Mundo
12/06/2008 - 12h58

Milícia de Mugabe queima viva mulher de opositor no Zimbábue, diz jornal

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colaboração para a Folha Online

A mulher de Patson Chipiro --líder no distrito de Mhondoro do partido de oposição ao governo zimbabuano-- foi queimada viva na última sexta-feira (6) pela milícia do ditador Robert Mugabe.

Veja a íntegra da reportagem em inglês no site do jornal britânico "Times".

De acordo com o jornal, sete homens em três picapes procuravam por Patson Chipiro, 51, mas encontraram apenas Dadirai, 45, sua mulher.

Pier Paolo Cito/AP
Milícia ligada ao ditador Robert Mugabe (foto) queima viva mulher de opositor
Milícia ligada ao ditador Robert Mugabe (foto) queima viva mulher de opositor no Zimbábue

Os grupo "a agarrou, cortou uma de suas mãos e seus dois pés. Depois, jogaram-na em sua casa, trancaram a porta e jogaram uma bomba de gasolina pela janela", conta o jornal.

A morte por hemorragia e queimaduras graves foi confirmada por laudo feito no hospital missionário católico de Saint Michael.

Dadirai, que era ex-professora pré-escolar, foi a segunda mulher de membros do Movimento para a Mudança Democrática (MCD, na sigla em inglês) queimada viva na última sexta-feira por milicianos do partido governista (PF).

Outra foi Pamela Pasvani, mulher de um vereador de Harare, que estava grávida e tinha 21 anos. Não foi mutilada, mas morreu com seu filho de seis anos pelas queimaduras graves.

Quando chegou a Mhondoro, seu marido encontrou em chamas suas três cabanas de tijolos.

"Eu tentei apagar o fogo e achei que minha mulher estava escondendo-se atrás das árvores", disse Chiprio.

Chiprio diz estar com medo de ser também atacado. "Querem me matar, mas não tenho alternativa. Minha presença aqui como líder é muito importante. Se eu sair, todos sairão. Quero lutar nessa batalha a partir daqui", afirmou o líder de oposição.

Prisão

Também nesta quinta-feira, a polícia do Zimbábue prendeu pela terceira vez em pouco mais de uma semana o líder da oposição Morgan Tsvangirai enquanto ele fazia campanha para o segundo turno das eleições presidenciais marcadas para o dia 27 de junho, informou o MDC.

Arte Folha Online

Mais cedo, a polícia prendeu o secretário-geral do partido no aeroporto de Harare logo após ele ter chegado em um vôo da África do Sul. Biti, o número três do partido, deixou o país logo após a disputa do dia 29 de março para obter apoio africano.

"Ele foi detido com relação ao anúncio prematuro dos resultados [das eleições] antes do anúncio oficial dos resultados pela comissão Eleitoral do Zimbábue", disse o porta-voz da polícia, Wayne Bvudzijena.

O MDC afirma que os ativistas do partido de Mugabe, o Zanu-PF, mataram 66 de seus apoiadores para tentar intimidar os eleitores antes do segundo-turno, e a polícia deteve Tsvangirai duas vezes na semana passada durante sua campanha. O partido governante acusa a oposição pela violência política.

Tsvangirai venceu Mugabe nas eleições presidenciais de 29 de março, mas não conseguiu reunir o número de votos suficiente para vencer no primeiro turno.

 

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