Mundo
16/05/2008 - 08h55

Contra pedido de Hillary, partido deve dividir igualmente votos de Michigan e Flórida

Colaboração para a Folha Online

O Partido Democrata mostra pouco interesse em atender os insistentes pedidos da pré-candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton para que os delegados de Michigan e Flórida sejam contabilizados para ela.

Os delegados dos dois Estados, que tiveram suas primárias anuladas após adiantarem sua votação, são cruciais na estratégia de Hillary para reverter um cenário de vitória certa de seu rival, Barack Obama.

Diante dos insistentes pedidos de Hillary e dos partidos estaduais de Michigan e Flórida, o Partido Democrata estabeleceu uma reunião no dia 31 do comitê democrata de regras, um painel de 30 membros que decidirá definitivamente o que fazer com os 366 delegados dos Estados.

A democrata Alice Germond, secretária do Comitê Democrata Nacional e uma das integrantes desta reunião afirmou que o partido "quer ser justo com ambos os candidatos e com os outros 48 Estados que obedeceram as regras democratas para as primárias".

"Nós não queremos o caos absoluto em 2012. Nós queremos ajudar Michigan e Flórida a colocar alguns delegados no convenção nacional, pelo menos a maioria de nós quer. Estes são dois Estados críticos para as [eleições] gerais e os eleitores destes Estados que não foram os responsáveis por este erro merecem nossa atenção e merecem fazer parte do nosso processo e estar na convenção", afirmou Alice, para a agência de notícias internacional Associated Press, que entrevistou um terço do painel que participará das negociações no dia 31.

O consenso entre os democratas é de que os Estados precisam ser punidos de alguma forma por não obedecerem a legislação para que outros Estados não façam o mesmo na próxima eleição democrata, em 2012.

Michigan e Flórida realizaram suas primárias em 15 e 29 janeiro respectivamente, contra pedidos do Partido Democrata que estabelecia o começo do calendário de votação em 5 de fevereiro. Como punição, os dois Estados perderam sua delegação na convenção democrata nacional, na qual o candidato é oficializado.

Na época, Obama e outros pré-candidatos se recusaram a fazer campanha nos Estados como sinal de respeito à determinação do partido. Em Michigan, o nome de Obama não estava na cédula de votação. Sem muita concorrência, Hillary ganhou na Flórida com 50% dos delegados contra 33% de Obama e em Michigan com 55%, onde 40% dos eleitores votaram como indecisos.

Além de garantir um número maior de delegados para seu lado, Hillary quer que os delegados sejam colocados de novo na disputa pela nomeação para que o número mínimo de delegados para garantir a candidatura suba de 2.025 para 2.209, o que afastaria Obama de uma vitória antecipada.

Por enquanto, Obama conta com 1.899 delegados contra 1.719 de Hillary, segundo dados da CNN. Com apenas mais cinco pequenas primárias para serem realizadas, há 189 delegados em jogo.

União

Embora os democratas pareçam pouco animados em ajudar Hillary a prolongar ainda mais a disputa pela nomeação, há um consenso de que pelo menos uma parte dos delegados deve ser restituída às delegações em um gesto de união do partido e respeito aos milhões de eleitores que votaram nas primárias e que devem ir às urnas nas eleições de 4 de novembro.

Mesmo assim, após 15 meses de intensa campanha, os laços dos líderes democratas com um ou outro candidato devem influenciar o resultado do comitê. Muitos deles são políticos democratas com fortes laços com Bill Clinton, ex-presidente dos EUA e marido de Hillary.

Dentre os membros do painel, 13 apóiam publicamente a ex-primeira-dama enquanto oito endossam Obama e nove não escolheram um candidato ainda.

"Nós temos que ter delegados, e eles têm que estar em delegações que refletem a opinião destes Estados", afirma o ex-diretor do comitê democrata, Don Fowler, que apóia Hillary.

Já os apoiadores de Obama defendem que a solução mais justa, já que o candidato não fez campanha nos Estados, seria ignorar a votação e dividir igualmente os delegados entre os dois pré-candidatos.

"Tem que ser um processo justo para ambos os candidatos", disse Yvonne Gates, que endossa Obama. "Minha posição é que uma divisão 50%-50% é justo. Não pode ser uma situação onde você dá a um candidato mais votos que o outro. Na minha opinião não foi uma eleição se eles [os candidatos] não tiveram a chance de ir até lá e falar com a comunidade", acrescentou.

Há especulações que Obama, diante de uma liderança já consolidada e com uma vitória muito próxima, seja condescendente com Hillary e permita que ela fique com a maioria dos delegados, como um gesto de união do partido. Assim, além de satisfazer a rival que logo pode se tornar uma de suas defensoras na campanha presidencial, Obama pode ganhar um apelo positivo nos dois Estados para as eleições gerais.

Por enquanto, a campanha de Obama não falou sobre o assunto publicamente. Já a campanha de Hillary insiste na validação dos votos, mesmo que seja 50% para cada. Em uma entrevista para a rede de televisão NBC, o seu assessor Terry McAuliffe afirmou que "certamente aceitaria" um compromisso de dividir igualmente os delegados.

Com Associated Press

Comentários dos leitores
Roberto Souza (91) 09/07/2008 10h20
Roberto Souza (91) 09/07/2008 10h20
CURITIBA / PR
"Há certa estranheza pelo fato de que se queira fazer um ato de campanha das eleições nos Estados Unidos na Alemanha. A nenhum candidato à chefia de governo alemã ocorreria fazer algo parecido em Washington ou na Praça Vermelha de Moscou" disse hoje o vice-porta-voz do governo alemão, Thomas Steg. " Hussein anda com o desconfiômetro desligado.. Que fique claro; os governantes mundiais querem McCain no comando da superpotência global. sem opinião
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SAO PAULO / SP
Será que a alta astronômica do preço do petróleo não é vingança dos EUA contra o fato de, desde 1945, não terem ganhado mais nenhuma guerra (o Kwait não conta, porque Sadam fugiu)? Essas guerras no Iraque e no Afeganistão estão com a cara do Vietnã e vai ser um vexame fugir com o rabo entre as pernas desses dois lugares. Mas não vai haver outra solução, porque a causa de crise econômica mundial é a queda do dólar, diante dos déficts impagáveis que o belicismo norte-americano está criando. O mundo todo paga essas guerras impossíveis. Cada bala que um soldado norte-americano dispara é paga pelo mundo todo: os déficts crescem, o dólar cai, o petróleo aumenta, todos pagamos. A inação da ONU torna esse órgão cada vez mais inútil. Só depois que todos os participantes da suposta "coalisão" se afastarem começará a reação dos poderosos contra as guerras. Não tem jeito. Os norte-americanos destruíram dois países, Iraque e Afeganistão, ameaçam destruir a economia mundial e tudo isto sem a mínima oissibilidade de vitória bélica. A Sétima Cavalaria não vai sair do celulóide dos filmes para salvar a cara de uma campanha destinada ao fracasso. 1 opinião
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Roberto Souza (91) 09/07/2008 08h24
Roberto Souza (91) 09/07/2008 08h24
CURITIBA / PR
Não resta mais espaço para ingênuidades e tolices. Hussein é um centrista em um país de centro direita, e não mudará NADA. Os EUA não são bipartidários por acaso, e não haverá nada de esquerdóides "liberalistas" maculando a história da superpotência. A "novidade" Democrata é mais a favor da construção do muro com o México do que os Republicanos! Sem falar no intervencionismo na Amazônia, e outras opiniões que fazem desse cara um grande desfigurado político. É por essas e outras que, ganhando McCain ou Hussein, os EUA permanecerão na sua linha central de mais de 2 séculos. Ninguém deve esperar outra coisa. 7 opiniões
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