Ex-rei do Nepal deixa o palácio após proclamação da república
Colaboração para a Folha Online
O ex-rei Gyanendra deixou nesta quarta-feira o Palácio Real de Katmandu, no Nepal, 15 dias depois de ser proclamada a república e ser abolida a monarquia. Ele afirmou, em entrevista coletiva, que continuará trabalhando para o benefício dos nepaleses após o fim da monarquia.
Testemunhas disseram à Efe que várias dezenas de pessoas se amontoaram nos limites do palácio para a despedida do antigo rei, muitos deles com palavras de ordem contra Gyanendra, mas um grupo reduzido de simpatizantes o aclamou.
| Ravi Manadhar/AP |
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| Ex-rei Gyanendra, do Nepal, e sua mulher, Komal, deixam o palácio real em Katmandu |
O ex-monarca saiu do palácio em um veículo escoltado por outros três que faziam a segurança. Horas antes, Gyanendra se despediu em entrevista coletiva no palácio, durante a qual prometeu que continuará trabalhando pelo "bem-estar" dos nepaleses.
"Sempre contribuirei para o benefício e para a tranqüilidade do país. Espero que todos me ajudem nesta tarefa", afirmou o ex-rei em ato celebrado no Palácio Real de Narayanhiti. "Lutei pela independência do Nepal e sempre trabalharei para o benefício do país", afirmou Gyanendra.
No último dia 28, a Assembléia Constituinte do Nepal destitui a monarquia, que existia no país há 239 anos. O governo interino deu então um prazo de 15 dias a Gyanendra para abandonar o Palácio Real de Katmandu, que terminava hoje.
"Todos os direitos, instalações e status tradicional e culturalmente conferidos ao rei e à família real, exceto aqueles dos quais gozam os cidadãos nepaleses, serão automaticamente extintos", dizia a resolução --um pedido chave dos maoístas após o fim da guerra de uma década contra o governo-- aprovada pela Assembléia.
Transições
O Nepal --pequeno país da região do Himalaia--, que durante muito tempo viveu sob uma monarquia absolutista, começou a passar por mudanças no seu sistema de governo em 1990, quando se tornou monarquia constitucional.
Em 1996, a ação da guerrilha maoísta começou a investir na tentativa de derrubar a monarquia para instituir um regime socialista. As ações armadas duraram até 2006, quando os maoístas e o governo assinaram um acordo de paz.
Apesar da insistência, os maoístas só puderam comemorar em abril deste ano, quando venceram as eleições legislativas. Os ex-rebeldes obtiveram mais de um terço dos 601 cadeiras e se comprometido a dar fim à monarquia. Gyanendra era rei do Nepal desde 2001.
Com Efe
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