Com mais de 55 mil mortos, China teme exposição a radiação nuclear
da Folha Online
Após o governo da China anunciar que o terremoto deixou mais de 55 mil mortos, o vice-ministro do Meio-Ambiente afirmou que há 50 "fontes perigosas de radiação" devido ao tremor, apesar de insistir que a situação está sob controle.
"Trinta e cinco fontes de radiação foram recuperadas, e a localização de outras 15 foram confirmadas, mas ainda não foram recuperadas", declarou Wu a jornalistas em Pequim, sem especificar que tipo de radiação as fontes contêm.
| David Guttenfelder/AP |
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| Sobreviventes do terremoto levam seus pertences em motos ao deixarem a cidade de Hongbai, no sudeste da Província de Sichuan |
"Três estão soterradas por escombros, e outras 12 estão em edifícios perigosos, nos quais as equipes não podem entrar", acrescentou. "No momento, testes nos locais mostram que não houve um vazamento acidental de radiação."
O principal laboratório de pesquisa de armas nucleares da China fica em Mianyang, na Província de Sichuan --a mais afetada pelo tremor--, assim como várias instalações nucleares, mas não há reatores nucleares na área.
Especialistas estrangeiros disseram que fontes de radiação geralmente se referem a materiais usados em hospitais, fábricas ou em pesquisas, não em armas.
Em Washington, Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse não ter informação de que as fontes radioativas localizadas pela China possam colocar a população em risco, mas afirmou que a possibilidade é sempre preocupante.
"Em qualquer momento em que você tem material nuclear, ou outro material perigoso em potencial, lá fora, você quer ter certeza de que tudo está sendo feito para conter (o material)."
Reconstrução
Onze dias após o tremor de 7,9 graus devastar a montanhosa Província de Sichuan, centenas de milhares de soldados, equipes de trabalho humanitário e voluntários estão agora focados na reconstrução.
| Arte Folha Online |
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O número confirmado de mortos pelo tremor passa dos 55 mil, porém mais corpos devem ser encontrados sob os escombros de construções de dezenas de cidades e vilas destruídas.
O número oficial de mortos é de 55.740, além dos 24.960 desaparecidos, de acordo com informações do governo. Cerca de 300 mil pessoas ficaram feridas.
Uma alta autoridade provincial disse que a China precisará reconstruir cidades e vilas inteiras para os milhões de desabrigados pelo tremor, tarefa que pode levar três anos.
Algumas cidades na região do terremoto terão de ser transferidas a outros locais pois o terreno não é seguro, de acordo com autoridades.
Temporada de chuvas
A temporada de chuvas, que deve começar em semanas, aumenta a urgência dos trabalhos. A principal preocupação do governo é que tremores secundários e chuva pesada causem outros desastres como enchentes e deslizamentos de terra.
"O trabalho de reconstrução enfrenta dificuldades na região, onde montanhas ficaram frágeis com o tremor e houve mais de 7.000 tremores secundários", disse Li Chengyun, vice-governador de Sichuan, durante coletiva em Pequim.
Equipes de ajuda humanitária também temem que a falta de higiene possa causar epidemias de doenças. Li afirmou que esse é um "período de pico para a proliferação de doenças", descrevendo a situação como muito sinistra.
A China pediu à comunidade internacional que providencie milhões de barracas para os desabrigados. O governo chinês também enviará toneladas de equipamentos de construção pesada e suprimentos à área.
Em Chengdu, alguns comboios de ajuda humanitária tiveram a passagem impedida por grupos famintos, um deles com armas de fogo. Duas pessoas foram decapitadas pelas pás de helicópteros.
ONU
A porta-voz do Escritório de Cooperação de Assistência Humanitária das Nações Unidas (Ocha, em inglês), Elisabeth Byrs, disse nesta sexta-feira que "as instalações nucleares e fontes radioativas com fins civis são seguras e estão sob controle".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitará no sábado Yingxiu, epicentro do terremoto de Sichuan, anunciou nesta sexta-feira o ministério chinês da Relações Exteriores.
"Amanhã (sábado) pela manhã Ban Ki-moon irá a Yingxiu", afirmou uma fonte do ministério à agência France Presse.
Com Reuters, Associated Press e France Presse
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