Gasto mundial em armamento militar cresce 6% em 2007, diz relatório
da Folha Online
A despesa mundial em armamento militar aumentou 6% em 2007 com relação ao ano anterior, passando para US$ 1,339 trilhão (R$ 2,179 trilhões), informa o relatório anual do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira. Este número corresponde a 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial e representa um aumento de 45% desde 1998.
| 17.mai.2008/Fernando Vergara/AP |
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| Gasto mundial em armamento militar cresce 6% em 2007, diz relatório divulgado hoje |
Segundo o instituto, apesar do gasto mundial com armamento ter continuado a crescer no ano passado, há uma crescente expectativa para que tenham início discussões sobre o controle de armas, que dependem muito dos Estados Unidos, país que mais gasta com armas no mundo.
Em seu relatório anual, o instituto afirma que espera por novas conversas sobre controles de armas e desarmamento nos próximos 12 meses por causa de "um ampliado consenso (...) que medidas mais sérias e efetivas sobre o controle de armas e desarmamento" precisam ser implementadas.
"Vozes do espectro político têm reconhecido de novo o valor do controle de armas em face das ameaças contra a humanidade", disse o diretor do instituto de pesquisa, Bates Gill. "É claramente do interesse dos cidadãos e dos governos dar passos pragmáticos e positivos na direção certa", afirmou.
EUA
Do US$ 1,339 trilhão do gasto mundial com armamento militar, os Estados Unidos encabeçam a lista dos países que mais destinam fundos para o armamento, com 45% desse valor. Desde a Segunda Guerra Mundial, 2007 foi o ano em que os EUA mais gastaram com armamento (US$ 547 bilhões), segundo o relatório, um crescimento de 3,4% com relação ao ano anterior.
Logo depois dos EUA na lista dos países que mais gastam com armamento vêm o Reino Unido (US$ 59,7 bilhões) e a China (US$ 58,3 bilhões), com 5% do total cada um. A China subiu mais uma posição, ultrapassando a França, que agora ocupa a quarta posição no ranking. No ano passado, o governo chinês havia ultrapassado o Japão e ficado com a quarta posição. O Brasil ocupa o 12º lugar, com gastos de US$ 15,3 bilhões ou 1% do total mundial.
A organização sueca disse ainda que as oito potências nucleares do mundo tinham juntas mais de 25 mil armas nucleares no começo de 2008, sendo que mais de 10 mil estavam disponíveis para serem usadas. A instituição não inclui a Coréia do Norte na lista.
Desarmamento
Gill disse que o desarmamento das maiores potências nucleares --Rússia e Estados Unidos-- será particularmente importante nos próximos anos e ele espera que esses países tomem passos decisivos, que pode incluir uma renovação do Tratado de Redução de Armas Estratégicas entre os EUA e a Rússia em 2009 e o Tratado sobre Reduções Estratégicas Ofensivas em 2012.
Uma conferência internacional de não-proliferação em 2010 também deverá pressionar os Estados nucleares a se desarmarem, disse Gill.
"As prioridades da próxima administração dos EUA terão uma função crítica na formação do progresso para o controle de armas", disse ele. "Ambos os prováveis candidatos para a Presidência dos EUA disseram que têm intenção de reduzir o arsenal nuclear da América e que vão considerar levar adiante o Tratado Abrangente de Proibição de Testes Nucleares para a ratificação do Senado", disse.
2006
No ano passado, o relatório elaborado pelo mesmo instituto mostrava que os gastos militares globais em 2006 alcançou US$ 1,2 trilhão, um aumento de 3,5% com relação ao ano anterior. Os Estados Unidos investiram US$ 529 bilhões em armas em 2006, mantendo a primeira posição no ranking dos países com maiores gastos militares mundiais.
Uma das novidades do relatório divulgado no ano passado é que a China ultrapassou o Japão como o maior investidor em armas na Ásia, chegando à quarta posição no ranking com gastos de US$ 50 bilhões. O Reino Unido e a França foram o segundo e terceiro colocados, respectivamente, e o Japão ficou com a quinta posição, com US$ 43,7 bilhões em gastos.
Com Associated Press e Efe
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