Mundo
16/05/2008 - 23h26

Professor acusa McCain de hipocrisia sobre Hamas

Colaboração para a Folha Online

Apesar de sua reputação na mídia de ser um "Maverick charmoso", o republicano John McCain tem demonstrado ser favorável a usar o "estilo Nixon" de táticas de sujas de campanha, de acordo com análise de James P. Rubin, professor da Universidade Columbia publicada no diário "Washington Post" nesta sexta-feira.

Leia a íntegra do artigo no Washington Post

"Se as recentes trocas de acusações entre o presidente George W. Bush, o pré-candidato Barack Obama e o senador John McCain sobre o grupo radical islâmico Hamas e o terrorismo são uma prévia do que está por vir, pode-se esperar por seis meses 'desagradáveis' nas discussões entre democratas e republicanos até às eleições gerais em novembro".

David R. Lutman/Reuters
US Republican presidential candidate Senator John McCain (R-AZ) speaks to members of the National Rifle Association (NRA) at their annual convention in Louisville, Kentucky, May 16, 2008. REUTERS/David R. Lutman (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
O senador John McCAin fala para menbros da "National Rifle Association"

Para o professor, por sua posição recente sobre o Hamas, McCain "deveria ser o último político a atacar Obama".

Dois anos atrás, logo após o Hamas ter ganho as eleições para o Parlamento da Autoridade Nacional Palestina (ANP), o professor de relata que entrevistou McCain para o programa "World News Tonight", de um canal de TV britânico.

Na ocasião, perguntou: "você acha que os diplomatas americanos deveriam agir como no passado [negociando com a ANP], agora que o governo da ANP com o Hamas no comando?"

McCain respondeu: "eles são o governo, mais cedo ou mais tarde nós vamos ter que negociar com eles, e eu entendo que os governos têm uma antipatia tão forte pelo Hamas por seu histórico de violência (...) mas agora há uma nova realidade no Oriente Médio. Eu acho que as pessoas querem segurança e uma vida decente, que eles querem democracia. O Fatah não estava proporcionando isso".

Acusando recentemente o grupo islâmico Hamas de torcer pela vitória de Obama, o provável candidato republicano sugeriu nesta sexta-feira que Obama é fraco em questões de segurança nacional e não irá combater organizações terroristas.

Para o professor, McCain está sendo hipócrita, já que muda sua posição sobre o Hamas para atacar os democratas.

O professor Rubin se declara um apoiador de Hillary Clinton e diz acreditar que ela estava certa ao dizer "eu não acredito que alguém deveria levar isso a sério", sobre as atuais declarações de McCain a respeito do Hamas.

Bush

O presidente Bush abordou o tema na quinta-feira. Sem mencionar o nome de Obama durante discurso na noite passada ao Knesset (Parlamento) de Israel, Bush sugeriu que os democratas querem "negociar com os terroristas", enquanto os republicanos querem enfrentá-los.

Na análise publicada no "Post", a campanha de Obama acertou em criticar o presidente americano por suas declarações abordando questões políticas e partidárias domésticas fora de seu país.

"Muitos presidentes fizeram declarações no estrangeiro de caráter similar, transgredindo uma tradição da política americana. Mas é difícil lembrar de um presidente que tenha abusado o prestígio de seu cargo de forma tão explícita", diz o professor no "Post".

Para ele, acusar os oponentes de serem conciliadores no Knesset é um "erro brutal".

"Já é ruim o bastante que os republicanos usem a política da destruição pessoal em casa, mas usar essa arma política em uma celebração sendo presidente americano ao falar com o parlamento de um governo amigo é um muito pior."

"Infelizmente, os Republicanos sabem que algumas pessoas irão, e é por isso que eles falam essas coisas", conclui Rubin.

 

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