Polícia do Zimbábue detém novamente líder da oposição, diz porta-voz
da Folha Online
A polícia do Zimbábue deteve nesta sexta-feira o líder da oposição Morgan Tsvangirai --pela segunda vez nesta semana-- após tê-lo impedido de chegar a um comício que fazia parte da campanha presidencial, afirmou o porta-voz do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), Nelson Chamisa.
"O presidente do MDC Tsvangirai e outros líderes do partido foram detidos de novo em Umzingwane. Eles foram levados para a delegacia de polícia de Esigodini", disse Chamisa em um comunicado.
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Tsvangirai deve enfrentar o atual presidente do país, Robert Mugabe, no segundo turno das eleições marcado para o dia 27 de junho. Ele venceu Mugabe nas eleições presidenciais de 29 de março, mas não conseguiu reunir o número de votos suficiente para vencer no primeiro turno. Na quarta-feira (4), Tsvangirai foi detido por nove horas.
Pouco antes, as agências de notícias internacionais divulgaram a informação que a polícia zimbabuana havia impedido Tsvangirai de chegar a um comício de sua campanha.
Segundo as informações, Tsvangirai foi parado antes de chegar ao comício após a polícia ter montado um bloqueio na estrada. O MDC acusa o presidente Robert Mugabe de tentar sabotar sua campanha.
"A polícia fez um boqueio na estrada a caminho para How Mine, para onde Tsvangirai estava indo como parte de sua campanha", disse um fotógrafo da agência de notícias Reuters. A polícia não comentou o caso.
O MDC havia dito pouco antes que a detenção de diplomatas americanos e britânicos realizada ontem e a suspensão da ajuda humanitária no país mostraram que o governo de Mugabe não respeitará as regras da lei durante o segundo turno da eleição presidencial.
Detenção
Ontem, diplomatas americanos e britânicos foram detidos por várias horas depois de terem visitado vítimas de violência política no país. A polícia chegou a furar os pneus dos carros em que os diplomatas estavam e teria, inclusive, ameaçado queimar os veículos.
Algumas horas depois, os governos dos EUA e do Reino Unido disseram que os diplomatas haviam sido soltos e estavam em segurança. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, disse que a detenção dos diplomatas americanos foi "absolutamente ultrajante" e indicativa da "repressão e violência" que o governo do Zimbábue está disposto a usar contra sua própria população.
O embaixador americano no Zimbábue, James McGee, culpou o governo pelo ataque. "Agora, o que eles estão tentando fazer é intimidar diplomatas por viajarem pelo país e testemunhar a violência que está sendo realizada contra a população", afirmou McGee em entrevista à rede de TV CNN.
Grupos de direitos humanos e a oposição zimbabuana também acusam Mugabe de uma campanha de violência para tentar se manter no poder. Tsvangirai diz que 65 pessoas foram mortas.
Mugabe acusa seus oponentes pela violência e as sanções impostas pelos países ocidentais pelo colapso da economia. A oposição afirma que ele ajudou a acabar com o Zimbábue.
Também ontem, o governo do Zimbábue suspendeu por tempo indefinido todo o trabalho de campo de grupos de ajuda humanitária e organizações não governamentais, acusando-as de fazer campanha para a oposição.
Com Reuters
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