Mídia cubana destaca morte de Marulanda e futuro das Farc
da Folha Online
A mídia cubana noticiou nesta segunda-feira a morte do fundador e ex-líder máximo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Manuel Marulanda, a quem a televisão da república de partido único descreveu como um camponês "simples", "paciente" e "persistente".
| Ricardo Mazalan/AP |
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| Manuel Marulanda, o Tirofijo (tiro certeiro) |
Uma reportagem dedicada a Marulanda na televisão cubana destacou também que "a guerrilha confirmou que prosseguirá sua luta comprometida com as forças sociais progressistas e estreitamente vinculada aos reclamos do povo".
Em uma entrevista divulgada nesta segunda-feira Marulanda aparece pedindo o fim do embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba e enviando uma saudação "fraternal" ao ex-ditador cubano Fidel Castro, afastado do poder há 22 meses por problemas de saúde.
Há um ano, Cuba recebeu na sede do governo o chamado chanceler das Farc, Rodrigo Granda.
Fim das Farc
O chanceler colombiano, Fernando Araújo, afirmou nesta segunda-feira que a morte de Marulanda, conhecido como Tirofijo (tiro certeiro), "é o começo do fim" das Farc.
"É o começo do fim para as Farc, são golpes e incidentes que vão se sucedendo cada vez mais rápido", disse Araújo, em Bogotá, à emissora Radioprogramas del Peru.
"O país vê com esperança o colapso desta organização narcoterrorista, que durante 44 anos tem enchido a Colômbia de terror e dor. Já começamos a ver a luz no outro lado do túnel", afirmou.
| Fredy Amariles/Reuters |
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| A líder Karina se entregou às autoridades do país em 19 de maio |
O chanceler ressaltou que a morte de Marulanda junta-se a outros acontecimentos como a morte recente do número dois da organização Raul Reyes --em um bombardeio a um acampamento das Farc em território equatoriano, que deu início a um conflito diplomático entre Colômbia, Equador e Venezuela-- e de Iván Ríos, que integrava o "secretariado" (cúpula) das Farc.
Araújo relembrou também que há duas semanas, uma importante chefe guerrilheira conhecida como "Karina", se entregou ao governo. Segundo ele, ela teria "espalhado muito terror, durante muitos anos e era um pouco emblemática".
Segundo o chanceler, a política do presidente Álvaro Uribe está dando resultados, com a desmobilização de mais de 10 mil integrantes das Farc.
Reestruturação
A cúpula das Farc, integrada por sete guerrilheiros, mais dois suplentes, foi reestruturada pelo grupo após a morte de três de seus líderes em março passado.
O comandante rebelde Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timoleón Jiménez ou Timochenko, confirmou neste domingo (25), em um vídeo transmitido pela rede de televisão Telesur, a morte do líder e fundador das Farc, Tirofijo, no dia 26 de março, vítima de um infarto.
Além disso, anunciou que Guillermo León Sáenz, conhecido como Alfonso Cano, um antropólogo quase sexagenário e considerado um dos ideólogos da guerrilha, foi nomeado "unanimemente" como novo comandante do secretariado das Farc.
Timochenko também informou que Pablo Catatumbo ingressa como membro pleno da cúpula, enquanto Bertulfo Álvarez e Pastor Alape servirão como suplentes.
Os analistas concordam que Tirofijo era quem, apesar de seus 77 anos, comandava o movimento ilegal. Por isso, sua morte, que se soma à de outros dois dirigentes no mesmo mês, deixa a direção do grupo insurgente em um estado mais difícil.
A desestabilização da cúpula começou no dia 1º de março com a morte de Luis Edgar Devia, conhecido como Raúl Reyes e número dois no comando das Farc, em um bombardeio a um acampamento rebelde no Equador.
Seis dias depois, outro líder, Manuel de Jesús Muñoz ou José Juvenal Velandia, conhecido como Ivan Ríos, foi assassinado por seu próprio chefe de segurança.
Finalmente, a morte de Pedro Antonio Marín, verdadeiro nome de Tirofijo ou Manuel Marulanda, no dia 26 de março, representa o ponto de ruptura da cúpula, que enfrenta seu maior processo de reestruturação desde sua criação há 44 anos.
Líder
Segundo comunicado divulgado neste domingo (25), as Farc nomearam Alfonso Cano como novo líder. A declaração foi divulgada junto da nota que reconheceu a morte do líder máximo do grupo Manuel Marulanda. Cano é considerado o líder ideológico e da tendência moderada da guerrilha.
O guerrilheiro, que tem cerca de 50 anos, estudou Direito em uma universidade pública e era até então o ideólogo político e coordenador do bloco ocidental das Farc, que atua no sudoeste da Colômbia.
Alfonso Cano entrou para as Farc após militar nos anos 70 na juventude do Partido Comunista, do qual chegou a ser um dos principais líderes. Foi preso três vezes quando era dirigente estudantil, após uma série de protestos na Universidade Nacional.
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