Para analistas, Obama modera declarações para evitar imagem de "ingênuo"
da Efe, em Washington
O pré-candidato democrata Barack Obama fez declarações mais moderadas em relação a afirmações anteriores de que estaria disposto a se reunir "incondicionalmente" com Irã, Coréia do Norte e Cuba, obedecendo agora a uma estratégia que, segundo analistas políticos, procura distanciá-lo de uma imagem "ingenuidade".
As declarações de Obama ganharam destaque especial em vista de sua possível presença amanhã na Flórida na sede da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA) para explicar sua estratégia para a América Latina e Cuba.
O debate sobre política externa entre os candidatos à Casa Branca está em foco desde que, na semana passada, o presidente George W. Bush criticou, durante sua viagem pelo Oriente Médio, os que querem dialogar com governantes autoritários.
Bush não fez referência direta à Obama, mas o senador por Illinois entendeu que se direcionavam para ele e rebateu as críticas assinalando que a Casa Branca o acusava injustamente de ser conciliador com os regimes ditatoriais.
Ingênuo
"Acho que Obama foi um pouco ingênuo ao dizer que se reunirá com alguns ditadores sem impor condições", disse à agência Efe Erwin Hargrove, analista político da Universidade Vanderbilt, em Memphis.
"O que deveria ter dito é que está disposto a falar com os chefes de Estado depois da escolha de um local considerável, que o terreno esteja pronto, e que existam razões para o início de um diálogo", disse Hargrove.
Na terça-feira, em entrevista à rede de TV "ABC", o senador por Illinois disse que mantinha sua posição de que "incondicionalmente" iria se reunir com Irã, Venezuela e Coréia do Norte.
Para Obama, a postura da Casa Branca de não falar com o Irã até que o país asiático não concorde em fazer tudo o que quer Washington "não é diplomática".
Lionel Ingram, um coronel reformado que dá aulas na Universidade de New Hampshire, afirmou à Efe que o senador democrata corre o risco de passar uma imagem de "fraqueza" em relação à política externa.
"Ele tem razão ao afirmar que nem Hugo Chávez nem o cubano Raúl Castro representam uma ameaça real para os EUA, mas precisa deixar claro que vai ser muito cauteloso em suas relações diplomáticas", disse.
A postura de Obama recebeu críticas também do provável candidato republicano à Casa Branca.
John McCain que diz que Obama demonstra "ingenuidade, falta de experiência e pouco julgamento", ao querer sentar-se com indivíduos como o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que, segundo o republicano, defende a extinção do estado de Israel.
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