Uribe promete não extraditar rebeldes das Farc que libertem reféns
da Folha Online
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, afirmou nesta quinta-feira que seu governo não extraditará para os Estados Unidos os guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que libertarem reféns.
A declaração foi em resposta a um rebelde da guerrilha que, por telefone, fez uma pergunta sobre a possibilidade.
Em uma visita a Pereira, capital do departamento de Risaralda, no oeste, Uribe se comprometeu a não extraditar os rebeldes das Farc que ajudarem na libertação de seqüestrados.
O chefe de governo colombiano disse que guerrilheiros das Farc ligaram para o Departamento Administrativo de Segurança (DAS), organismo de inteligência, e para o escritório do alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, para saber se garantiriam que não haveria extradições para os EUA.
O líder disse que ordenou à diretora do DAS, María del Pilar Hurtado, que envie cartas aos solicitantes para garantir o compromisso.
A Colômbia extraditou há dois anos para os EUA dois importantes chefes das Farc, Ricardo Palmeira, conhecido como Simón Trinidad, e Anayibe Rojas Valderrama, de apelido Sonia, sob acusações de narcotráfico, os únicos previstos no convênio judicial bilateral para autorizar extradições de colombianos aos EUA.
"Eu assumo o compromisso. Diga-lhes que sim. Que nos comprometemos a não extraditar essa pessoa, mas que se faça a libertação dos seqüestrados", disse Uribe à diretora do DAS, de acordo com o próprio governante.
Recompensas
O presidente colombiano disse que seu governo tem um fundo para pagar recompensas aos insurgentes das Farc que libertem os reféns e se entreguem. Além disso, oferece a eles "liberdade condicional e saída para um país como a França".
Uribe disse ainda que o alto comissário Restrepo também "recebeu chamadas da guerrilha há pouco".
Segundo o presidente colombiano, os rebeldes perguntaram se o governo daria garantias de "que se (membros das Farc) libertassem os seqüestrados, não iriam para a prisão" e se, depois disso, poderiam ir para outro país como a França.
"A resposta nossa foi positiva: 'Libertem os seqüestrados e simultaneamente entrarão em um avião e irão para o estrangeiro'", afirmou o presidente, citado pela agência de notícias Efe.
As Farc têm em seu poder 40 políticos, soldados e policiais, além de três americanos, que querem trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos através de um acordo humanitário. Nesse grupo de seqüestrados está também a franco-colombiana Ingrid Betancourt. No total, estima-se que a guerrilha tenha mais de 3.000 reféns.
Para aceitar o acordo, o grupo exige a desmilitarização de dois municípios do departamento de Valle del Cauca, no sudoeste do país, condição que o governo não aceita.
Uribe reiterou que as autoridades continuam buscando o "resgate humanitário" dos seqüestrados, apesar da oposição dos parentes, que temem um desfecho fatal, como ocorreu em várias ocasiões nos últimos três anos.
Contudo, o presidente colombiano afirmou que essas operações serão feitas com cuidado para evitar riscos aos reféns e que "o governo vai continuar neste trabalho".
A guerrilha se encontra enfraquecida após a morte do líder máximo do grupo, Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo, do número dois Raul Reyes, e devido a outras mortes e várias deserções.
No último dia 9, a guerrilha sofreu mais um golpe quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez --a quem a Colômbia acusa de manter vínculos com as Farc--, pediu ao novo líder do grupo que encerre a luta armada iniciada há mais de 40 anos na Colômbia e liberte todos os reféns em seu poder.
Com Efe
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