Mundo
26/05/2008 - 20h16

China cria exceção na política do filho único para afetados por tremor

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da Folha Online

Pais cujo filho único morreu ou ficou ferido com o terremoto na China receberão permissão para ter outro filho, declararam autoridades responsáveis pela política do filho único na zona do desastre nesta segunda-feira, oferecendo algum conforto aos casais da região.

Arte Folha Online

Os pais cujo filho único morreu, foi seriamente ferido ou ficou deficiente com o terremoto que matou mais de 65 mil poderão receber um certificado permitindo outro filho, disse o Comitê de Planejamento Familiar e da População de Chengdu, que controla a política na montanhosa Província de Sichuan, a mais afetada pelo tremor.

O terremoto de 12 de maio foi ainda mais doloroso para muitos chineses pois ele matou muitos filhos únicos. A destruição de quase 7.000 salas de aula durante um dia letivo abalou a China, com imagens nos jornais focando em pequenas mãos e em mochilas em meio aos montes de escombros.

Mais de 65 mil pessoas morreram e, com outras 23 mil desaparecidas, o número de mortos ainda deve aumentar muito. Autoridades dizem não ter conseguido estimar o número de crianças mortas.

Restrições

Uma autoridade do Comitê de Chengdu, que deu apenas seu sobrenome, Wang, disse que a nova regra estava sendo feita especificamente para as vítimas do terremoto, e descreveu seus comentários como o esclarecimento da política existente, não podendo ser considerada uma mudança.

Apesar de ser chamada de política do filho único, as regras oferecem uma série de exceções e ambiguidades, algumas existentes devido à ampla oposição ao limite. Por exemplo, em grande parte da China rural, a maioria das famílias pode ter um segundo filho, principalmente se a primeira for mulher. Autoridades locais têm o poder de julgamento em cada caso, o que torna a política propícia a ser corrompida.

Chen Xueyun está entre os pais que podem ser beneficiados. Seu filho de 8 anos, Weixi, morreu quando o apartamento da família desabou. Chen disse ter procurado o corpo do filho durante três dias. Ele usa o relógio de plástico de seu filho, como lembrança.

Michael Reynolds/Efe
Mãe chora enquanto segura fotografia do filho, que morreu quando sua escola desabou
Mãe chora enquanto segura fotografia do filho, que morreu quando sua escola desabou

Chen disse que o anúncio desta segunda pode oferecer alguma esperança aos pais, após o fim do sofrimento. "Se eles ainda estão tristes e deprimidos, e impossível falar sobre outro bebê", afirmou. "Mas no futuro, pode ser muito bom para eles."

O anúncio de segunda vale para Chengdu, capital provincial de dez milhões de pessoas, assim como em duas das cidades mais afetadas, Dujiangyan e Pengzhou. O governo planeja ajudar cerca de 1.200 famílias, mas o número pode mudar, segundo Wang.

Não ficou claro se outras cidades na região do tremor, incluindo Qingchuan, farão anúncios semelhantes. Uma mulher do escritório de planejamento familiar provincial disse que as autoridades estão analisando a questão. Ela não deu seu nome, o que é comum na China.

A política do filho único foi criada no fim dos anos 1970 para controlar a crescente população do país e garantir melhor educação e serviços de saúde à população. A lei inclui exceções a grupos étnicos, famílias rurais e famílias cujos pais são filhos únicos.

O governo diz que a política evitou o nascimento de mais 400 milhões de pessoas, mas críticos dizem que ela também levou a abortos forçados, esterilizações e a um desequilíbrio de gênero perigoso, já que autoridades locais buscam cotas de nascimento severas impostas por Pequim, e famílias abortam meninas devido a uma preferência tradicional por filhos homens.

Com Associated Press

 

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