Diplomatas americanos e britânicos são detidos no Zimbábue
da Folha Online
Diplomatas americanos e britânicos foram detidos por várias horas nesta quinta-feira depois de terem visitado vítimas de violência política no país, informou a embaixada dos Estados Unidos. A polícia chegou a furar os pneus dos carros em que os diplomatas estavam e teria, inclusive, ameaçado queimar os veículos.
Algumas horas depois, os governos dos EUA e do Reino Unido disseram que os diplomatas haviam sido soltos e estavam em segurança. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, disse que a detenção dos diplomatas americanos é "absolutamente ultrajante" e indicativa da "repressão e violência" que o governo do Zimbábue está disposto a usar contra sua própria população.
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McCormack disse que os EUA planejam levar o assunto ao conselho de Segurança da ONU e falar imediatamente com os diplomatas do Zimbábue que participam de uma conferência da ONU sobre alimentos em Roma.
O embaixador americano no Zimbábue, James McGee, culpou o governo do presidente Robert Mugabe pelo ataque. Mugabe é acusado de tentar intimidar apoiadores do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, com quem deve disputar o segundo turno das eleições presidenciais no próximo dia 27 de junho.
"Agora, o que eles estão tentando fazer é intimidar diplomatas por viajarem pelo país e testemunhar a violência que está sendo realizada contra a população", afirmou McGee em entrevista à rede de TV CNN.
Grupos de direitos humanos e a oposição zimbabuana também acusam Mugabe de uma campanha de violência para tentar se manter no poder. Tsvangirai diz que 65 pessoas foram mortas.
Mugabe acusa seus oponentes pela violência e as sanções impostas pelos países ocidentais pelo colapso da economia. A oposição afirma que ele ajudou a acabar com o Zimbábue.
Ataque
O ataque ao comboio diplomático aconteceu em Bindura, 80 km ao norte de Harare, informou a embaixada americana.
McGee disse que a polícia parou os veículos em um bloqueio e furou seus pneus. Ele afirmou que apoiadores de Mugabe ameaçaram queimar os veículos a menos que os diplomatas acompanhassem a polícia até um posto próximo. "Acreditamos que isso veio diretamente da liderança", disse.
Um porta-voz do governo britânico disse que o embaixador do Zimbábue em Londres foi intimado a dar explicações. A polícia do Zimbábue não comentou o caso.
Tsvangirai venceu Mugabe nas eleições presidenciais de 29 de março, mas não conseguiu reunir o número de votos suficiente para vencer no primeiro turno. Ele foi detido por nove horas nesta quarta-feira, mas deu continuidade à sua campanha nesta quinta.
A Casa Branca chamou a detenção de diplomatas de ultrajante e exigiu que o governo do presidente Robert Mugabe explicasse essas ações.
"O regime de Mugabe não precisa apenas explicar essas ações, mas já passou o tempo de eles pararem com a violência, deixarem os direitos humanos e os observadores entrarem e terem um processo eleitoral livre e justo", disse o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, em um comunicado.
Com agências internacionais
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