Líder da ONU visita área afetada por tremor; 45 mi foram atingidos
da Folha Online
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban-Ki Moon, visitou neste sábado Yingxiu -- uma das regiões mais afetadas pelo terremoto de 7,9 graus na escala Richter que atingiu a China há 12 dias-- ao lado do premiê chinês, Wen Jiabao.
O governo confirmou até o momento 60.560 mortos, além de 26.221 desaparecidos. Segundo Wen, o número pode subir, embora ainda haja esperança de encontrar mais sobreviventes.
| Andy Wong/AP |
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| Chineses tranportam seus pertences após terremoto; mortos podem chegar a 80 mil |
"As vítimas podem chegar a 70 mil, 80 mil, ou mais", disse o premiê à imprensa em Yingxiu.
O número de feridos subiu hoje para 352.290, a maioria deles também na zona do epicentro, a cidade de Aba, no distrito de Wenchuan.
Ao chegar à cidade, na Província de Wenchuan, Wen agradeceu a Ban pela ajuda às vítimas da catástrofe. Ban, que viajou à China vindo diretamente de outra visita, às regiões devastadas pelo ciclone que atingiu Mianmar, prometeu mais ajuda da ONU na reconstrução, e diz que aguarda receber informações da China para medir os danos e as necesidades.
"Se trabalharmos duro podemos superar isso", disse Ban, ao lado de Wen. "Nesses casos, o mundo todo fica ao seu lado e o apóia", acrescentou.
Na tarde deste sábado, Wen se encontrou com duas crianças que ficaram feridos no tremor, Zhao Qisong e Wang Jiaqi, em um hospital de Chengdu, a capital da Província. O premiê estava presente quando equipes de resgate tentavam resgatar as duas crianças dos escombros, um dia após o tremor, e acompanhou o drama do salvamento entre lágrimas.
Ao lado de Zhao neste sábado, ele perguntou ao menino de nove anos se ele lembrava do dia do resgate. "Você me ouviu chamando você? Eu pedi que você aguentasse firme", disse Wen.
O premiê disse ainda para que o garoto nunca se esqueça da experiência. "Leve a lição para sua vida, depois de enfrentar toda essa dificuldade você será um homem melhor", afirmou.
Ele também elogiou Wang, dizendo a menina, que fraturou o nariz no tremor, é "muito forte".
Vítimas
Cerca de 4.800 dos 18 mil habitantes de Yingxiu morreram e outras 4.000 estão desaparecidas. Grande parte das construções desabaram, e muitas ficaram danificadas.
| Arte Folha Online |
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Equipes de resgate trabalham para garantir tendas, alimentos e atendimento médico aos sobreviventes.
Segundo Wen, o governo necessita de 900 mil tendas, e os fabricantes precisam produzir cerca de 30 mil delas por dia.
Na cidade de Pengzhou, cartazes pedem que a população siga cuidados de higiene para evitar doenças.
O vice-governador de Sichuan, Li Chengyun, disse que a Província deve reconstruir as estradas e cidades em três anos.
Cerca de 9.000 feridos devem ser transportados para outras regiões, segundo Li.
Segundo os dados do governo, as doações nacionais e internacionais destinadas a ajudar os desabrigados chegaram hoje a US$ 3,73 bilhões. Desse total, US$ 530 milhões já foram enviados às zonas devastadas.
Um alto número de réplicas continua a ocorrer na Província de Sichuan, com milhares delas desde 12 de maio e 178 acima dos 4 graus de magnitude.
Radiação
Enquanto isso, especialistas tentam identificar 15 fontes de radiação que teriam sido expostas pelo terremoto e estariam sob os escombros.
O Ministério de Proteção do Meio-Ambiente informou que equipes da Administração Nacional de Segurança Nuclear tenta conter as fontes de radiação.
Cerca de 50 fontes em potencial estariam sob os escombros, disse o vice-ministro do meio-ambiente, Wu Xiaoqing, nesta sexta-feira em Pequim. Enquanto 35 delas não representariam risco, outras 15 continuam inacessíveis e soterradas sob os escombros.
Segundo Wu, a radiação não está vazando, e todas as instalações nucleares são seguras.
Reconstrução
O governo chinês passa agora a se focar na reconstrução, e não mais no resgate de corpos.
"Anteriormente, nossa principal prioridade era a procura por corpos e a ajuda às pessoas atingidas. Agora, vamos começar a fazer planos para a reconstrução", afirmou ele.
O tremor destruiu mais de 15 milhões de casas, segundo Wen, que acrescentou que o governo lançou uma campanha urgente para construir abrigos temporários e escolas.
Cerca de 10 mil trabalhadores da saúde foram mobilizados para controlar epidemias.
"O segunda maior desafio que enfrentamos é o risco de doenças", disse o premiê.
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