Zapatero critica Itália e pede política comum de imigração na UE
Colaboração para a Folha Online
O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, defendeu a cooperação dos países europeus em matéria de imigração, frente aos que preferem cuidar do assunto "sozinhos", em uma clara referência a recente polêmica em torno de novas leis de imigração mais rígidas aprovadas na Itália.
"Não deveria haver ninguém que corresse na frente, nem adotasse uma política sozinho", disse Zapatero, no lançamento do livro "La línea del horizonte", do juiz Baltasar Garzón.
Zapatero se mostrou contrário a tratar do fenômeno da imigração "com discursos inflamados e com as leis mais duras", pois são "simplesmente uma terapia tranqüilizadora em um momento conjuntural".
"Enquanto não construirmos, em sua imensidão, uma política comum da União Européia", não teremos uma resposta satisfatória para o problema migratório", advertiu, insistindo na "cooperação" com os países de origem como a forma de poder conter a imigração clandestina.
O presidente do governo espanhol deu essas declarações depois da recente polêmica entre Espanha e Itália pelas críticas d e Zapatero às medidas contra a imigração ilegal tomadas pelo governo do conservador Silvio Berlusconi.
Reunião
Zapatero e Berlusconi vão se reunir, na próxima semana, em Roma, durante a cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
"Não é fácil se pronunciar sobre a Itália", comentou, ressaltando, porém, que "é um país amigo, irmão e sócio na União Européia".
Zapatero comentou ainda que o governo socialista espanhol estuda ampliar o prazo de reclusão dos imigrantes ilegais, antes de sua repatriação, para 60 dias, já que os 40 dias atuais são um período "muito reduzido".
Itália
O governo do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, havia aprovado em 21 de maio a transformação da imigração ilegal em crime.
| Ciro Fusco /Efe |
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A decisão foi tomada durante o primeiro conselho de ministros do governo de Berlusconi, realizado na cidade de Nápoles.
A criminalização da imigração clandestina já figurava em uma lei promulgada no último mandato de Berlusconi, declarada parcialmente inconstitucional em 2004.
O ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, explicou que além da tipificação como crime da imigração irregular, entre as novas medidas está a aceleração dos processos judiciais e dos tempos de expulsão.
"As novas medidas facilitarão a expulsão", disse Maroni, que, no entanto, destacou que todas elas serão feitas com "pleno e total respeito à normativa da União Européia (UE)".
De acordo com Maroni, as medidas também afetam os cidadãos da UE, pois "será feita uma verificação mais concreta dos requisitos exigidos aos cidadãos do bloco para poder morar em solo italiano".
Entre tais requisitos está que "os cidadãos tenham uma renda adequada para poder se manter e à sua família e que não obrigue o Estado a colocar o indivíduo a cargo da previdência social", disse Maroni.
com France Presse e Efe



