França condena casal à prisão perpétua por assassinatos em série
da Folha Online
O assassino confesso Michel Fourniret e sua mulher Monique foram condenados à prisão perpétua nesta quarta-feira, em um dos piores casos de assassinatos em série da história recente da França.
O casal não esboçou reação após uma corte de Ardennes, no norte do país, declarar Fourniret, apelidado de o "Ogro de Ardennes", culpado de matar e estuprar ou tentar estuprar sete mulheres e adolescentes entre 12 e 22 anos a partir de 1987. As mulheres foram estranguladas, mortas a tiros ou a golpes de chave de fenda entre 1987 e 2001.
| Benoit Tessier/Reuters |
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| Michel Fourniret, assassino em série confesso, ao deixar a corte Charleville-Mezieres, no último dia 13, no norte da França |
O caso, entre os mais sinistros registrados na França desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), levou a mudanças na forma com que a polícia investiga assassinatos em série, incluindo uma melhor coordenação entre diferentes autoridades.
Fourniret, 66, poderá pedir uma redução da pena, mas só depois de ficar 30 anos preso. Dada sua idade, provavelmente ele não voltará à liberdade, e seu advogado afirmou na terça que ele não irá recorrer da sentença.
Olivier, 59, deve passar ao menos 28 anos na cadeia por seu papel em alguns dos assassinatos e estupros.
| Michel Spingler/AP |
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| Monique Olivier, mulher do assassino confesso Michel Fourniret, também condenada à prisão perpétua por participação nos crimes |
Fourniret, que confessou seus crimes, agia principalmente na região de florestas de Ardennes no norte da França e na Bélgica. Sua mulher foi acusada de ajudá-lo a selecionar as vítimas, capturá-las e esconder seus corpos.
O juiz deu seu veredicto no dia seguinte ao júri se reunir para tirar suas conclusões.
O julgamento, carregado de emoção, e que teve detalhes publicados em todos os jornais, chocando o país, levantou sérias questões sobre o funcionamento do sistema judicial francês.
Justiça falha
O casal, ligado pelo o que os promotores chamaram de "pacto criminal", se conheceu após Fourniret colocar um anúncio em jornal pedindo que alguém escrevesse a ele enquanto estava preso cumprindo pena por crimes sexuais nos anos 1980 --ele tem um longo histórico de estupros.
Uma série de oportunidades perdidas de prender os assassinos inclui a não investigação do desaparecimento da primeira vítima do casal, Isabelle Laville, em 1987, apesar de a polícia ter registrado uma queixa de seqüestro.
| Thierry Roge/Reuters |
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| Francis Brichet, pai de Elizabeth, uma das vítimas de Fourniret, do lado de fora da corte |
Na ocasião, Fourniret, que havia acabado de sair da prisão e estava em liberdade condicional, vivia apenas a alguns quilômetros do local onde Laville desapareceu.
"Foi uma oportunidade perdida de identificar os Fournirets", disse Alain Behr, advogado da família Laville, citado pela agência Reuters.
Psicólogos que examinaram o casal disseram que eles não são doentes mentais e têm inteligência um pouco acima da média. Os especialistas concluíram que o autoritário e obsessivo Fourniret criou um prazer sádico com o estupro e o assassinato.
Além dos assassinatos pelos quais foi condenado, Fourniret é suspeito de outras mortes que incluem a de Joanna Parrish, 20, em 1990, o que pode desencadear novos julgamentos.
Fourniret, que disse ser fascinado por virgens, foi preso na Bélgica em 2003, após uma de suas futuras vítimas fugir e chamar a polícia.
Com Reuters e Associated Press
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