Mundo
17/05/2008 - 11h33

Mianmar dá sinal de abertura e permite entrada de médicos asiáticos

da France Presse, em Yangun

A Junta Militar de Mianmar permitiu neste sábado a entrada no país de médicos asiáticos e conduziu diplomatas ao cenário devastador deixado pelo ciclone Nargis, uma das catástrofes naturais mais devastadoras da história recente, que deixou quase 78 mil mortos.

Cerca de cem médicos e enfermeiros asiáticos que já se encontram em Mianmar, entre eles tailandeses e indianos, e os que estão para chegar, formam o maior grupo de especialistas estrangeiros que tem como objetivo auxiliar as cerca de 2 milhões de pessoas atingidas.

Arte Folha Online
mapa mianmar

Em um sinal da tímida abertura do regime, a junta levou de helicóptero, pela primeira vez, diplomatas e representantes da ONU (Organização das Nações Unidas) para áreas do delta do Irrawaddy devastadas em 3 de maio pelo Nargis.

Essa região do sudoeste de Mianmar está fechada aos jornalistas. "O que nos mostraram parecia bem, mas não nos mostraram o quadro completo", disse Chris Kaye, diretor local do Programa Mundial de Alimentos da ONU.

Ao mesmo tempo, o Mistral, barco da marinha francesa, chegou às costas de Mianmar, mas ainda não pôde entregar seu carregamento humanitário, segundo o Estado Maior do Exército francês.

Barco de guerra

O embaixador da França na ONU, Jean-Maurice Ripert, disse na sexta-feira (16) que protestou quando o representante de Mianmar criticou Paris por ter enviado um "barco de guerra".

Ripert pediu também uma ação mais enérgica das Nações Unidas para convencer Mianmar de que deixe entrar maciçamente ajuda internacional.

"Disse que o que está ocorrendo é inaceitável, a ajuda não chega e agora as pessoas estão morrendo não só por causa do ciclone, e sim pela rejeição da junta de autorizar auxílio internacional", acrescentou. "Milhares de vidas se perderam, centenas de milhares ainda poderão ser perdidas", advertiu o diplomata francês.

Com 77.738 mortos e 55.917 desaparecidos, em um total de 57 milhões de habitantes, a comunidade internacional teme uma "segunda catástrofe", e tenta, através da mediação dos asiáticos, suavizar a posição do regime.

"Toda a pressão deve ser aplicada, todos os meios diplomáticos devem ser usados para fazê-los entender que devem facilitar nossa ajuda", disse na sexta-feira o comissário europeu para Desenvolvimento, Louis Michel, ao voltar de Yangun.

Ajuda

A ajuda americana pôde ser entregue na sexta diretamente, pela primeira vez, às ONGs estrangeiras de Mianmar, indicou o Departamento de Estado.

Quatro novos aviões pousaram ontem em Yangun, anunciou o porta-voz Sean McCormack e espera-se mais para o fim de semana. "Vemos realmente uma mudança, pelo menos no dia de hoje (sábado)", disse o porta-voz.

Em relação a ONU, o responsável por Assuntos Humanitários, John Holmes, é esperado em Mianmar no domingo.

As Nações Unidas esperam o resultado de uma reunião ministerial na segunda-feira em Cingapura dos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual Mianmar é membro.

Nesse encontro, será decidido o locar e os participantes de uma "conferência para arrecadar fundos", que poderia ser realizada em Bangcoc em 24 de maio.

 

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