Mundo
19/05/2008 - 09h29

Ataques contra estrangeiros deixam 22 mortos na África do Sul

da Associated Press, na África do Sul
da Folha Online

A polícia atirou balas de borracha e prendeu mais de 200 pessoas nesta segunda-feira na tentativa de conter manifestações violentas contra estrangeiros na cidade de Johannesburgo e arredores. Segundo a polícia, 22 pessoas morreram desde o início dos ataques, na sexta-feira passada.

Estrangeiros --muitos dos quais fugidos do colapso econômico e da violência política do Zimbábue-- estavam sendo expulsos de suas moradias em prédios abandonados. Grupos de homens com pedras e paus fizeram patrulha ao longo da estrada perto de uma das áreas ocupadas pelos estrangeiros, aparentemente uma vigília contra qualquer tentativa dos estrangeiros de retornar às suas moradias.

Kim Ludbrook/Efe
Texto: XKL10 JOHANNESBURGO (SUDAFRICA) 19.05.08.: Un hombre reta a las fuerzas policiales durante los enfrentamientos de carÆcter xenúfobo ocurridos en un barrio marginal de Johannesburgo, SudÆfrica, el lunes 19 de mayo. Los enfrentamientos de hoy causaron dos muertos, lo que eleva a una veintena las vóctimas mortales desde que comenzaron la semana pasada los ataques contra extranjeros que habitan en asentamientos de chabolas protagonizados por sus vecinos sudafricanos. EFE/Kim Ludbrook
Sul-africano foge da polícia durante confronto em bairoo de Johannesburgo

Os sul-africanos enfrentam altas taxas de desempregos e uma inflação que aumenta o preço dos alimentos. Aparentemente, eles estão atacando os estrangeiros por entender que eles são os culpados pela falta de postos de trabalho.

O porta-voz da polícia, Govindsamy Mariemuthoo, disse que desde que a violência começou na semana passada, 22 pessoas foram mortas pelos grupos xenófobos e mais de 200 pessoas foram presas sobre acusações de assassinato, estupro e roubo.

"Nós não estamos falando de xenofobia, nós estamos falando de criminalidade", disse Mariemuthoo.

Segundo o porta-voz, reservistas da polícia e membros de outras regiões foram chamados para ajudar a conter os ataques.

A Cruz Vermelha da África do Sul e outros grupos de auxílio fazem campanha para arrecadar fundos para as centenas de pessoas desabrigadas após os violentos ataques. Os estrangeiros fugiram para as delegacias de polícia, igrejas e centros comunitários.

Sul-africanos chocados com a violência foram até os abrigos improvisados para doar comida, roupas e cobertores.

Problemas sociais

A onda de violência começou há cerca de uma semana no distrito de Alexandra. Imigrantes vindos de países vizinhos foram cercados por homens levando armas e barras de ferro e gritando "expulsem os estrangeiros".

Pessoas do Zimbábue, Moçambique e Maláui fugiram para bairros próximos. Casas foram queimadas e lojas, saqueadas, e a violência se espalhou para outras áreas da cidade.

Desde o fim do Apartheid, o sistema de segregação racial que vigorava na África do Sul, milhões de imigrantes se dirigiram ao país em busca de trabalho e proteção.

O presidente Thabo Mbeki disse que vai organizar um painel de especialistas para investigar as causas da violência, enquanto o líder do partido governista, Jacob Zuma, condenou os ataques. "Não podemos permitir que a África do Sul fique conhecida por xenofobia", disse ele.

 

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