Mundo
22/05/2008 - 09h40

Número de mortos por tremor na China passa de 50 mil

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da Folha Online

Autoridades chinesas afirmaram nesta quinta-feira que o número confirmado de mortos em razão do terremoto da semana passada é de 51.151, quase dez mil a mais que no dia anterior. Outras 29.328 pessoas continuam desaparecidas e quase 300 mil ficaram feridas.

Nas últimas 24 horas, nenhum resgate de sobreviventes soterrados foi registrado.

Michael Reynols/Efe
Refugiadas procuram nomes nas listas de sobreviventes do tremor em um acampamento de refugiados em Mianyang, Sichuan
Refugiadas procuram nomes nas listas de sobreviventes do tremor em um acampamento de refugiados em Mianyang, Sichuan

As autoridades voltaram a pedir por barracas para os cinco milhões de desabrigados pelo terremoto de 7,9 graus do último dia 12, que destruiu milhares de escolas e prédios em cidades e vilas próximas ao epicentro, na Província de Sichuan.

Em cidades maiores, quarteirões inteiros de prédios residenciais desabaram ou estão condenados devido aos danos e ao temor de tremores secundários.

"Precisamos de mais de 3,3 milhões de barracas", disse o porta-voz da Chancelaria Qin Gang, reiterando o apelo à comunidade internacional feito pelo governo chinês. Ele afirmou que 400 mil barracas já foram entregues aos sobreviventes do terremoto.

"Nós esperamos ajuda internacional nessa questão. Esperamos que a comunidade internacional possa dar prioridade ao fornecimento de barracas", disse o porta-voz.

Empresas

Enquanto isso, o ministro do Comércio, Chen Deming, agradeceu as empresas estrangeiras na China pela ajuda, rejeitando críticas em sites chineses que as chamavam de "estrangeiros miseráveis", por não terem feito o suficiente.

Arte Folha Online

Chen disse que empresas estrangeiras deram 1,95 bilhão de yuan (R$ 460 milhões) em dinheiro e suprimentos.

No esforço para assegurar a população de que o governo estava priorizando os trabalhos de ajuda, o premiê Wen Jiabao voltou nesta quinta à zona do desastre, segundo a agência oficial Xinhua --sua segunda viagem ao local, sendo a primeira imediatamente após o tremor.

O governo também está tendo que lidar com as estimativas oficiais de que mais de 4.000 crianças ficaram órfãs com o terremoto, recebendo centenas de ligações de pessoas interessadas em adotá-las.

Escolas

A irritação com o fato de tantas crianças terem morrido pelo desabamento de suas escolas continuavam a aparecer na imprensa estatal e na internet. O "Southern Metropolis News" citou um trabalhador de resgate dizendo que os escombros da escola Juyuan, onde mais de 270 estudantes morreram, mostram que vigas de metal não foram usadas na construção.

Centenas de pais colocaram coroas de flores na estrada que leva à escola primária Fuxing em Wufu, onde ao menos 127 crianças morreram soterradas. Os pais portavam um cartaz escrito "As crianças não morreram por causa de um desastre natural, mas por uma construção insegura". Cerca de 4.500 escolas desabaram.

Em Beichuan, o cheiro de detergente começa a impregnar, enquanto equipes de resgate borrifam desinfetante na região. Habitantes buscam remédios em tendas armadas pelo governo.

Os militares continuavam usando helicópteros para retirar sobreviventes da região do epicentro. Muitos não sabem se retornarão, já que perderam suas casas. "Há rachaduras por toda a casa. Não podemos continuar a viver lá. Não há escolha senão viver do lado de fora", disse Yu Yuanhong, funcionário de um hospital de Wenchuan, Condado mais afetado, levado à capital provincial de Chengdu.

Com Associated Press

 

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