Mundo
06/06/2008 - 07h51

Para unir partido, Obama muda discurso sobre Hillary

Colaboração para a Folha Online

O provável candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama não poupa elogios à sua rival Hillary Clinton, em uma mudança de tom drástica dos cinco meses de acirradas e ácidas primárias. Deixando os tempos de ataques mútuos para trás, Obama falou em evento na Virgínia que a ex-primeira-dama "fez história".

"Não há muitos em nossa história que sejam mais capazes, diligentes e dedicados à causa de atender aos necessitados do que a senadora Clinton", afirmou, no discurso desta quinta-feira.

Na época em que disputavam voto a voto a nomeação, a equipe de Obama não desperdiçava chances de criticar a senadora. Obama descrevia Hillary como típico exemplo da política "velha" de Washington a qual ele quer combater.

Diante da platéia lotado de 25 mil pessoas do teatro de Bristow, Obama continuou: "Sou um melhor candidato agora, graças ao trabalho que ela fez, e merece nosso respeito e gratidão".

"Agora, minhas duas filhas olham para si mesmas de forma diferente, graças ao fato de ela ter concorrido pela presidência dos Estados Unidos", acrescentou, referindo-se ao papel de Hillary como a primeira mulher com grandes chances de chegar à Casa Branca.

Jason Reed/Folha Imagem
Presumptive Democratic Presidential nominee Senator Barack Obama (D-IL)(C) is pictured on stage during a campaign rally in Bristow, Virginia, June 5, 2008. REUTERS/Jason Reed (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Provável candidato democrata Barack Obama em evento de campanha em Bristow, Virgínia

"Sei que há quem diga que essas primárias nos deixaram divididos", comentou. "Mas eu digo que estão enganados", acrescentou.

Após uma prolongada disputa pela nomeação, o Partido Democrata tem apenas seis meses para trazer os fiéis eleitores de Hillary para o lado de Obama. Pesquisas realizadas ao longo de vários meses da campanha pelas primárias apontaram altos índices de eleitores que afirmaram não votar nas eleições gerais ou até mesmo votar no provável candidato republicano John McCain, caso Hillary não fosse nomeada.

Nova prioridade entre os democratas, Hillary e Obama se reuniram na noite desta quinta-feira, na casa dos Clintons em Washington, para discutir como unir os dois eleitorados e garantir a retomada democrata da Casa Branca.

Segundo declaração divulgada após o encontro, os dois senadores democratas "tiveram uma produtiva discussão sobre o importante trabalho que precisa ser feito para a sucessão em novembro".

Chapa dos sonhos

03jun.08 Jeff Zelevansky/Efe
JZX10 - NUEVA YORK (EEUU), 03/06/08.- La senadora por Nueva York y precandidata demócrata a la Presidencia de Estados Unidos, Hillary Clinton, habla hoy, 3 de junio de 2008, durante un acto de campaña en Nueva York (EEUU). Clinton reconoció que su rival, el senador por Illiois Barack Obama, acumuló el número suficiente de delegados para ganar la nominación de su partido a la candidatura presidencial, llegando a su fin la aspiración de ser la primera presidenta del país norteamericano. EFE/JEFF ZELEVANSKY
Hillary Clinton vai a evento em Nova York já como derrotada na disputa pela nomeação

O texto não inclui detalhes do que foi falado no encontro, o que somente aumentou as especulações sobre a possível "chapa dos sonhos", com Obama como presidente e Hillary como vice.

No início desta quinta-feira, foi divulgada a informação de que Hillary contou a seus assessores, em reunião privada, que estaria interessada em ser a vice-presidente da chapa democrata. A informação foi divulgada pela agência de notícias internacionais Associated Press que afirmou ainda que seus assessores estariam fazendo intenso lobby pelo cargo.

Mas no final do dia, a campanha da senadora afirmou que ela não busca a vice-Presidência, e a própria ex-primeira-dama chegou a dizer que a escolha do vice é de Obama e "de mais ninguém".

Segundo o estrategista-chefe da campanha de Hillary, Howard Wolfson, "a senadora [Hillary] Clinton deixou claro que fará tudo o que puder para eleger um democrata para a Casa Branca e ela não busca a vice-Presidência. Ninguém além dela pode falar por ela".

A união do partido, após meses de uma disputa cheia de ataques políticos e pessoais mútuos, é o principal argumento para uma "chapa dos sonhos" com Hillary e Obama. Para analistas democratas, seria uma forma de unir os eleitorados fiéis a ambos os candidatos.

Também nesta quinta-feira, Obama falou à rede de televisão ABC News que Hillary é um "caso especial" para se considerar na escolha por um vice. "Ela é alguém que participou comigo nesta disputa. Ela é extraordinariamente capaz e tenaz. Eu quero dizer, ela é simplesmente uma grande candidata", declarou Obama.

"Senadora Clinton estaria na lista de qualquer um, obviamente", continuou Obama acrescentando que eles têm a mesma visão sobre muitos assuntos.

Mas o tom de elogios e amizades destes últimos dias é uma mudança radical dos longos meses das disputas pela primárias --e são estes meses de ataques o principal argumento contrário a uma chapa conjunta.

Caso Hillary efetivamente seja a vice-presidente de Obama, eles enfrentarão duros questionamentos da mídia e principalmente dos republicanos. Eles não esquecerão a imagem que a equipe de Obama desenhou de Hillary, como alguém da 'velha' política norte-americana, a qual ele quer combater.

Equipe

10.abr.2007 - AP
Caroline Kennedy (foto) busca vice para a chapa de Barack Obama
Caroline Kennedy (foto) busca vice para a chapa de Barack Obama

O senador por Illinois escolheu uma equipe de três colaboradores de sua confiança para elaborar uma lista de prováveis candidatos a vice. Caroline Kennedy, filha do presidente assassinado John Kennedy (1961-1963), faz parte do trio encarregado de ajudar a escolher um companheiro de chapa para disputar as eleições gerais de novembro, de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira por o porta-voz de Obama Bill Burton.

Caroline trabalhará em conjunto com Eric Holder, ex-membro do Ministério da Justiça durante a presidência de Bill Clinton (1993-2001) e James Johnson, ex-presidente da companhia hipotecária Fannie Mae.

Johnson realizou um trabalho similar com os nomeados democratas John Kerry (derrotado por George W. Bush nas eleições gerais), em 2004, e com Walter Mondale (derrotado por Ronald Reagan), em 1984.

Derrota

A ex-primeira-dama, que era tida como favorita quando as prévias do partido começaram, perdeu na terça-feira para Obama a chance disputar as eleições presidenciais depois que o senador conseguiu atingir a marca de 2.118 delegados para garantir a nomeação do partido.

O "número mágico" foi alcançado somando os delegados eleitos comprometidos com o senador e os superdelegados que anunciaram o endosso. No entanto, o apoio dos superdelegados somente será oficializado durante a Convenção Nacional Democrata, em agosto.

Até o momento, o senador Obama possui o apoio oficial de 1.763 delegados eleitos, contra 1.640 da rival pela nomeação, Hillary Clinton. O senador por Illinois também lidera entre os superdelegados, ele tem 395 nomes contra apenas 286 de Hillary.

Apesar de Obama ter assegurado sua candidatura às eleições, tornando-se o primeiro negro a entrar na disputa pela Casa Branca, Hillary resistiu a reconhecer sua derrota. A sua equipe de campanha declarou nesta quarta-feira que Hillary anunciará neste sábado (7) seu apoio a Obama na corrida à Casa Branca, movimento que muitos analistas vêem como mostra de que ela finalmente cedeu às pressões do partido para não mais prolongar a disputa.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 17h28
Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 17h28
Quero congratular-me com LUIZ CASTRO E CÉLIO RODRIGUES, pela importância dos seus texto nesta tribuna. Agradeço também a IGMAR TRINDADE pela oportunidade que dá à estudiosos como eu de buscar um pouco mais de conhecimento. Igmar aproveitei a sugestão que fez a outra pessoa nesta tribuna para que entrasse no GOOGLE ZEITGEIST Também entrei, confesso que fiquei impressionado com as informações alí contidas. Obrigado de coração pela oportunidade.
Sr. Mac Cain copiar não é feio desde que se de o crédito a fonte. Mundança, até onde sei é mote de campanha do Senador Obama. O lema "ir para Wasghiton para refomar o país" também é de Obama. Por favor ponha a criatividade para funcionar e traga algo novo para deleite dos seus apoiadores. A América já teve um filho imitando o pai na presidência, e olha no que deu: A nação além de cair no atoleiro econômico, tem hoje boa parte do mundo odiando os EUA e sua máquina de fabricar guerras.
Enquanto Obama elogia o passado de Mac Cain. o general agride Obama com palavras impróprias e ao mesmo tempo tenta copia-lo sonhando alcançar a popularidade do Senador democrata. É por isso que o povo americano está mais simpático ao democrata que é original, do que à qualquer genérico de ocasião.
sem opinião
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Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 15h28
Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 15h28
Gosto do povo dos E.U.A. Por alguns deles tenho veneração e respeito pois já citei exaustivamente seus nomes nesta tribuna. Mas por três nomes dos E.U.A, faço verdadeira reverência que é EDGAR CAYCE, ELLEN G. WHITE, e GEANE DIXON. Três criaturas à frente do seu tempo. Eles eram unanimes em alertar quanto a chegada no final do século XX e início do Século XXI, do Grande Mentiroso que completaria a obra do seu pai a velha serpente que o enviou. "Depois que estiver no poder, o mundo não demorará para sentir sua influência. Seu poder se estenderá por várias nações. Conquistará outras terras mantendo-as subjulgada com armas das mais atualizadas. Em algumas oportunidades ele se proclamará agente da paz e dirá que seu governo é piedoso e misericordioso com os estrangeiros. Fará uso da máquina propagandistica dos E.U.A. Inicialmente o mundo não ligará e não dará atenção para um ex herege religioso que chegou ao poder se proclamando convertido, mas ninguém poderá ignorar que um fato extraordinário ocorrerá no seu governo, dará a ele um poder inimaginável para expandir a sua doutrina que é a mesma do pai que o enviou".
"G og, O Anticristo, representará uma profunda desconfiança ética entre os homens e governantes do seu tempo, mas ninguém ousará contradize-lo. Os homens serão obrigados a admitir a sua santidade, pois ele chegou ao poder com a Biblia nas mãos. O Anticristo dirá que o mundo está mais seguro sobre sua proteção. "Deus salve a América e o mundo".
2 opiniões
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Eduardo Velasco (153) 05/09/2008 15h00
Eduardo Velasco (153) 05/09/2008 15h00
(CONTINUAÇÃO)
Quanto às resoluções da ONU e para o que elas servem, se o leitor de der ao trabalho de fazer o dever de casa, verá que, entre outras coisas:
1. A resolução 181 de 28 novembro de 1947 faz parte do Acordo de paz assinado em 1993, e sobre Jerusalém diz: "...corpus separatum [essa expressão latina é importante!] sob regime internacional especial e será administrada pelas Nações Unidas."
2, A Resolução no. 242 da ONU de 22 de novembro de 1967, nela O Conselho de Segurança:
a. Afirma que a efetivação dos princípios da Carta requer o estabelecimento de uma paz justa e duradoura no Oriente Médio que inclua a aplicação dos dois seguintes princípios:
I. Evacuação das forças armadas israelenses dos territórios ocupados no conflito recente;
II. Encerramento de todas as reivindicações ou estados de beligerância e respeito pelo reconhecimento da soberania, integridade territorial e independência política de cada Estado da região e de seu direito a viver em paz dentro das fronteiras seguras e reconhecidas, livres de ameaças ou de atos de força."
Abraços Pontuais!
Eduardo Velasco
Natal/RN
sem opinião
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