Mundo
21/05/2008 - 22h43

China diz que irá investigar construtoras por desabamentos

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da Folha Online

A China disse nesta quarta-feira que irá agir com firmeza com qualquer pessoa considerada responsável por construções frágeis, enquanto milhares de pais querem saber a razão de o terremoto da semana passada ter destruído mais de 4.500 escolas, matando milhares de crianças.

Nove dias após o terremoto de 7,8 graus atingir a montanhosa Província de Sichuan, equipes de resgate ainda procuram sobreviventes. Segundo a imprensa oficial, uma mulher foi resgata com vida nesta quarta-feira de um túnel em uma usina de energia em Hongbai.

Arte Folha Online

O número de mortes confirmadas chega a 41,3 mil. O número de mortos e desaparecidos subiu para mais de 74 mil, e outros 247 mil ficaram feridos. Tremores secundários, neve, chuva e a ameaça de doenças e deslizamentos complicam os esforços de resgate e ajuda aos sobreviventes.

Milhares de crianças morreram quando suas escolas desabaram, desencadeando acusações de que a corrupção comprometeu a qualidade das construções.

Centenas de pais colocaram coroas de flores na estrada que leva à escola primária Fuxing em Wufu, onde ao menos 127 crianças morreram soterradas. Os pais portavam um cartaz escrito "As crianças não morreram por causa de um desastre natural, mas por uma construção insegura". "Uma resposta deve ser dada às nossas crianças", disse Li Xiaoping, cujo filho de onze anos morreu na escola. "Há um problema com as construções (...) todas as construções não desabaram exceto por esta."

"Punição severa"

Li Rongrong, que chefia a estatal Comissão de Administração e Supervisão do Patrimônio e é encarregado de supervisionar o gigante setor estatal chinês, disse em coletiva em Pequim que as construtoras sob seu comando geralmente são muito boas. E acrescentou que "se essas construções (que desabaram) foram construídas por grandes firmas estatais, tomaremos medidas severas".

Na cidade de Ynhua, onde mais de 200 estudantes morreram, uma mulher que perdeu sua filha de 13 anos disse que a escola tinha dois andares em 1993, mas depois construiu mais dois ilegalmente. "Quando ela desabou, eram apenas fragmentos, não blocos. Isso mostra o quanto a construção era ruim", disse Luo Zaihong.

Uma petição circulou em Juyuan, onde ao menos 500 estudantes morreram em uma escola, pedindo punição para os responsáveis pelas escolas mal feitas e indenização. Protestos realizados por pais podem representar um sério problema para o Partido Comunista, que busca manter a estabilidade após o tremor.

Ajuda

Milhares de tremores secundários, neve pesada nas montanhas de Wenchuan --epicentro do tremor-- e a previsão de mais chuva criam sérias dificuldades para o Exército, governo e equipes que tentam levar ajuda e criar abrigo para os sobreviventes.

Cerca de cinco milhões de pessoas ficaram desabrigadas após o terremoto. "O pior não é a falta de uma barraca", disse Wang Falan, vivendo com sua família de onze pessoas em um abrigo improvisado. "É também a falta de arroz e de óleo de cozinha. Não sei o que faremos se tivermos de continuar vivendo assim."

O Ministério das Relações Exteriores instou a comunidade internacional a doar mais barracas. Mais três milhões são necessárias, segundo o governo.

Em Washington, o porta-voz do Pentágono Bryan Whitman disse que um avião C-17 de transporte iria à China nesta quarta levando suprimentos. Ele também afirmou que a administração Bush deu a Pequim imagens da região de Sichuan feitas por aeronaves espiãs americanas.

"Eles pediram especificamente imagens de represas, reservatórios, estradas e pontes", disse Whitman. "Eles fizeram o pedido para que experts chineses possam avaliar o desenvolvimento do terremoto, o momento posterior e as condições atuais, principalmente no que diz respeito a deslizamentos de terra que podem ocorrer na área."

Desastres secundários

O premiê Wen Jiabao alertou sobre a possibilidade de "desastres secundários", ordenando experts a inspecionar represas e reservatórios em patrulhas feitas 24 horas.

Wen também pediu mais 250 mil residências temporárias --estruturas simples de metal normalmente usadas por funcionários da construção civil-- para a região do terremoto até o dia 30 de junho, e o número deve chegar um milhão em três meses, de acordo com a imprensa oficial.

Beichuan, cidade totalmente destruída pelo tremor, foi fechada devido à ameaça de doenças, segundo um jornal local. Mais de 5.000 funcionários de prevenção de doenças epidêmicas foram enviados a 125 vilas em Sichuan.

Em Beichuan, um jornalista do jornal "China Daily" informou que o cheiro de cadáveres tomava conta da cidade, invadida por nuvens de moscas e mosquitos que geram o medo de que novas doenças se alastrem, apesar de até o momento nenhuma epidemia ter sido registrada.

Com Reuters

 

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