Ciclone em Mianmar deixou cerca de 78 mil mortos e 56 mil desaparecidos
da Folha Online
Quase 78 mil pessoas morreram e outras 56 mil estão desaparecidas desde a passagem do ciclone Nargis, que devastou em 3 de maio o sul de Mianmar, segundo um balanço oficial publicado nesta sexta-feira.
No total, 77.738 pessoas morreram e 55.917 estão desaparecidas, o que representa um total de 133.655 pessoas, anunciou a televisão estatal.
O balanço anterior, estabelecido na quinta-feira, mencionava 43.318 mortos e 27.838 desaparecidos.
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Segundo a TV, esta disparada do número de vítimas se explica pelo fato de que não havia como confirmar oficialmente o balanço devido às péssimas condições meteorológicas nas áreas mais afetadas pelo Nargis, o delta do rio Irrawaddy e a região de Yangun.
Diplomatas ocidentais e das Nações Unidas falavam há vários dias em mais de cem mil mortos. O balanço poderia, inclusive, superar os 200 mil, segundo o secretário de Estado britânico Douglas Alexander.
O tsunami de 25 de dezembro de 2004 na Ásia, a pior catástrofe natural da história recente, deixou cerca de 220.000 vítimas.
Nesta sexta-feira, a região devastada pelo ciclone Nargis sofreu com novas chuvas torrenciais que dificultam ainda mais as tarefas de resgate dos milhares de desabrigados.
Espera-se que as chuvas voltem a inundar o delta do rio Irrawaddy, que permanece com vastas áreas isoladas desde a passagem do Nargis.
A ONU advertiu há dois dias para a possibilidade de que outro ciclone tropical se forme no norte do mar de Andaman que entraria a partir no sul de Mianmar, mas não forneceu mais detalhes. A Organização Meteorológica Mundial prevê fortes chuvas até o fim de semana na região.
Ajuda
Este novo balanço foi publicado num momento em que o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, em visita em Yangun, anunciou que mais de cem médicos de países vizinhos chegarão no sábado a Mianmar para ajudar as vítimas do ciclone.
"Terão os vistos e a permissão", disse Michel na Tailândia. "As coisas estão seguindo neste sentido".
O ciclone deixou cerca de dois milhões de desabrigados, a maioria dos quais não recebeu qualquer assistência, de acordo com a ONU.
As autoridades birmanesas vão levar de helicóptero sábado, pela primeira vez, diplomatas estrangeiros a algumas áreas do Delta do Irrawaddy.
Depois de seus encontros com dirigentes birmaneses, o comissário de Bruxelas não mencionou qualquer progresso na ajuda aos sobreviventes do ciclone.
Michel estava na antiga Birmânia para tentar persuadir o governo birmanês a parar de filtrar a ajuda estrangeira. Os pedidos de vistos para especialistas internacionais serão examinados pela junta, afirmou Michel.
Espera
Várias organizações humanitárias estão aguardando vistos para seus funcionários mas a junta se recusa a deixar que operações de assistência sejam comandadas por estrangeiros.
"As autoridades me pediram para dizer às associações humanitárias que se elas quiserem mais funcionários, precisam justificar o pedido", declarou Michel.
Na véspera, Louis Michel pediu a Mianmar "ações concretas". Ele também afirmou que "todos os estoques de arroz" do país estão destruídos.
O comissário relatou ter sido levado a "um campo bem organizado" nos arredores de Yangun.
Além disso, o país está agora sob a ameaça de epidemias, e 20% das crianças, entre os sobreviventes, estão com diarréia, segundo a ONU.
A Cruz Vermelha pediu 32,7 milhões de euros à comunidade internacional para ajudar as vítimas, advertindo que a crise humanitária vai piorar.
Com France Presse
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