Mundo
01/06/2008 - 20h45

Equador pede à OEA que assuma investigação dos computadores das Farc

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da France Presse, em Medellin (Colômbia)

A chanceler do Equador, Maria Isabel Salvador, pediu neste domingo à OEA (Organização de Estados Americanos) que assuma a investigação dos documentos que, segundo a Colômbia, foram encontrados em computadores apreendidos com a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e que, segundo Bogotá, provam as ligações entre Quito e Caracas com os guerrilheiros.

O pedido da diplomata foi feito antes do início da assembléia geral da organização na cidade colombiana de Medellin.

"Os membros de meu governo não temem uma investigação, pois temos a consciência limpa", afirmou a chanceler, negando que o Equador tenha algum tipo de relação com a guerrilha das Farc que não seja para tentar obter a libertação dos reféns em poder desse grupo.

A OEA iniciou no sábado as celebrações de seus 60 anos de existência e neste domingo inaugurou sua 38ª Assembléia Geral, que tem como objetivo acabar com a crise entre Quito e Bogotá.

O secretário-geral do organismo, José Miguel Insulza, deu início às celebrações à véspera da primeira Assembléia Geral desde que Quito rompeu relações com Bogotá devido a uma operação militar colombiana em território equatoriano, no passado mês de março.

Insulza já tinha dito que a crise bilateral entre o país anfitrião e seu vizinho Equador seria o tema central desta reunião. O funcionário submeterá na terça-feira aos 34 países participantes na Assembléia um informe sobre as gestões que a OEA realiza para promover uma aproximação entre as duas nações.

Em um discurso pronunciado na noite de sexta-feira em Medellín, o presidente colombiano Álvaro Uribe insistiu no término da crise com o Equador e assinalou que a Colômbia quer "harmonia com os países irmãos e vizinhos", aos quais convidou para fazer "uma grande aliança para derrotar o terrorismo."

Bogotá ordenou um ataque contra um acampamento da guerrilha das Farc em território equatoriano em 1º de março último. A ação terminou com a morte de 25 pessoas, entre elas o número dois do maior grupo rebelde colombiano, Raúl Reyes.

Depois do ataque, o presidente equatoriano, Rafael Correa, rompeu relações com a Colômbia.

O Equador tentou na OEA uma "condenação" à atitude colombiana, mas obteve apenas uma "resolução de rechaço".

O governo colombiano acusou os governos do Equador e da Venezuela de ter vínculos com as Farc, a partir de dados encontrados em um computador que Bogotá alega ter confiscado no ataque.

Quito e Caracas negam essas afirmações, o que tem contribuído para aumentar ainda mais as tensões entre a Colômbia e seus vizinhos.

 

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