Mundo
11/06/2008 - 14h58

Obama diz que gostaria de ajudar Brasil a buscar energias limpas

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Colaboração para a Folha Online

O provável candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, afirmou que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é uma "ameaça administrável" para a segurança dos norte-americanos e mostrou interesse em se aproximar do Brasil visando formas mais limpas de energia.

"Sim, acredito que seja uma ameaça, mas uma ameaça administrável", disse Obama, ao ser questionado sobre se Chávez representava uma ameaça à segurança nacional dos EUA e ao restante do continente.

Em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal chileno "El Mercurio", Obama também se disse aberto a dialogar com os "nossos inimigos em Cuba e Venezuela", caso seja eleito em novembro.

Reprodução
El Mercurio
El Mercurio

A política externa de Obama é marcada pela sua proposta de diálogo aberto com os países tido como inimigos históricos dos EUA. Ele foi, inclusive, muitos criticado por seu rival, o republicano John McCain, por propor diálogos sem restrições com os governos.

O senador disse ainda que o México será sua prioridade na América Latina e que sugerirá uma reforma na política migratória já em seu primeiro ano de mandato.

"Sabemos, por exemplo, que ele pode ter tido envolvimento no apoio às Farc [a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], prejudicando um país vizinho. Esse não é o tipo de vizinho que desejamos. Acredito ser importante, por meio da Organização dos Estados Americanos [OEA] ou da Organização das Nações Unidas [ONU] adotar sanções indicando que esse tipo de comportamento é inaceitável", afirmou, na entrevista concedida em Denver.

Relações

Obama nunca viajou a América Latina, contudo, defende posturas firmes de negociação com os países. "Há uma conexão natural entre os Estados Unidos e a América Latina. Quando acabar a Guerra do Iraque, poderemos voltar a enfocar nossa atenção à região", afirmou.

Na lista de propostas para estreitar as relações, está uma diplomacia direta com a Venezuela e com os demais países do mundo. "Eu daria início a negociações como os nossos inimigos de Cuba e da Venezuela. Eu cancelaria as restrições de viagem aos que possuem familiares em Cuba. E quero unir-me a países como o Brasil para buscar formas mais limpas de energia", afirmou.

Contudo, as relações diplomáticas não serão tão fáceis quando se trata de acordos de livre-comércio. "Aprovei o Tratado de Livre Comércio com o Peru, mas me oponho ao da Colômbia até termos certeza de que líderes sindicais não estão sendo mortos ali. É preciso colocar fim a esse tipo de ação paramilitar", defendeu.

No começo de abril, Obama confirmou sua oposição ao TLC, mesmo diante da pressão do presidente George W. Bush para aprovar o acordo no Congresso. "A violência contra os sindicatos da Colômbia ridiculizaria as proteções de trabalho que insistimos que se incluam nesse tipo de acordo", afirmou, à época.

O provável candidato é ferrenho crítico dos acordos comerciais --assim como os operários dos Estados industriais norte-americanos que culpam os acordos pelo fechamento das fábricas e os altos índices de desemprego.

Muro e os eleitores

Kamil Krzaczynski/Efe
Obama inicia campanha para as eleições gerais com viagem a redutos republicanos
Obama inicia campanha para as eleições gerais com viagem a redutos republicanos

Falar sobre relações mais estreitas entre os EUA e a América Latina pode ser uma tática de Obama para conquistar os importantes eleitores hispânicos --que durante as primárias votaram em massa pela ex-pré-candidata Hillary Clinton.

Uma explicação para o pequeno desempenho de Obama entre estes eleitores, escreve o jornal, pode ser a votação de Obama no COngresso a favor da construção do muro de 1.100 quilômetros na fronteira dos EUa com o México, como forma de evitar a imigração ilegal.

"Quero saber primeiro se funciona. Creio que há algumas áreas em que há sentido e pode salvar vidas, se prevenirmos que as pessoas cruzem áreas de deserto que são muito perigosas", disse Obama, perguntado sobre se derrubaria o muro, caso fosse eleito presidente.

"Creio que só tem a ver com o fato dos latinos me conhecerem menos do que conhecem a senadora Clinton", explicou Obama, sobre seus resultados fracos entre este eleitorado. Ele ressalta que estes eleitores podem não saber que ele apoiou, como senador por Illinois, as políticas favoráveis à comunidade latina de Chicago, como os esforços para legalizar os imigrantes ilegais.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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