Mundo
23/04/2002 - 05h07

Intriga marca os bastidores da votação sobre Bustani

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free-lance para a Folha, de Haia

A queda do diplomata brasileiro José Maurício Bustani teve intrigas e enfrentamentos abertos atípicos do mundo da diplomacia. A tensão dominou a conferência especial iniciada no domingo.

No discurso em que oficializou o pedido de afastamento do brasileiro, o embaixador norte-americano Donald Mahley citou uma correspondência recebida pelos Estados Unidos em 5 de abril passado.

Na carta, é sugerida a demissão de John Gee, diretor australiano da Opaq (Organização para a Prescrição das Armas Químicas), em troca da manutenção de Bustani. Em seu lugar seria nomeado um diplomata a ser indicado pelos americanos.

Mahley apontou a suposta iniciativa como uma prova de que o brasileiro havia se apegado ao cargo e que não estava preocupado com princípios.

"Não-documento"
Ontem pela manhã, Bustani desafiou os EUA a mostrarem a correspondência. Ela acabou divulgada como um "não-documento" e com trechos suprimidos, o que provocou um muxoxo na sala de reuniões da organização.

"Levei um susto, porque pensei que pudesse ser correspondência com o timbre da Opaq e com minha assinatura falsificada", disse Bustani. "No final, não era nada de palpável."

Países que nunca compareceram a encontros da organização desta vez estiveram presentes, como é o caso de Kiribati, país na Oceania, e há suspeitas de que os norte-americanos possam ter colaborado para garantir sua presença e seu voto na reunião.

Dinheiro
A Federação da Micronésia mandou nota oficial à Opaq dizendo que não compareceria, mas que a delegação dos Estados Unidos estava autorizada a votar em seu nome -o que não é permitido pelas regras da entidade.

Um país africano, que a Opaq não quis identificar, pagou em dinheiro vivo sua contribuição em atraso para a organização, de forma a recuperar o direito de votar. Foram exatamente 685, ou R$ 1.425.
(RS)
 

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