Mundo
04/06/2008 - 12h44

Em discurso para judeus, Obama promete acabar com a ameaça do Irã

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da Folha Online

O senador por Illinois Barack Obama --que obteve ontem os 2.118 delegados necessários para obter a nomeação do Partido Democrata-- prometeu em discurso no Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (Aipac, na sigla em inglês), em Washington, que caso seja eleito para a Casa Branca, fará "todo o possível" para "garantir a segurança de Israel" e "dará fim à ameaça" do Irã.

"Não há ameaça maior para Israel ou para a paz e a estabilidade da região [do Oriente Médio] que o Irã. A ameaça iraniana é grave, e meu objetivo como presidente será eliminá-la", disse Obama.

Charles Dharapak/AP
O provável candidato democrata Barack Obama durante discurso a judeus em Washington
O provável candidato democrata Barack Obama durante discurso em Washington

Nas declarações, Obama criticou o provável candidato republicano, John McCain, pela política que defende para a Guerra do Iraque. "Precisamos mudar a nossa política para a região. Em 2002, já sabíamos que o Irã era uma ameaça para Israel, que tinha armas nucleares, mas ignoramos essa ameaça. Esse foi o principal motivo pelo qual fui contra a invasão do Iraque, porque acreditava que isso daria força para o extremismo na região", afirmou o democrata.

"McCain não reconhece que a atual política no Iraque é fracassada, ele quer mantê-la. Eu me recuso a manter uma política que faz com que Israel seja menos seguro", acrescentou ele.

Para Obama, manter as tropas por tempo indefinido no Iraque "não enfraquece o Irã, mas o fortalece". "Por isso, defendo a saída do Iraque, com o mesmo cuidado com que entramos.

"Depois disso, passaremos a pressionar o Iraque a assumir a responsabilidade, assim como pressionaremos o Irã. Farei todo o possível para impedir que o Irã possua armas nucleares".

Processo de paz

Nas declarações, Obama falou ainda sobre as negociações de paz no Oriente Médio.

"Os israelenses entendem que a segurança verdadeira só pode existir se houver paz. Por isso, faremos todos o possível para que Israel e os países da região a alcancem. A paz é do interesse nacional dos EUA, de Israel e da ANP (Autoridade Nacional Palestina). Como presidente, ajudarei na manutenção de dois Estados --um israelense e um palestino, vivendo lado a lado. Me comprometo, desde o início de minha administração, a trabalhar para isso".

"Os palestinos precisam de um Estado independente, mas é preciso também preservar o Estado de Israel. Jerusalém deve continuar sem divisões, e a ser a capital de Israel", disse.

Obama disse também que é preciso isolar o grupo radical islâmico Hamas, que administra a faixa de Gaza desde junho de 2007. "Não há espaço para negociações com terroristas. Não aceitaremos [o Hamas] antes que eles reconheçam Israel e renunciem à violência", afirmou.

"A paz não virá para os palestinos por meio do extremismo e de falsos líderes. Peço que a ANP combata o extremismo e dê apoio verdadeiro [ao presidente da ANP] Mahmoud Abbas".

"Não tenho ilusões de que a paz será fácil, ela precisará de decisões fortes de ambos os lados. Mas palestinos e israelenses querem a paz, e os EUA devem ajudar neste processo, para deter o vácuo causado pela violência na região", disse ainda Obama.

Diplomacia

O provável candidato democrata à Casa Branca defendeu ainda o uso da diplomacia perante as questões da política externa. "Precisamos de uma política diplomática que defenda claramente nossos interesses. Não temos tempo a perder. É hora de liderarmos, propondo uma agenda e coordenando o diálogo com nossos aliados, principalmente com Israel", disse.

"Recentemente, acredita-se que a diplomacia não pode ser dura, foram esquecidos os exemplos de [Franklin] Roosevelt (1933-1945) e [Harry] Truman (1945-1953). Nós tentaremos restaurar essa diplomacia, sem alimentar ilusões quanto a questões como o Irã", afirmou.

Segundo Obama, às vezes "não há alternativa senão o confronto". "Caso tenhamos que usar a força militar, teremos muito mais apoio doméstico e externo se tivermos antes esgotado as vias diplomáticas. Essa é a mudança que precisamos para nossa política externa", disse ele.

O senador por Illinois abordou ainda no discurso a questão da política energética nos EUA.

"É hora de tomarmos passos concretos para dar fim à nossa dependência do petróleo. Para isso, precisaremos estreitar nossa aliança com Israel para encontrarmos meios alternativos de energia. Como presidente, farei de tudo para defender nossos interesses e os de Israel".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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