Número de mortos após ciclone em Mianmar passa de 77 mil, diz TV
da Folha Online
A rede de televisão estatal de Mianmar informou nesta sexta-feira que o número oficial de mortos após a passagem do ciclone Nargis, que atingiu o país no começo deste mês, aumentou para 77.738. O balanço divulgado hoje é quase o dobro do número divulgado ontem (15) pela Junta Militar, de aproximadamente 43,3 mil mortos.
| Arte Folha Online |
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O número oficial de pessoas desaparecidas após o ciclone também aumentou, passando de um total de 27.838 anunciado nos últimos dias, para 55.917 nesta sexta-feira.
A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estimou na última quarta-feira que o total de mortos no país pode ser de até 128 mil. A ONU (Organização das Nações Unidas) disse que mais de 100 mil podem ter morrido.
A ONU e a Cruz Vermelha dizem que entre 1,6 milhão e 2,5 milhões de pessoas estão em precisando urgentemente de comida, água e abrigo. O ciclone Nargis atingiu o país no primeiro fim de semana deste mês, com ventos que atingiram até 190 km/hora.
Chuva
Também nesta sexta-feira, a região devastada pelo ciclone Nargis sofreu com novas chuvas torrenciais que dificultam ainda mais as tarefas de resgate dos milhares de desabrigados.
Espera-se que as chuvas voltem a inundar o delta do rio Irrawaddy, a região mais devastada pelo ciclone e que permanece com vastas áreas isoladas desde a passagem do Nargis.
A ONU advertiu há dois dias para a possibilidade de que outro ciclone tropical se forme no norte do mar de Andaman que entraria a partir no sul de Mianmar, mas não forneceu mais detalhes. A Organização Meteorológica Mundial prevê fortes chuvas até o fim de semana na região.
Ajuda
A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho fez hoje um apelo para obter 32,7 milhões de euros (R$ 83,9 milhões) destinados a ajudar nos próximos três anos os milhares de desabrigados pelo ciclone.
"O ciclone foi um desastre monumental e, agora, enfrentamos uma catástrofe humana de proporções apavorantes", disse hoje em entrevista coletiva o secretário-geral da Federação Internacional, Markku Niskala.
Em 6 de maio, a entidade fez um pedido preliminar e de emergência no valor de 3,86 milhões de euros (R$ 9,91 milhões).
| Efe |
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| Birmaneses passam por árvore arrancada pela passagem do ciclone em Mianmar |
O diretor do departamento de Programas e Coordenação da Federação Internacional, Thomas Gurtner, disse que o apelo se baseia em dados atuais e ressaltou que tanto as vítimas quanto a duração da ajuda podem variar.
Segundo as estimativas da instituição, há ao menos 2 milhões de afetados, a maioria dos quais não conta com refúgio, nem acesso a alimentos nem água potável. Até o momento, a instituição pôde atender a 100 mil pessoas, principalmente no que se refere a alojamento e distribuição de água potável.
Segundo os cálculos da ONU, reafirmados pelos especialistas da Cruz Vermelha, até o momento só entre 15% e 20% dos desabrigados puderam obter ajuda.
Por enquanto, foram distribuídas 180 toneladas de mantimentos e se espera que em breve este número chegue a 240 toneladas. O mais importante, segundo os responsáveis da Cruz Vermelha, é garantir o acesso à água potável, aos alimentos e ao refúgio dos desabrigados.
Em relação às chuvas que caem de novo na região, a Cruz Vermelha se mostrou prudente, mas reconhece que a situação pode piorar.
Os responsáveis da Cruz Vermelha destacaram a necessidade de aprender com o desastre, e tentar que os birmaneses possam conhecer e imitar o sistema de alarme e de refúgios de emergência como os que conta Bangladesh, que contribuíram para reduzir consideravelmente o número de vítimas em fatos similares.
Com Associated Press e Efe
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