Mundo
06/06/2008 - 14h05

Turcas protestam contra proibição de uso de véu nas universidades

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da Folha Online

O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), partido governante da Turquia, se reuniu nesta sexta-feira em caráter emergencial para analisar o que fará após o Tribunal Constitucional do país ter vetado ontem uma emenda que permitia às muçulmanas usar véu islâmico nas universidades. Ao mesmo tempo, centenas de mulheres protestaram em várias cidades contra a decisão judicial.

A reunião foi presidida pelo líder do partido, o primeiro-ministro Recip Tayyip Erdogan. A decisão tomada pelo tribunal ontem foi considerada como um dos maiores golpes ao partido desde que ele chegou ao poder, em 2002, e que ameaça seriamente sua sobrevivência.

O diário "Hurriyet" publicou hoje que o executivo da AKP havia previsto discutir várias opções para manejar a crise, entre elas a de convocar eleições parlamentares antecipadas.

Osman Orsal/Reuters
Manifestantes protestam em Istambul contra a decisão judicial que proíbe o uso de véu em universidades da Turquia
Manifestantes protestam em Istambul contra a decisão judicial que proíbe o uso de véu em universidades da Turquia

Ao mesmo tempo em que a reunião acontecia em Ancara, centenas de mulheres, usando o véu islâmico, protestaram contra a decisão do Tribunal que anulou a emenda, aprovada em fevereiro pelo Parlamento turco, dizendo que ela seria uma suposta ameaça aos princípios laicos do Estado.

A polêmica revisão constitui um dos principais argumentos de outra ação judicial que está sendo analisada atualmente e que pede que o AKP seja considerado ilegal por suas atividades antilaicas, informou o jornal "El País".

Umas 500 mulheres marcharam pela cidade de Diyarbakir, no sul do país, e outras centenas, todas usando véu, se manifestaram pelas ruas de Istambul.

"Estou desolada e desesperançada. Realmente não me sinto igual ao resto do povo deste país", disse Esra Altinay Ozbecetek, uma estudante de 29 anos que deixou a universidade aos 19 por não poder levar o véu, ao jornal "El País".

Como ela, milhares de mulheres na Turquia não fizeram universidade por causa desta proibição, endurecida desde 1997, ou tiveram que estudar em outros países.

 

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