vitória final das operações de socorro", afirmou Hu Jintao.

Horas antes, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que "salvar vidas é a prioridade absoluta", ao incentivar o trabalho dos socorristas.

Wen Jiabao prometeu que todos vão trabalhar "enquanto houver esperança de sobrevivência". "Vamos empregar todas as nossas forças para salvar vidas, custe o que custar. A vida é o bem mais precioso".

Segundo agências de notícias locais, Wen determinou às autoridades que dêem atenção especial à prevenção de epidemias e à entrega de alimentos e gêneros de primeira necessidade.

O governo ordenou nesta sexta uma investigação sobre as razões dos muitos desabamentos em escolas durante o terremoto, e ameaçou punir eventuais responsáveis.

"Se forem apurados problemas ligados à construção de prédios escolares, trataremos os responsáveis sem qualquer tolerância", disse um responsável do Ministério da Educação, Han Jin.

Destruição

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou ontem que o terremoto de segunda-feira foi o mais destrutivo no país desde a fundação da República Popular da China (1949).

"Os mortos chegam a 50 mil", informou ontem a televisão estatal, citando as últimas cifras publicadas pelo Centro Nacional de Resgate. Foi a primeira vez que o governo chinês fez uma estimativa do número de mortos, e inclui boa parte das dezenas de milhares de pessoas sepultadas sob os escombros, o que constitui uma indicação das poucas expectativas de encontrá-las com vida.

O terremoto devastou a região montanhosa da Província de Sichuan e arrasou várias cidades. Comparado a terremotos anteriores na China, é o mais devastador sofrido desde o de Tangshan, perto de Pequim, em 1976, que causou aproximadamente 240 mil mortos.

Com Xinhua, Efe e France Presse

 

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