Mundo
16/05/2008 - 16h12

Análise: Casamento gay ameaça se tornar uma perigosa arma eleitoral nos EUA

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TERESA BOUZA
da Efe, em Washington

A decisão do Supremo Tribunal da Califórnia em aprovar o matrimônio entre homossexuais reabriu um debate sensível nos EUA que pode ter um grande impacto nas eleições presidenciais deste ano, como ocorreu em 2004. De fato, uma decisão similar em Massachussets, em 2003, permitiu aos republicanos uma mobilização de bases, principalmente em Ohio, um Estado-chave.

A união entre casais do mesmo sexo foi um dos principais temas na campanha de 2004 e um grande número de estrategistas democratas atribuiu a derrota de John Kerry ao voto massivo da direita religiosa nos republicanos, em razão da polêmica gay.

Não está claro, no entanto, que tipo de repercussão terá a decisão do tribunal californiano nas eleições deste ano, ainda que os especialistas afirmem que há diferenças importantes entre essas eleições e o pleito de 2004.

A diferença mais notável é a deterioração da situação econômica, o que tem feito que as preocupações dos eleitores se concentrem em tudo o que afeta seus bolsos. E isso se soma à Guerra do Iraque, outro dos temas que atrai a atenção dos eleitores norte-americanos.

Além disso, as últimas pesquisas realizadas sobre o tema indicam que a recusa ao casamento gay tem diminuído, apesar de a medida ainda ser impopular.

Seja como for, ninguém questiona que o assunto é controverso. Como exemplo disso estão os esforços de grupos conservadores californianos que querem organizar em novembro uma iniciativa para mudar a constituição do Estado e declarar inconstitucional o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

E, se for aprovada uma mudança da Carta Magna, todas as decisões judiciais anteriores serão anuladas.

Com esse panorama como pano de fundo, os especialistas apontam que o lógico é que o debate unifique os eleitores conservadores em assuntos sociais. Mas Richard Parker, professor da Universidade de Harvard, afirmou que, ao contrário do que possa parecer, não está claro que um cenário desse tipo beneficie automaticamente o candidato republicano John McCain.

"McCain necessita atrair os eleitores moderados e independentes, esses grupos não se opõem necessariamente às uniões entre casais do mesmo sexo", afirmou Parker.

A complicação não acaba aí: McCain afirmou abertamente que se opõe a uma emenda constitucional federal para proibir o matrimônio gay, o que o coloca em uma posição delicada com a ala mais conservadora do partido.

Suas opiniões sobre isso não tem sido tema para grandes debates, mas podem passar a ser a partir de agora se o assunto ganhar visibilidade.

O senador Barack Obama, favorito a obter a candidatura presidencial democrata, afirma que, em sua vida pessoal, acredita que um matrimônio deve ocorrer entre um homem e uma mulher, mas apoia uma lei federal sobre uniões civis para conferir aos casais gays muitos dos direitos que possuem um casamento tradicional, ainda que não todos.

Parker alerta que a controvérsia sobre o matrimônio gay apresenta também riscos para Obama, já que, em sua opinião, os republicanos poderiam utilizá-lo para colocar os hispânicos, em sua maioria católicos, contra o senador democrata.

Segundo o jornal "Wall Street Journal", os hispânicos serão, junto com os jovens, a classe trabalhadora branca e os habitantes das zonas rurais e das pequenas cidades norte-americanas, decisivos nas eleições gerais de novembro.

Hillary Clinton, que compete cada vez mais em segundo plano pela candidatura presidencial democrata, também apóia as uniões civis homossexuais, ainda que afirme acreditar que cada Estado deveria decidir sobre o matrimônio gay em seu território.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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