Mundo
26/05/2008 - 22h44

Ex-general diz que Fujimori ordenou massacres de opositores no Peru

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da Efe, em Lima

O ex-general do Exército peruano Rodolfo Robles afirmou nesta segunda-feira que o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) ordenou, de forma verbal, os massacres da localidade de Barrios Altos e da universidade La Cantuta, pelos quais é processado atualmente por abusos aos direitos humanos.

Em seu sétimo e último depoimento no julgamento, Robles disse ter conhecimento de que "o (ex-) presidente Fujimori dava ordens diretas a Vladimiro Montesinos, que era o chefe real do Serviço de Inteligência Nacional (SEM)".

"Era uma autorização que em termos militares é 'cumpra-se'", afirmou Robles ao ser interrogado pelo advogado de Fujimori, César Nakasaki.

O ex-militar, que denunciou os massacres de Barrios Altos, onde morreram 15 participantes de uma festa em 1991, e da universidade La Cantuta, que deixou nove estudantes e um professor mortos em 1992, disse ter "fontes de conhecimento que dão a absoluta convicção de que ele [Fujimori] autorizou [os assassinatos]".

Robles ressaltou que não tem documentos ou ordens escritas que respaldem sua acusação, mas disse que os planos de operações e atos administrativos que se realizaram para cometer os crimes foram escritos.

Os massacres em questão foram cometidos pelo esquadrão militar Colina, formado em 1991 com agentes de inteligência do Exército, cujos integrantes também são processados paralelamente pelos delitos.

Nesta segunda-feira, a Sala Penal Especial da Corte Suprema que processa Fujimori chamou também como testemunha o general reformado Ketín Vidal, ex-diretor da Polícia Nacional (PNP).

O ex-chefe policial ressaltou a importância do Grupo Especial de Inteligência (GEIN) e da Direção contra o Terrorismo (Dircote), instituições que desdobraram um trabalho de inteligência operacional, que permitiu a captura do líder terrorista Abimael Guzmán e a cúpula do grupo armado Sendero Luminoso, em 1992.

Vidal esclareceu que "a Dircote não se nutriu com informação do SEM", ao desmentir a versão de que a captura dos líderes do Sendero Luminoso tenha sido fruto de um trabalho de inteligência estabelecido como política de Estado pelo Governo de Fujimori.

 

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