Mundo
19/05/2008 - 12h28

Doações à China somam US$ 1,55 bilhão; país está em período de luto

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Colaboração para a Folha Online

China recebeu um total de US$ 1,55 bilhão (R$ 2,55 bilhões) em doações em dinheiro e materiais de colaboradores nacionais, vários países e organizações internacionais, anunciou nesta segunda-feira o Ministério de Assuntos Civis, citado pela agência oficial Xinhua.

Este valor representa um aumento de US$ 100 milhões (R$ 166 milhões) em apenas um dia. Ainda segundo o Ministério, cerca de 80% das doações foram feitas em dinheiro, totalizando R$ 2,1 bilhões.

Arte Folha Online

Governos locais, companhias nacionais e instituições sociais doaram R$ 1,6 bilhões para as áreas afetadas.

A Cruz Vermelha da China anunciou ter recebido R$ 648 milhões em materiais de primeira necessidade de doadores chineses e estrangeiros.

A última contribuição conhecida é a do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que doou US$ 430 mil (R$ 708.600) em material de ajuda que chegou nesta segunda-feira à província de Sichuan, área mais atingida pelo terremoto de 7,8 graus na escala Richter.

Segundo os diversos departamentos do Ministério de Assuntos Civis, as tendas de campanha enviadas à região devastada passam de 250 mil, o número de cobertores ultrapassa 723.500 e as roupas se aproximam dos dois milhões.

Após permitir que equipes de resgate de Japão, Cingapura, Coréia do Sul e Rússia participem dos trabalhos de busca das pessoas que ainda permanecem sepultadas sob os escombros, Pequim anunciou nesta segunda-feira que as equipes médicas estrangeiras irão para a China para se juntarem aos trabalhos de atendimento aos feridos.

Luto

Oliver Weiken/Efe
Texto: BEJ005 PEK N (CHINA) 19/5/2008.- Un hombre sostiene un periúdico con fotos de los daæos del terremoto de Sichuan mientras permanece en silencio en recuerdo de las vóctimas del sismo en la Plaza de Tiananmen de Pekón, hoy, lunes 19 de mayo. China empezú hoy un peróodo de tres dóas de luto para manifestar su pesar por los mÆs de las 33 mil muertos y los 200 mil heridos en el terremoto de 7,9 grados en la escala de Richter que se registrú el pasado 12 de mayo en la provincia china de Sichuan.EFE/OLIVER WEIKEN
Homem segura jornal local com dados sobre o terremoto que atingiu a China no dia 3

Por todo o país, milhares de chineses respeitaram três minutos de silêncio iniciados às 2h28 (15h28 deste domingo em Brasília) --mesmo horário do tremor que devastou o sudoeste chinês no último dia 12-- para homenagear as vítimas do terremoto. O horário deu início aos três dias de luto nacional decretados ontem (18).

As autoridades chinesas ordenaram também a suspensão de todas as exibições de filmes no país durante o luto. A ordem é válida para todos os cinemas, canais de filmes e associações de exibição de produções. As informações foram divulgadas pela Administração E estadual de Rádio, Filmes e Televisão da China, em um comunicado.

A ordem estipula também que os canais de filmes exibam programas sobre o desastre, incluindo novas reportagens, transmissões ao vivo e propagandas de arrecadação de fundos para os desabrigados.

Ainda segundo o comunicado, os produtores de filmes não podem realizar nenhum tipo de evento de promoção de suas peças.

O número total de mortos vítimas do terremoto que devastou o sudoeste da China na semana passada aumentou para mais de 34 mil, enquanto o número de pessoas feridas chegou a mais de 245 mil, informou a agência de notícias Xinhua nesta segunda-feira, citando a central de emergência do Conselho de Estado.

Paralisação

No mesmo horário, sirenes soaram em todo país, o tráfego parou, trabalhadores de lojas e restaurantes saíram às ruas, inclinando as cabeças em sinal de respeito.

Em Pequim, milhares de pessoas, muitas vestidas de negro, se reuniram na praça Tiananmen (praça da Paz Celestial) com bandeiras e gritando frases de apoio às vítimas. As atividades da Bolsa também foram interrompidas, assim como os cassinos de Macau.

O presidente chinês, Hu Jintao, o primeiro-ministro Wen Jiabao, e outros líderes do governo também permaneceram em silêncio no complexo governamental de Zhongnanhai, em Pequim. Os líderes, vestindo roupas escuras e usando flores de papel brancas no peito, homenagearam as vítimas inclinando as cabeças voltados à bandeira chinesa erguida a meio mastro.

Na cidade de Dijiangyan, devastada pelo tremor, 60 familiares de crianças que morreram na tragédia acenderam velas e incensos diante das ruínas de uma das várias escolas destruídas. Uma mulher que perdeu as duas filhas, Qiqi e Jiajia, chorava diante dos escombros do colégio. "Isto é insuportável", disse.

O luto oficial teve início no momento em que os esforços de resgate são dificultados pelos tremores secundários e os deslizamentos de terra. Até a viagem da tocha olímpica foi suspensa durante três dias, em sinal de respeito.

Durante 72 horas a televisão não exibirá programas de entretenimento e, em Xangai, as autoridades ordenaram o fechamento de cinemas, karaokês e outros estabelecimentos.

Os jornais e sites de todo o país não têm cores nesta segunda-feira. Os quatro ideogramas da manchete do 'Diário do Povo', órgão do Partido Comunista Chinês, normalmente em vermelho, foram impressos em preto, como toda a primeira página, com apenas uma foto colorida do presidente chinês, Hu Jintao, consolando um menino aos prantos.

A primeira página do "Beijing Times" também era em preto e branco, com a foto de uma vela e as palavras "Dia de luto", ao lado do número de mortos.

Com agências internacionais

 

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