Mundo
04/06/2008 - 19h52

Saiba como pensam os prováveis candidatos à Presidência dos EUA

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Colaboração para a Folha Online

Nesta terça-feira, o senador por Illinois Barack Obama se declarou o nomeado do partido democrata após atingir a marca dos 2.118 delegados, entre oficiais eleitos e superdelegados. O republicano John McCain garantiu em março o número suficiente de delegados para ser o candidato do partido, quando ultrapassou a marca dos 1.191 delegados.

A partir de agora, os dois candidatos devem focar suas campanhas nas eleições gerais de novembro, atacando um ao outro e divulgando suas propostas para o governo nas questões-chave, como saúde, segurança social e relações exteriores dos EUA.

Saiba como pensam os prováveis candidatos à Presidência:

Saúde

Os cuidados com a saúde estão entre as questões mais abordadas neste ciclo de eleições presidenciais. McCain afirma que colocará um fim aos benefícios fiscais para que empregadores concedam seguro de saúde para os trabalhadores e, ao invés disso, proporcionará um crédito fiscal para a compra de planos de saúde de US$ 2,5 mil (R$ 4,08 mil) para as pessoas e de US$ 5 mil (R$ 8,15 mil) para as famílias. Ele afirma que permitirá a concorrência, deixando que as pessoas comprem planos de saúde em qualquer Estado.

Obama, por outro lado, propõe um programa nacional de seguros para permitir que os indivíduos e as pequenas empresas adquiram cuidados à saúde semelhantes aos que se encontram disponíveis para os funcionários federais. Esse programa será financiado por um imposto sobre os empregadores que não oferecem cobertura a seus trabalhadores. Ele também defende a diminuição do custo dos medicamentos por meio da permissão da compra de medicamentos no exterior e da negociação de preços através do governo.

Segurança Social

McCain afirma que trabalhará com o Congresso para conter o aumento dos custos dos programas de aposentadoria e sugere modificar a forma que os benefícios são indexados à inflação. Ele também diz apoiar a criação de contas privadas de aposentadoria para os jovens trabalhadores.

Obama se opõe à aposentadoria feita por meio de contas privadas. Segundo suas propostas, os trabalhadores mas ricos terão de pagar mais impostos a fim de garantir que a Segurança Social financie o benefício dos outros.

Prisão de Guantánamo

Ambos os candidatos propõe o fechamento da detenção norte-americana de Guantánamo, em Cuba, onde são presos suspeitos de terrorismo.

McCain defende a mudança dos prisioneiros para a prisão militar de Fort Leavenworth, no Kansas. Em 2006, o senador republicano apoiou o Ato de Comissões Militares transformado em lei pelo presidente George W. Bush, que permite o uso de tortura em interrogatórios.

Obama também apóia o fechamento de Guantánamo, mas se opõe ao Ato de Comissões Militares e afirma que irá aderir à Convenção de Genebra, que bane o uso da tortura em prisioneiros de guerra.

Diplomacia

McCain defende um papel maior dos EUA na diplomacia internacional após os dois mandatos do presidente Bush e afirma que irá reconstruir uma forte relação com os países aliados.

Obama enfatiza as negociações mais do que as ações militares e acusa os republicanos de ingenuidade ao dizer que ele se encontraria com os líderes dos países hostis --Irã, Síria, Coréia do Norte e Venezuela-- sem condições prévias. Ele afirma que essas conversas precisam ser bem preparadas.

China

McCain diz que pressionaria a China a se adequar à prática dos direitos humanos, mas aumentaria os laços dos EUA com o país oriental. Obama, pelo contrário, diz que irá limitar o acesso chinês ao mercado norte-americano como uma barganha para forçar Pequim a parar de manipular sua moeda.

Coréia do Norte

McCain afirma que não está claro o compromisso da Coréia do Norte em desmontar seu programa nuclear. Para o republicano, futuras conversas precisam levar em consideração o programa de mísseis balísticos do país, o rapto de cidadãos japoneses e o suposto apoio ao terrorismo.

Obama propõe uma coalizão internacional para tratar do programa nuclear norte-coreano e afirma apoiar a "diplomacia direta e agressiva" como uma opção para lidar com a questão nuclear.

Rússia

McCain critica constantemente o líder russo Vladimir Putin. Ele acusa a Rússia de tentar anexar a Abkázia e a Ossétia do Sul, regiões separatistas da Geórgia.

Obama diz que a Rússia não é um inimigo, mas também não é um aliado próximo. Ele propõe um trabalho em conjunto com Moscou para se assegurar que as armas nucleares russas estão em segurança, mas também defende um aumento da democracia e transparência nas ações do governo local.

Iraque

McCain apóia a Guerra do Iraque e diz que os Estados Unidos poderiam manter uma presença militar para a manutenção da paz no país indefinidamente, semelhante ao que ocorreu na Coréia do Sul e no Japão. Ele afirma que o acúmulo de tropas dos EUA tem ajudado a aumentar a estabilidade no Iraque. McCain critica as promessas democratas para uma rápida retirada dos soldados e afirma considerá-las "temerárias".

Obama diz que sempre se opôs à Guerra do Iraque e que irá retirar as tropas norte-americanas do país no prazo de 16 meses após tomar posse como presidente, em janeiro de 2009.

Irã

McCain acusa o Irã de formar "terroristas" para atacar as tropas dos EUA no Iraque e de apoiar o Hizbollah (grupo extremista islâmico) no Líbano. O republicano afirma que os EUA não podem aceitar um programa nuclear com fins militares no Irã e, para pará-lo, aumentará as sanções financeiras e comerciais contra Teerã.

Obama afirma que está disposto a se encontrar com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e, durante campanha nas primárias, criticou sua rival pela nomeação Hillary Clinton por dizer que os EUA poderiam destruir o Irã. O democrata afirma que manter as armas nucleares longe do Irã será uma de suas prioridades na Casa Branca. Ante um suposto ataque iraniano contra Israel ou qualquer Estado aliado dos EUA, Obama afirma que agirá "enérgica e rapidamente".

Questão israelo-palestina

McCain se auto-descreve como um "orgulhosamente pró-Israel" e afirma que está comprometido em firmar um acordo de paz com o presidente palestino Mahmoud Abbas. O senador também diz que terá uma melhor abordagem do que o presidente Bush para negociar a paz na região.

Obama afirma considerar os laços entre EUA e Israel "inquebráveis" e diz que irá assegurar a segurança para o país. Ele também propõe a estruturação de dois Estados: um judeu, em Israel, e um palestino. Obama se diz favorável a esforços diplomáticos para moderar as ações da Síria e estabilizar a região.

Paquistão e Afeganistão

McCain afirma que o sucesso das tropas norte-americanas no Afeganistão é essencial para conter a Al Qaeda e, para isso, os EUA devem trabalhar em conjunto com o governo paquistanês para acabar com a formação de campos de treinamento de extremistas no interior do Paquistão. Ele também diz que a Otan deveria participar mais das ações no país.

Obama afirma estar disposto a atacar a Al Qaeda no interior Paquistão sem aprovação internacional. Ele é a favor do fechamento dos campos de treinamento de extremistas e da expulsão do Taleban do país. O democrata afirma que a Guerra do Iraque desviou a atenção dos EUA do Afeganistão e é favorável à intensificação dos esforços europeus no país.

Com Reuters

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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