Mortos passam de 34 mil; China faz silêncio por vítimas de terremoto
da Folha Online
O número total de mortos vítimas do terremoto que devastou o sudoeste da China na semana passada aumentou para mais de 34 mil, enquanto o número de pessoas feridas chegou a mais de 245 mil, informou a agência de notícias Xinhua nesta segunda-feira, citando a central de emergência do Conselho de Estado.
| Arte Folha Online |
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De acordo com o último balanço oficial, o total de mortos é de 34.073 e o total de pessoas feridas, de 245.108. Ontem (17), os números oficiais divulgados foram de 32.477 pessoas mortas e 198.347 feridas.
O Ministério da Saúde ainda informou que 52.934 pessoas foram hospitalizadas. Destas, 7.979 se recuperaram, mas outras 3.304 morreram no hospital.
Por todo o país, milhares de chineses respeitaram três minutos de silêncio iniciados às 14h28 (3h28 deste domingo em Brasília) --mesmo horário do tremor que devastou o sudoeste chinês no último dia 12-- para homenagear as vítimas do terremoto. O horário deu início aos três dias de luto nacional decretados ontem (18).
| Robert F. Bukaty/AP |
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| Taxista chinês chora durante os três minutos de silêncio pelas vítimas do terremoto |
No mesmo horário, sirenes soaram em todo país, o tráfego parou, trabalhadores de lojas e restaurantes saíram às ruas, inclinando as cabeças em sinal de respeito.
Em Pequim, milhares de pessoas, muitas vestidas de negro, se reuniram na praça Tiananmen (praça da Paz Celestial) com bandeiras e gritando frases de apoio às vítimas. As atividades da Bolsa também foram interrompidas, assim como os cassinos de Macau.
O presidente chinês, Hu Jintao, o primeiro-ministro Wen Jiabao, e outros líderes do governo também permaneceram em silêncio no complexo governamental de Zhongnanhai, em Pequim. Os líderes, vestindo roupas escuras e usando flores de papel brancas no peito, homenagearam as vítimas inclinando as cabeças voltados à bandeira chinesa erguida a meio mastro.
| Paul Zhang/Reuters |
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| Bandeira chinesa é hasteada a meio mastro; China inicia três dias de luto |
Na cidade de Dijiangyan, devastada pelo tremor, 60 familiares de crianças que morreram na tragédia acenderam velas e incensos diante das ruínas de uma das várias escolas destruídas. Uma mulher que perdeu as duas filhas, Qiqi e Jiajia, chorava diante dos escombros do colégio. "Isto é insuportável", disse.
O luto oficial teve início no momento em que os esforços de resgate são dificultados pelos tremores secundários e os deslizamentos de terra. Até a viagem da tocha olímpica foi suspensa durante três dias, em sinal de respeito.
Durante 72 horas a televisão não exibirá programas de entretenimento e, em Xangai, as autoridades ordenaram o fechamento de cinemas, karaokês e outros estabelecimentos.
Os jornais e sites de todo o país não têm cores nesta segunda-feira. Os quatro ideogramas da manchete do "Diário do Povo", órgão do Partido Comunista Chinês, normalmente em vermelho, foram impressos em preto, como toda a primeira página, com apenas uma foto colorida do presidente chinês, Hu Jintao, consolando um menino aos prantos.
A primeira página do "Beijing Times" também era em preto e branco, com a foto de uma vela e as palavras "Dia de luto", ao lado do número de mortos.
Catástrofe
| Vincent Du/Reuters |
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| Menina chora durante homenagem às vítimas do tremor |
O Ministério chinês dos Transportes informou que mais de 200 socorristas foram soterrados nos últimos três dias por deslizamentos de terra quando trabalhavam para reparar as estradas destruídas.
A catástrofe despertou uma onda de emoção no país de mais de 1,3 bilhão de habitantes. Milhares se ofereceram como voluntários para as tarefas de socorro ou para cuidar das crianças que ficaram órfãs.
Determinar o número de órfãos é impossível no momento, de acordo com Li Yahui, do programa chinês da ONG britânica Save The Children. Porém, o temor é que o número seja extremamente elevado.
"Vi muitas crianças órfãs em um estádio e é evidente que muitas delas perderam os pais. A situação é muito delicada, todas as crianças terão traumas psicológicos", disse.
Vida
As equipes de resgate conseguiram retirar com vida dos escombros duas pessoas que permaneceram 164 horas soterradas. Porém, a esperança de encontrar mais sobreviventes é cada vez menor.
"Levando em consideração a ajuda necessária pelo desastre, a Cruz Vermelha da China será autorizada a aceitar a entrada no país de equipes médicas estrangeiras para ajudar nos atendimentos médicos", informou o governo de Pequim.
A China também pediu a doação internacional de barracas para os milhões de sobreviventes que ficaram sem casa.
Com Xinhua e France Presse
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