Mundo
10/06/2008 - 13h34

Líder da oposição no Zimbábue rejeita governo de coalizão

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da Folha Online

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, rejeitou nesta terça-feira sugestões de um governo de unidade nacional, dizendo que seu partido está certo de vencer o segundo turno das eleições --marcado para o dia 27 de junho-- apesar da violência governamental.

29.mar.2008/Howard Burditt/Reuters
O ditador Robert Mugabe deposita seu voto em Harare; após 28 anos, ele pode deixar poder
O ditador Robert Mugabe deposita seu voto em Harare; após 28 anos, ele pode deixar poder

Tsvangirai disse em uma conferência de imprensa em Harare que o Zimbábue estava sendo liderado por uma Junta Militar e 66 apoiadores de seu Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) foram mortos desde a disputa das eleições, em março.

Mesmo assim, ele rejeitou os pedidos de cancelamento do segundo turno --que será disputado com o atual presidente Robert Mugabe-- por causa da violência.

"Após o anúncio da data do segundo turno, ninguém pode mudar esse processo a menos que Robert Mugabe conceda a derrota ou caia. Isso então significa que a negociação de um governo de unidade nacional antes das eleições não existe", disse ele.

"Este país está efetivamente sendo conduzido por uma Junta Militar, 66 pessoas foram mortas e 200 estão desaparecidas", disse Tsvangirai.

ONG

Ontem, a organização pró-direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que os crescentes níveis de violência política acabaram com qualquer esperança de serem realizadas eleições livres e justas no Zimbábue.

12.abr.2008/Siphiwe Sibeko/Reuters
Morgan Tsvangirai, do Movimento Mudança Democrática (MDC), em cúpula na Zâmbia
Morgan Tsvangirai, do Movimento Mudança Democrática (MDC), em cúpula na Zâmbia

"Desde que o segundo turno da eleição foi anunciado, a violência no Zimbábue aumentou", disse Georgette Gagnon, diretora da HRW na África. "O povo do Zimbábue não pode votar livremente se teme que isto possa acabar com sua vida", acrescentou a ONG em um comunicado.

A HRW elaborou um extenso relatório no qual denunciava que ao menos 36 pessoas foram assassinadas por razões políticas desde o primeiro turno das eleições, em 29 de março, e mais de 2.000 pessoas foram vítimas de violência.

A reunião de cúpula realizada hoje na Eslovênia entre membros dos EUA e da União Européia pediu ao governo do Zimbábue que "cesse imediatamente a violência patrocinada pelo Estado e a intimidação contra seu povo".

A cúpula alertou também ao secretário-geral da ONU (Organização das nações Unidas), Ban Ki-moon, a enviar monitores para o Zimbábue para deter a violência. O presidente dos EUA, George W. Bush, participou do encontro.

Com Reuters

 

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