Mundo
30/05/2008 - 09h46

Hillary envia carta a superdelegados pedindo para ser escolhida

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Colaboração para a Folha Online

Em suas últimas jogadas antes do final do ciclo de primárias democratas, a pré-candidata Hillary Clinton enviou uma carta aos 797 superdelegados pedindo que eles endossem sua candidatura, mesmo estando bem atrás do rival, Barack Obama.

Na carta, divulgada pelo site especializado Real Clear Politics, Hillary afirma que ela é a melhor candidata para enfrentar o provável candidato republicano John McCain nas eleições gerais de 4 de novembro.

"Neste ponto, nós ainda não temos um nomeado e quando os últimos votos forem depositados em 3 de junho, nem o senador Obama nem eu teremos assegurado a nomeação. Caberá a vocês escolher o nomeado de nosso partido e eu gostaria de dizer a vocês que eu acredito ser a candidata mais forte [...] e seria a melhor presidente e comandante chefe", escreve Hillary.

Veja a íntegra da carta, em inglês

Hillary está atrás em número de delegados, superdelegados e votos populares, mas ainda carrega o trunfo de ter ganho em Estados cruciais para as eleições gerais, como Ohio e Pensilvânia.

Uma pesquisa da Gallup divulgada nesta quarta-feira indicou ainda que Hillary tem maiores chances contra McCain nos 20 Estados em que ela ganhou as primárias, com 50% das intenções de voto contra 43% do republicano.

São estes números que sua equipe utiliza para convencer os superdelegados, membros partidários e políticos eleitos que votam independentemente das primárias democratas. A ex-primeira-dama enviou inclusive uma análise detalhada junto à carta das recentes pesquisas de opinião e resultados eleitorais para comprovar seus argumentos aos colegas.

Decisão

Diante da acirrada disputa democrata pelos delegados eleitos --Obama tem 1.661 e Hillary tem 1.499--, são os superdelegados democratas que devem definir a candidatura partidária para as eleições, na Convenção Nacional Democrata, entre 25 e 28 de agosto.

Assim, se Hillary recuperar a margem de quase cem superdelegados que tinha no começo do ano, ele poderia obter a maioria dos votos e ser consagrada, contra as probabilidades, a nomeada democrata.

Por enquanto, os superdelegados têm ratificado o resultado da votação popular. Dos 595 que declararam voto, 320 apóiam o líder da disputa, Obama. Já os indecisos enfrentam pressão cada vez mais forte para tomar uma posição e encerrar a demasiadamente prolongada disputa entre Hillary e Obama. "Vamos exortar o pessoal a tomar uma decisão rapidamente, na próxima semana", disse em entrevista o senador Harry Heid.

As últimas primárias democratas serão realizadas em Montana e Dakota do Sul, em 3 de junho, quando Obama diz acreditar que será definida a sua candidatura.

"Pesquisas recentes e resultados das eleições mostram uma tendência clara: eu estou na frente em Estados que têm sido críticos para a vitória, nas últimas duas eleições. De Ohio à Pensilvânia, à Virgínia Ocidental e além, os resultados das recentes primárias [...] mostram que eu tenho forte apoio de regiões e eleitorados que os democratas precisam para recuperar a Casa Branca", escreve Hillary.

Pelos eleitores

A carta adquire um tom demagógico quando Hillary começa a falar do porquê de continuar na corrida. "Nós simplesmente não podemos encarar mais quatro --ou oito-- anos esquecidos pela política. É por isso que todo lugar ao qual eu vou, as pessoas chegam em mim, pegam na minha mão ou braço, e urgem para que eu continue competindo", escreve, acrescentando que ela continua na corrida por achar que é candidata melhor preparada para liderar os EUA.

"Eu estou na corrida por todas as mulheres com seus 90 anos que me contaram que nasceram antes das mulheres poderem votar e que querem viver para ver uma mulher na Casa Branca", diz Hillary que cita ainda os homens e mulheres "que trabalham duro todos os dias para fazer diferença para suas famílias".

"Eu acredito ter uma responsabilidade com eles", escreve, em tom de plena campanha presidencial.

Voltando à política, Hillary ressalta que não só é a melhor para ocupar a Casa Branca, mas é a melhor para juntar uma coalizão de eleitores, vencer em Estados que votaram pelos republicanos em 2004 e derrotar McCain.

União

Hillary aproveita a carta para ressaltar que trabalhará, independentemente do candidato escolhido, pela união do Partido Democrata, uma das maiores preocupações de seus líderes para o cenário das eleições gerais.

Diante dos ácidos ataques entre Hillary e Obama que permearam toda a disputa, a ex-primeira-dama afirmou que fará tudo para unir o partido e levar a candidatura democrata a diante.

"Eu acredito que, se o senador Obama e eu mostrarmos nosso ponto de vista e todos os democratas tiverem suas vozes ouvidas, todo mundo será mais incentivado a fazer campanha ao lado do nomeado", escreve.

"Mas neste ponto, nenhum de nós cruzou a linha de chegada. Eu espero que neste tempo que resta vocês pensem muito sobre qual candidato tem a melhor chance de liderar o partido à vitória em novembro [...] e liderar nosso país para este novo século", conclui Hillary.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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