Mundo
24/05/2008 - 20h27

Mortos na China passam de 60 mil; Cuba, Rússia, EUA e França enviam ajuda

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da Folha Online

O premiê da China, Wen Jiabao, afirmou neste sábado que terremoto que atingiu a Província de Sichuan (sudoeste da China) deixou mais de 60 mil mortos e que o número de vítimas "pode aumentar para 70 mil, 80 mil ou até mais".

Em Pequim, o governo disse que há por enquanto 60.500 mortos e 26.221 desaparecidos. Segundo as autoridades, mais de 11 milhões de pessoas precisarão de novas moradias.

Bern Settnik /Efe
SCH03 SCHOENEFELD (ALEMANIA) 22/5/2008.- Un hospital de campaña de la Cruz Roja es embarcado en un Boeing 747 en la localidad alemana de Schoenefeld, hoy 22 de mayo de 2008. Este hospital ha sido transportado a la provincia china de Chengdu y se espera que atienda a unas 250.000 personas. EFE/Bern Settnik
Posto médico móvel é enviado à China

Enquanto Pequim corre para atender aos milhares de desabrigados, países do mundo com posições conflitantes entre si em termos políticos se solidarizam com a China e enviam ajuda humanitária. A diversidade das fontes de ajuda é compreensível se levado em conta o perfil da China, uma potência global de mercado que é simutaneamente uma república de partido único.

Cuba, Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha, Japão e Itália estão entre os países que enviam equipes médicas e suprimentos de saúde e higiene.

O governo de Cuba enviou para a China uma equipe de 35 médicos, que já chegou ao país asiático, e 3,5 toneladas de medicamentos para ajudar as vítimas do terremoto, informou neste sábado o jornal oficial "Granma".

O chefe da equipe cubana de médicos, José Rodríguez, destacou que se trata de "profissionais experimentados em reações a desastres naturais que já participaram de muitas operações internacionais de socorro, como o tsunami do sudeste asiático e o forte terremoto no Peru".

Raúl Castro, de 76 anos, eleito presidente cubano em fevereiro deste ano em substituição a seu irmão Fidel, transmitiu na quinta-feira 'as mais sentidas condolências' à China, durante uma visita à embaixada chinesa em Havana.

A China é um dos principais aliados de Cuba e segundo maior parceiro comercial da ilha depois da Venezuela, além de importante fonte de crédito e investimentos.

Ajuda Internacional

Bobby Yip/Reuters
Soldiers help a shop owner to get his TV sets from his collapsed store in the village of Renhe near Shifang city west of Chengdu, Sichuan province, May 20, 2008. China raised the number of dead or missing from a devastating earthquake to more than 70,000 on Tuesday, as rescuers found another survivor eight days after the huge tremor hit. REUTERS/Bobby Yip (CHINA)
Soldados ajudam chinês a juntar o que sobrou de sua TV em Sichuan

Wen agradeceu à comunidade internacional por sua ajuda e afirmou que o governo aplicou "uma política de abertura, porque este terremoto não é apenas um desastre para o povo chinês, mas também para toda a humanidade".

Depois de algumas hesitações, o governo chinês autorizou a entrada de equipes de socorro e médicos estrangeiros.

Neste sábado, no momento em que o presidente russo, Dmitri Medvedev, encerrava em Pequim uma visita de dois dias, o Exército russo enviava à China oito aviões carregados com material humanitário, sobretudo barracas, cobertores e cozinhas móveis.

De acordo com representantes americanos, os EUA enviaram esta semana três aviões militares carregados de ajuda a Chengdu, a capital da Província de Sichuan.

Na cidade de Dujiangyan, a Cruz Vermelha alemã instalou um hospital móvel.

"A ajuda alemã é preciosa porque o hospital de Dujiangyan, parcialmente destruído pelo terremoto, não pode funcionar normalmente", frisou o diretor adjunto do estabelecimento, Fu Tang.

O primeiro contingente de médicos franceses, uma equipe de 13 pessoas, deve chegar neste domingo à capital da Província.

Médicos russos e japoneses também estão em Sichuan.

ONU

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban-Ki Moon, visitou neste sábado Yingxiu -- uma das regiões mais afetadas pelo terremoto de 7,9 graus na escala Richter que atingiu a China há 12 dias-- ao lado do premiê chinês, Wen Jiabao.

Ao chegar à cidade, na Província de Wenchuan, Wen agradeceu a Ban pela ajuda às vítimas da catástrofe. Ban, que viajou à China vindo diretamente de outra visita, às regiões devastadas pelo ciclone que atingiu Mianmar, prometeu mais ajuda da ONU na reconstrução, e diz que aguarda receber informações da China para medir os danos e as necesidades.

"Se trabalharmos duro podemos superar isso", disse Ban, ao lado de Wen. "Nesses casos, o mundo todo fica ao seu lado e o apóia", acrescentou.

Na tarde deste sábado, Wen se encontrou com duas crianças que ficaram feridos no tremor, Zhao Qisong e Wang Jiaqi, em um hospital de Chengdu, a capital da Província. O premiê estava presente quando equipes de resgate tentavam resgatar as duas crianças dos escombros, um dia após o tremor, e acompanhou o drama do salvamento entre lágrimas.

Ao lado de Zhao neste sábado, ele perguntou ao menino de nove anos se ele lembrava do dia do resgate. "Você me ouviu chamando você? Eu pedi que você aguentasse firme", disse Wen.

O premiê disse ainda para que o garoto nunca se esqueça da experiência. "Leve a lição para sua vida, depois de enfrentar toda essa dificuldade você será um homem melhor", afirmou.

Ele também elogiou Wang, dizendo que a menina, que fraturou o nariz no tremor, é "muito forte".

Arte Folha Online

Radiação

Enquanto isso, especialistas tentam identificar 15 fontes de radiação que teriam sido expostas pelo terremoto e estariam sob os escombros.

O Ministério de Proteção do Meio-Ambiente informou que equipes da Administração Nacional de Segurança Nuclear tenta conter as fontes de radiação.

Cerca de 50 fontes em potencial estariam sob os escombros, disse o vice-ministro do meio-ambiente, Wu Xiaoqing, nesta sexta-feira em Pequim. Enquanto 35 delas não representariam risco, outras 15 continuam inacessíveis e soterradas sob os escombros.

Segundo Wu, a radiação não está vazando, e todas as instalações nucleares são seguras.

Reconstrução

O governo chinês passa agora a se focar na reconstrução, e não mais no resgate de corpos.

"Anteriormente, nossa principal prioridade era a procura por corpos e a ajuda às pessoas atingidas. Agora, vamos começar a fazer planos para a reconstrução", afirmou ele.

O tremor destruiu mais de 15 milhões de casas, segundo Wen, que acrescentou que o governo lançou uma campanha urgente para construir abrigos temporários e escolas.

Cerca de 10 mil trabalhadores da saúde foram mobilizados para controlar epidemias.

"O segunda maior desafio que enfrentamos é o risco de doenças", disse o premiê.

com Agências Internacionais

 

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