Mundo
28/05/2008 - 14h55

Nepal debate fim da monarquia; rei terá 15 dias para deixar palácio

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da Folha Online

Legisladores nepaleses debatem nesta quarta-feira, na primeira sessão da Assembléia Constituinte após o pleito de 10 de abril, uma resolução que declarará o Nepal --pequeno país da região do Himalaia que vive sob monarquia há 240 anos-- uma república.

Se a resolução for de fato aprovada, o rei Gyanendra terá 15 dias para deixar seu palácio. Líderes políticos ameaçaram, nos últimos dias, remover o monarca à força caso ele se recuse a sair. Caso ele deixe pacificamente o palácio, deve retornar para seu palácio privado em Katmandu, onde morava antes de assumir o trono, em 2001.

Gopal Chitrakar/Reuters
Nepaleses vão às ruas à espera do fim da monarquia no país
Nepaleses vão às ruas à espera do fim da monarquia no país; rei deve deixar palácio

Nas ruas de Katmandu, milhares de pessoas foram às ruas nesta quarta-feira com bandeiras vermelhas do Partido Maoísta para celebrar o fim da monarquia. A multidão que se manifesta na capital nepalesa grita slogans como: "Gyanendra, ladrão, vá embora do país!".

Cerca de 10 mil policiais foram destacados para proteger a Assembléia Constituinte, formada após as eleições de 10 de abril, das quais os ex-rebeldes maoístas saíram vitoriosos.

Os maoístas, por sua vez, anunciaram que cerca de 20 mil voluntários estão nas ruas de Katmandu para ajudar a manter a calma. No entanto, há receio de que ocorra violência.

A segurança foi reforçada nesta quarta-feira na capital, após vários atentados a bombas-- o último ocorrido nesta terça-feira, deixando dois feridos-- entre eles uma criança.

Outros três atentados ocorreram na segunda-feira (26), sem deixar vítimas. Um deles foi reivindicado por um grupo nacionalista hindu desconhecido, o G.F.P. Samdir Sena. O segundo ocorreu em frente à casa de uma personalidade política favorável à república.

"Achamos que o atentado foi cometido por opositores à instauração de uma república, com o objetivo de instaurar um clima de pânico", disse o chefe da polícia local, Dipendra Chand.

Mudanças

Durante um longo período de sua história, o Nepal foi comandado por governos absolutos.

Em 1990, o país se tornou uma monarquia constitucional. No entanto, a partir de 1996, a ação da guerrilha maoísta tentava derrubar a monarquia para instituir um regime socialista.

Arte/Folha Online

Em junho de 2001, o príncipe Dipendra promoveu um massacre no palácio real, matou seus pais e primos e tentou se matar em seguida. Mesmo internado e em estado de coma, ele foi proclamado rei. Em 4 de junho, após sua morte, seu tio Gyanendra assumiu o trono.

Em outubro de 2002, o novo rei demite o primeiro-ministro e seu gabinete por "incompetência", depois de eles terem dissolvido o Parlamento e não conseguiram realizar eleições devido à insurgência.

Em junho de 2004, Gyanendra reinstala o primeiro-ministro, que forma um governo de coalizão com outros quatro partidos.

Em 1º de fevereiro de 2005, dizendo-se "insatisfeito" e "preocupado com a segurança" do Nepal, Gyanendra dissolve o governo e assume a chefia do governo.

Os maoístas, que mantiveram a luta armada por dez anos, antes de assinarem um acordo de paz em 2006, venceram as eleições legislativas de 10 de abril deste ano, obtendo mais de um terço dos 601 cadeiras. Os ex-rebeldes haviam se comprometido a dar fim à monarquia.

No entanto, para analistas, o futuro do Nepal após a proclamação da república é incerto.

com Associated Press

 

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