Processo contra partido governista cria tensão na Turquia
da Efe, em Ancara
da Folha Online
As tensões internas na Turquia causadas pelo processo judicial para tornar ilegal o governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AK, islâmico moderado) aumentaram com as mais recentes declarações da cúpula do Tribunal Supremo de Apelações.
Toda a imprensa local dedica manchetes nesta quinta-feira ao conflito, após uma nova troca de acusações entre a Junta Diretiva do Tribunal Supremo de Apelações e membros do governo. O processo acusa o AK de tentar instaurar a sharia (lei islâmica) no país.
"O confronto entre a Justiça e o governo", "O Golpe de Estado do Tribunal Supremo de Apelações", "Não à Justiça, mas a principal oposição", ou "Juízes pressionam a Justiça", são algumas das principais manchetes nos jornais turcos de hoje.
A Junta Diretiva do citado Tribunal afirmou em uma declaração divulgada na quarta que o governo ataca há um ano, de forma sistemática, a Justiça.
Segundo o comitê, o Executivo tenta influenciar sobre o Tribunal Constitucional para conseguir uma decisão adequada no caso sobre a possível ilegalização do AK, e que procura criar um sistema judiciário sob o controle governamental.
Além disso, na mesma nota acusou o Executivo do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, de ter entregado um expediente sobre a reforma judicial do país ao comissário europeu de Ampliação, Olli Rehn, antes de seu debate interno na Turquia e antes de passar o documento ao Tribunal Supremo de Apelações.
Vários membros do AK responderam com críticas duras à declaração publicada, a qual qualificaram de ilegal.
"A declaração pública não tem legitimidade democrática ou legal (...) é uma declaração política e, como tal, não pode ser aceita", disse o vice-primeiro-ministro, Cemil Cicek.
"A Justiça interferiu nos poderes Legislativo e Executivo, superando suas competências" e atuando "como um partido da oposição" que tenta influir no processo aberto no Tribunal Constitucional (contra o AK), acrescentou.
Murat Yetkin, jornalista do periódico "Radikal", advertiu hoje que as coisas na Turquia estão fora de controle e podem paralisar o "sistema".
"Não estão se falando. Os juízes do Tribunal Supremo acusam o governo, o governo os acusa. Há problemas, mas não há nenhum canal de diálogo para buscar uma solução negociada", disse à agência Efe Yetkin.
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