Mundo
03/06/2008 - 07h01

Democratas vão às urnas nesta terça para últimas primárias do partido

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MÁRCIA SOMAN MORAES
Colaboração para a Folha Online

Nesta terça-feira, eleitores democratas de Montana e Dakota do Sul vão às urnas nas últimas primárias da acirrada corrida pela nomeação do partido. Um total de 31 delegados está em jogo, número que não será suficiente para mudar o cenário da disputa.

Em Montana, a votação deve ocorrer das 7h (10h em Brasília) às 20h (23h em Brasília). Em Dakota do Sul, a previsão é que as urnas abram às 7h (9h em Brasília) e fechem às 19h (21h em Brasília).

27.mai.2008 - Elise Amendola/AP
Hillary faz campanha para democratas de Montana; o Estado realiza primárias nesta terça
Hillary faz campanha para democratas de Montana; o Estado realiza primárias nesta terça

O senador por Illinois Barack Obama lidera a corrida democrata há alguns meses. De acordo com a rede de televisão americana CNN, ele conta com 1.741 delegados eleitos, contra 1.624 da ex-primeira-dama Hillary Clinton. Os delegados necessários para garantir a nomeação são 2.118.

Obama conta ainda com uma fundamental liderança no número de superdelegados. Até o momento, ele tem 329 nomes a seu favor, contra 291 que apóiam Hillary. Se uma decisão não for alcançada com a votação das primárias, os superdelegados devem definir a candidatura democrata na Convenção Nacional, marcada para 25 de agosto, em Denver (Colorado).

No entanto, mesmo diante do cenário desanimador, Hillary parece determinada a continuar. Ela ressalta em sua campanha que os superdelegados (líderes partidários e políticos eleitos que votam independentemente) não estão comprometidos oficialmente até a data da convenção, o que daria a ela a chance de convencer os indecisos, ou até mesmo aqueles que apóiam Obama.

1.jun.2008 - Rick Wilking/Reuters
Obama cumprimenta eleitores em Dakota do Sul; primárias do Estado ocorrem nesta terça
Obama cumprimenta eleitores em Dakota do Sul; primárias do Estado ocorrem nesta terça

Para isso, ela investe em dois argumentos centrais: a maioria dos votos populares e seu apelo diante dos trabalhadores brancos.

Segundo os cálculos do site especializado Real Clear Politics, com a validação dos votos populares de Michigan --onde a cédula eleitoral contava apenas com o nome de Hillary-- e Flórida, Hillary tem uma margem de 161.121 votos sobre Obama, com um total de 17.429.779.

Comparativamente, isso representa uma diferença de apenas 1% sobre os votos de Obama. Mas com pouco tempo e poucas oportunidades de virar o jogo, é o suficiente para Hillary fazer uma forte campanha por sua candidatura.

Carta

Na semana passada, Hillary enviou uma carta a cada um dos 797 superdelegados na qual afirma que ela é a melhor candidata para enfrentar o provável candidato republicano John McCain nas eleições gerais de 4 de novembro.

No texto, Hillary escreve: "Quando os últimos votos forem depositados em 3 de junho, nem o senador Obama nem eu teremos assegurado a nomeação. Caberá a vocês escolher o nomeado de nosso partido e eu gostaria de dizer a vocês que eu acredito ser a candidata mais forte [...] e seria a melhor presidente e comandante-chefe".

AP
Obama (à dir.) segue na liderança para a nomeação do partido democrata; especialista diz que chapa conjunta é improvável
Obama (à dir.) segue na liderança para a nomeação do partido democrata; especialista diz que chapa conjunta é improvável

Para Richard Parker, professor de ciência política da Universidade de Harvard e especialista em campanha política, é certo que Hillary continuará na corrida democrata até a Convenção Nacional, tempo no qual ela continuará apelando aos superdelegados.

O especialista diz ser improvável uma "chapa dos sonhos", com Obama como presidente e Hillary como vice, uma solução apontada por analistas para atrair eleitorados fiéis aos dois pré-candidatos. "Eu acredito que seus assessores [de Obama] ficariam muito, muito hesitantes em uma chapa com os dois", disse Parker, em entrevista exclusiva à Folha Online.

Já para David Karol, especialista em política norte-americana e professor da faculdade de Ciência Política da Universidade de Berkeley, Hillary não conseguirá influenciá-los. "Os superdelegados vêem televisão, lêem jornais, falam entre eles. Hillary está tentando tudo o que pode; está lutando até o último minuto. Eu não acredito que possa influenciar os superdelegados, não há nenhum segredo que ela tenha", afirma, em entrevista exclusiva à Folha Online.

Eleitorado

Outro forte argumento de Hillary é o de que ela ainda carrega o "trunfo" de ter ganho em Estados cruciais para as eleições gerais --como Ohio e Pensilvânia, com grandes colégios eleitorais.

31.mai.2008 - Jason Reed/Reuters
Eleitores de Hillary fazem passeata para validar delegados de Michigan e Flórida
Eleitores de Hillary fazem passeata para validar delegados de Michigan e Flórida

Uma pesquisa do Gallup divulgada na semana passada indicou que Hillary tem maiores chances contra o republicano John McCain nos 20 Estados em que ela ganhou as primárias, com 50% das intenções de voto contra 43% do republicano.

Segundo a sondagem, nestes mesmos Estados, Obama empata estatisticamente com o senador republicano, com 45% das intenções de voto contra 46% de McCain. Assim, Hillary seria uma aposta mais segura para o Partido Democrata conquistar de volta a Casa Branca.

Para Thomas Schaller, especialista em eleições presidenciais norte-americanas e correspondente do jornal "Baltimore Sun", os argumentos para Hillary continuar na campanha refletem sua "teimosia" na corrida, motivada pela obrigação histórica de permanecer na disputa até que o fim, como primeira mulher com chances reais de conquistar a nomeação e a Presidência.

Obama

Para Obama, a disputa pela nomeação está ganha há semanas. Embora não declare uma vitória antecipada --o que poderia prejudicar ainda mais seu apelo diante dos eleitores fiéis a Hillary--, o senador por Illinois parece não se importar mais com os argumentos da rival.

Seu porta-voz, Robert Gibbs, disse que se o senador não sair vitorioso na terça-feira, poderá ganhar a disputa com Hillary "muito em breve". Antes mesmo antes das primárias em Kentucky e Oregon, no dia 20 de maio, seus assessores lançaram o boato de que ele assumiria a vitória, em seu discurso após a liberação dos resultados.

Jeff Chiu/AP
Texto: Republican presidential candidate, Sen. John McCain, R-Ariz., left, shakes hands with President Bush before the president boarded Air Force One Tuesday, May 27, 2008, in Phoenix. (AP Photo/Jeff Chiu)
Obama afirma que McCain (à esq.) oferece continuação do mandato de Bush (à dir.)

Nesta terça-feira, ele planeja marcar o fim da temporária de primárias em Minnesota --mesmo local em que os republicanos farão sua Convenção Nacional oficializando a candidatura de McCain.

Depois de uma disputa repleta de ataques mútuos, Obama passou as últimas semanas sem citar o nome de Hillary. Ele foca agora em McCain, afirmando que este "não ofereceria mais do que uma continuação" do mandato do atual presidente George W. Bush.

Os assessores de Obama afirmam estar preocupados com a vantagem de tempo de McCain, que conseguiu os 1.191 delegados necessários para a nomeação republicana em março e, desde então, investe em sua campanha presidencial.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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