Mundo
28/05/2008 - 21h35

Pais que perderam seus filhos no tremor protestam na China

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Colaboração para a Folha Online

Os chineses cujos filhos morreram em salas de aula das escolas atingidas pelo terremoto na Província de Sichuan em 12 de maio deixaram o luto de lado e começaram a protestar nos últimos dias.

Reuters
Parentes choram diante da foto de uma criança que morreu durante o tremor na China
Parentes choram diante da foto de uma criança que morreu durante o tremor na China

Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal "The New York Times", os pais das cerca das 10 mil crianças que perderam suas vidas em conseqüência do tremor estão tão chocados com a fragilidade das construções as escolas que deixaram de lado o usual receio em enfrentar as autoridades do Partido Comunista da China.

As autoridades enfrentam agora a repercussão política negativa gerada pela opinião pública.

Muitos pais se dizem inconformados com o fato de as escolas com estudantes pobres terem sido completamente destruídas pelo tremor, enquanto as escolas onde estudam os ricos e os prédios do governo localizados em regiões próximas permaneceram de pé e em muitos casos intactas.

O último balanço das vítimas informa que mais de 68 mil pessoas morreram e outras 364 mil ficaram feridas com o tremor.

Pais indignados

Na terça-feira, uma reunião informal de pais em uma escola de ensino médio na cidade de Dujiangyan tornou-se palco de protestos de pais indignados.

AP
Secratário local do PC da China pede que pais não protestem às autoridades nacionais diante de fotógrafos em Sichuan
Secratário local do PC da China pede que pais não protestem às autoridades nacionais diante de fotógrafos em Sichuan

O pedreiro Liu Lifu, um pai cuja filha, Liu Li, morreu, juntamente com toda sua classe durante uma aula de biologia, tomou o microfone e clamou por justiça.

"Exigimos que o governo puna severamente os assassinos responsáveis pelo desmoronamento das escolas", disse Liu, exaltado. "Por favor, todos devem assinar a petição para que nós possamos descobrir a verdade".

Outros pais presentes acusaram as autoridades locais de estarem cientes há anos de que as escolas eram construções frágeis, mas que mesmo assim foram negligentes com a situação.

Outros disseram ainda que as autoridades demoraram a enviar equipes de resgate, e que elas não deveriam ter parado as buscas por sobreviventes durante a noite, como fizeram.

Apesar de não haver um dado oficial, apenas 13 de um total de 900 estudantes foram resgatados com vida, segundo relatos de pais chineses.

Protestos

"Os responsáveis por esta situação deveriam ser trazidos aqui e levar um tiro na cabeça", disse Luo Guanmin, um fazendeiro que trazia consigo uma foto de sua filha Luo Dan, de 16 anos.

Arte Folha Online

Diversos confrontos entre autoridades e protestantes vêm sendo registrados desde o último final de semana em cidades no norte da Província de Sichuan.

Os protestos ameaçam minar as tentativas do governo de dar uma resposta eficaz à população afetada pelo terremoto e destacar os esforços heróicos de salvamento com o Exército Popular de Libertação, que designou 150 mil soldados para os trabalhos de resgate em Sichuan e imediações.

Censores da mídia controlada pelo Estado estão retendo os relatos detalhados da controvérsia sobre as escolas, mas uma foto que circulou pela internet antes da censura agir chamou a atenção do país à polêmica.

As autoridades de Pequim reconhecem a delicadeza da situação. Na segunda-feira, um porta-voz do Ministério da Educação, Wang Xuming, prometeu uma reavaliação dos edifícios escolares nas zonas abaladas, acrescentando que os responsáveis pela construção das escolas serão "severamente punidos".

Vítimas do tremor

De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira, 68.109 pessoas morreram, 364.552 ficaram feridas e outras 19.851 continuam na lista de pessoas desaparecidas após o terremoto, considerado o mais devastador em 30 anos. Mais de 45 milhões de pessoas foram afetadas pelo tremor e cerca de 15 milhões foram realocadas.

Os hospitais receberam 85.722 feridos, dos quais 55.514 foram liberados, enquanto 15.394 continuam hospitalizados e outros 6.928 foram transferidos para outras partes da China para receber tratamento.

O escritório disse que 92.131 membros de equipes médicas participaram dos trabalhos de ajuda na Província de Sichuan.

Até agora, nenhuma epidemia ou emergência médica foi registrada nas áreas atingidas, informou nesta quarta-feira o Ministério da Saúde.

com Agências Internacionais

 

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