Mundo
28/05/2008 - 10h48

Nepal se prepara para abolir monarquia; milhares vão às ruas

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da Folha Online

Milhares de pessoas foram às ruas de Katmandu nesta quarta-feira para marcar o fim da monarquia no Nepal, que deve ser abolida em uma sessão da Assembléia Constituinte marcada para hoje.

A multidão reunida nas ruas da capital grita slogans como: "Gyanendra, ladrão, vá embora do país!". O Nepal, pequeno país que fica na região do Himalaia, vive sob monarquia há 240 anos.

Cerca de 10 mil policiais foram destacados para proteger a região do prédio da Assembléia Constituinte, formada após as eleições de 10 de abril deste ano, das quais os ex-rebeldes maoístas saíram vitoriosos. A abertura da sessão sofreu atraso, e um encontro dos líderes políticos continuava a portas fechadas, de acordo com os serviços de segurança.

Saurabh Das/AP
Milhares vão às ruas de Katmandu; Nepal se prepara para abolir monarquia
Milhares de pessoas vão às ruas de Katmandu; Nepal se prepara para abolir a monarquia

Depois de abolida a monarquia e proclamada a república, o rei Gyanendra terá um prazo de até 15 dias para deixar o palácio, segundo o porta-voz maoísta Krishna Bahadur Mahara.

A segurança foi reforçada nesta quarta-feira em Katmandu, após vários atentados a bombas-- o último ocorrido nesta terça-feira, deixando dois feridos-- entre eles uma criança.

Outros três atentados ocorreram na segunda-feira (26), sem deixar vítimas. Um deles foi reivindicado por um grupo nacionalista hindu desconhecido, o G.F.P. Samdir Sena. O segundo ocorreu em frente à casa de uma personalidade política favorável à república.

"Achamos que o atentado foi cometido por opositores à instauração de uma república, com o objetivo de instaurar um clima de pânico", disse o chefe da polícia local, Dipendra Chand.

Monarquia

Durante um longo período de sua história, o Nepal foi comandado por governos absolutos.

Em 1990, o país se tornou uma monarquia constitucional. No entanto, a partir de 1996, a ação da guerrilha maoísta tentava derrubar a monarquia para instituir um regime socialista.

Arte/Folha Online

Em junho de 2001, o príncipe Dipendra promoveu um massacre no palácio real, matou seus pais e primos e tentou se matar em seguida. Mesmo internado e em estado de coma, ele foi proclamado rei. Em 4 de junho, após sua morte, seu tio Gyanendra assumiu o trono.

Em outubro de 2002, o novo rei demite o primeiro-ministro e seu gabinete por "incompetência", depois de eles terem dissolvido o Parlamento e não conseguiram realizar eleições devido à insurgência.

Em junho de 2004, Gyanendra reinstala o primeiro-ministro, que forma um governo de coalizão com outros quatro partidos.

Em 1º de fevereiro de 2005, dizendo-se "insatisfeito" e "preocupado com a segurança" do Nepal, Gyanendra dissolve o governo e assume a chefia do governo.

Os maoístas, que mantiveram a luta armada por dez anos, antes de assinarem um acordo de paz em 2006, venceram as eleições legislativas de 10 de abril deste ano, obtendo mais de um terço dos 601 cadeiras. Os ex-rebeldes haviam se comprometido a dar fim à monarquia.

com France Presse

 

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